Alice Vieira

Alice Vieira

n. 1943 PT PT

Alice Vieira é uma proeminente escritora portuguesa, reconhecida pela sua vasta obra voltada principalmente para a literatura infanto-juvenil, mas também com contribuições significativas para a literatura adulta. Sua escrita caracteriza-se pela sensibilidade, inteligência e um olhar atento às questões da infância, da adolescência e da vida em sociedade. Com uma carreira literária de décadas, Alice Vieira aborda temas como a amizade, a família, os desafios do crescimento, a descoberta do mundo e a importância da imaginação. Sua habilidade em dialogar com jovens leitores, utilizando uma linguagem acessível e cativante, consolidou-a como uma das vozes mais importantes e queridas da literatura em língua portuguesa.

n. 1943-03-20, Lisboa

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A flauta

(para a Alice)
 

Nós temos o mesmo nome –
teu subterrâneo assusta, contiguidade movediça
de espelhos.
A noite exterior aos nomes
– inessencial.
Mesmo esta matilha encastelada
de astros atropela-se.
Nós temos o mesmo nome
e o amor é apenas sintagma marítimo, avulta
na mancha gráfica, na onda.
Nós temos o mesmo nome, em caso de incêndio
– friccionar até a limalha.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Alice Mesquita Fernandes Vieira é uma escritora portuguesa, nascida em Lisboa. É uma das mais importantes e prolíficas autoras de literatura infanto-juvenil em Portugal, mas também possui uma obra considerável para adultos.

Infância e formação

Alice Vieira nasceu e cresceu em Lisboa, onde frequentou os seus estudos. A sua infância e juventude foram períodos de intenso contacto com a leitura, que viria a ser fundamental na sua formação como escritora. Estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o que lhe proporcionou uma base sólida em literatura e linguística.

Percurso literário

O percurso literário de Alice Vieira é extenso e multifacetado. Começou a sua carreira como jornalista, tendo trabalhado em diversas publicações, onde desenvolveu a sua capacidade de escrita e observação. A transição para a literatura, com o seu primeiro romance juvenil em 1979, marcou o início de uma carreira fulgurante. Ao longo das décadas, Alice Vieira tem publicado continuamente, explorando diferentes géneros e temáticas, sempre com um olhar atento à infância e à adolescência, mas também abordando questões existenciais e sociais para adultos.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Alice Vieira abrange romances, contos, novelas e poesia. Para o público infanto-juvenil, destacam-se romances como "Rosa, por quê te Hates?", "A Rapariga que Tinha Medo de Tudo", "Fiel como um Cão" e "O Rapaz que Acontec Havia". Os temas dominantes na sua obra incluem a amizade, a família, os conflitos geracionais, os medos infantis, a descoberta da identidade, a aventura e a imaginação. O estilo de Alice Vieira é caracterizado pela clareza, pela fluidez da linguagem, pela naturalidade dos diálogos e pela capacidade de criar personagens verosímeis e com quem os jovens leitores se identificam. Utiliza frequentemente um tom que oscila entre o lírico e o humorístico, adaptando-se à faixa etária do seu público. A sua escrita é acessível, mas nunca simplista, convidando à reflexão sobre temas importantes.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Alice Vieira insere-se no contexto da literatura portuguesa contemporânea, especialmente no campo da literatura infanto-juvenil, onde se tornou uma referência incontornável. A sua obra reflete as transformações sociais e culturais que Portugal atravessou nas últimas décadas, nomeadamente no que diz respeito à educação, aos direitos das crianças e dos jovens, e às dinâmicas familiares. Ela dialoga com outros autores do seu tempo, mas mantém uma voz própria e distintiva.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Alice Vieira foi casada com o escritor e jornalista António Alçada Baptista, com quem partilhou a vida e o amor pela literatura. A sua experiência pessoal, incluindo a maternidade, certamente influenciou a sua abordagem aos temas relacionados com a infância e a família. A sua dedicação à escrita e à promoção da leitura é uma marca da sua vida.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Alice Vieira goza de um vasto reconhecimento em Portugal e nos países de língua portuguesa. Recebeu inúmeros prémios literários ao longo da sua carreira, tanto para obras infanto-juvenis como para adultos. É uma autora amplamente lida nas escolas e bibliotecas, sendo considerada uma das mais importantes renovadoras da literatura juvenil em Portugal. A sua obra tem sido traduzida para diversas línguas, atestando a sua universalidade e o seu apelo internacional.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Alice Vieira foi influenciada por autores clássicos e contemporâneos, mas desenvolveu um estilo muito próprio. O seu legado é imenso, especialmente no campo da literatura infanto-juvenil, onde abriu novos caminhos temáticos e estilísticos. Influenciou gerações de jovens leitores, incentivando o gosto pela leitura e pela palavra escrita. A sua obra é um pilar fundamental no cânone da literatura portuguesa contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Alice Vieira é frequentemente elogiada pela sua capacidade de abordar temas complexos de forma sensível e compreensível para jovens leitores. As suas histórias são vistas como veículos para a educação sentimental e para o desenvolvimento da empatia, promovendo valores como a tolerância, a amizade e o respeito.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Alice Vieira é também conhecida pelo seu envolvimento ativo na promoção da leitura e na defesa dos direitos das crianças. Ela participou em inúmeras iniciativas culturais e educativas, palestras e feiras do livro, sempre com o objetivo de aproximar os jovens da literatura. A sua paixão pela escrita é tão grande que ela tem o hábito de escrever à mão, mesmo na era digital.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Alice Vieira continua ativa na produção literária, não havendo registo de sua morte. Sua memória está firmemente estabelecida na literatura portuguesa através de sua vasta e aclamada obra.

Poemas

4

A flauta

(para a Alice)
 

Nós temos o mesmo nome –
teu subterrâneo assusta, contiguidade movediça
de espelhos.
A noite exterior aos nomes
– inessencial.
Mesmo esta matilha encastelada
de astros atropela-se.
Nós temos o mesmo nome
e o amor é apenas sintagma marítimo, avulta
na mancha gráfica, na onda.
Nós temos o mesmo nome, em caso de incêndio
– friccionar até a limalha.
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Carta ao Pai

eu e meu pai temos em comum o gosto pelas fortalezas afirmativas
a certeza incontornável que se dá num átimo
de enorme poder concentracionário
o que significa que eu e meu pai temos em comum (uma farmácia)
o que significa que o meu pai
essa semana quer o uísque mais caro e reina sobre esta terra
e na semana que vem quer o projétil mais caro para
mirar delicadamente no epicentro da cabeça
o meu pai não sabe que o corpo é iniludível o corpo
tem sempre razão e, portanto, não se preocupe, pai
quando estivermos atônitos em queda livre
ou atados à areia bruta que mora
no fundo do buraco negro ou de algum outro
acidente cósmico muito denso e oclusivo
embalado a vácuo poço sem fundo e apneia originária
quando de repente pensarmos: “daqui não há
homem que se levante”, não se preocupe
– é aí que mora a linguagem
938

Taxidermias

(para o Frederico Klumb, por ocasião de um tropeço-comum)

 
que tenho eu com a gênese da beleza
tempestade de aço
se tens meu corpo e todos os seus agudos sinais
angústia dúplice
quantos nomes serão necessários
para que não tomes mais os meus órgãos
de assalto, para que não sejas o invólucro
impiedoso de todas as noites
para que não venças em teu propósito de minha
implosão fragmentária
quantos nomes serão necessários para que tuas dobras
não ultrapassem a vertigem comum dos dedos
Vênus tripartite, convocação ao delírio e à
sutura, assim não, mulher, você desata
uma música diferente de todas as outras (minha)
– Shostakóvitch? Por que tão agressiva
se inevitável, quem te adivinha a escala cromática
para que teu incômodo cumpra a inscrição
visível em minha pele
e eu te reconstitua – palha a palha –
com todo o teu direito a uma constelação
do desassossego?
706

Precisa-se de poetas na América Latina

precisa-se de poetas na América Latina
precisa-se de poetas como precisa-se de vermute
fuzis de assalto
precisa-se de poetas na América Latina
precisa-se de poetas para
matar a fome com a ambivalência
de repulsivos moluscos bivalves
precisa-se de poetas na América Latina
com carta de apresentação
aos caudilhos precisa-se
quando a única via for
quando a corda no pescoço
servir de arrimo
precisa-se de poetas na América Latina
precisa-se de poetas como se um Sol anguloso
partisse
o edifício de fogo da ruína
673

Livros

78
📚

De Estarmos Vivos

1964

Um Nome para Setembro

Um Nome para Setembro

1977

Rosa, minha irmã Rosa

Rosa, minha irmã Rosa

1979

Lote 12 - 2.º Frente

Lote 12 - 2.º Frente

1980

A espada do rei Afonso

A espada do rei Afonso

1981

Chocolate à chuva

Chocolate à chuva

1982

Este Rei que Eu Escolhi

Este Rei que Eu Escolhi

1983

Graças e desgraças da corte de el-rei Tadinho

Graças e desgraças da corte de el-rei Tadinho

1984

Águas de Verão

Águas de Verão

1985

Flor de mel

Flor de mel

1986

Paulina ao piano

Paulina ao piano

1987

As Árvores que Ninguém Separa

As Árvores que Ninguém Separa

1988

As Mãos de Lam Seng

As Mãos de Lam Seng

1988

O que sabem os Pássaros

O que sabem os Pássaros

1988

O Templo da Promessa

O Templo da Promessa

1988

Um Estranho Barulho de Asas

Um Estranho Barulho de Asas

1988

Uma Voz do Fundo das Águas

Uma Voz do Fundo das Águas

1988

Úrsula, a maior

Úrsula, a maior

1988

A lua não está à venda

A lua não está à venda

1988

Às Dez a Porta Fecha

Às Dez a Porta Fecha

1988

Macau: da Lenda à História

Macau: da Lenda à História

1990

Os olhos de Ana Marta

Os olhos de Ana Marta

1990

Corre, corre cabacinha

Corre, corre cabacinha

1991

Leandro, rei da Helíria

Leandro, rei da Helíria

1991

Promontório da lua

Promontório da lua

1991

Um ladrão debaixo da cama

Um ladrão debaixo da cama

1991

A Adivinha do Rei

A Adivinha do Rei

1991

Fita, pente e espelho

Fita, pente e espelho

1991

Periquinho e Periquinha

Periquinho e Periquinha

1992

Rato do campo e rato da cidade

Rato do campo e rato da cidade

1992

Desanda Cacete

Desanda Cacete

1992

Maria das Silvas

Maria das Silvas

1992

As Três Fiandeiras

As Três Fiandeiras

1993

Esta Lisboa

Esta Lisboa

1993

A bela moura

A bela moura

1993

Eu bem vi nascer o Sol

Eu bem vi nascer o Sol

1994

O Coelho Branquinho e a Formiga Rabiga

O Coelho Branquinho e a Formiga Rabiga

1994

O Pássaro Verde

O Pássaro Verde

1994

Os Anéis do Diabo

Os Anéis do Diabo

1994

Caderno de Agosto

Caderno de Agosto

1995

Viagem à roda do meu nome

Viagem à roda do meu nome

1995

Se Perguntarem por Mim, Digam que Voei

Se Perguntarem por Mim, Digam que Voei

1997

Praias de Portugal

Praias de Portugal

1997

O Gigante e as Três Irmãs

O Gigante e as Três Irmãs

1998

📚

O Doce Lugar dos Pássaros

1999

Um Fio de Fumo nos Confins do Mar

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1999

Vinte e Cinco a Sete Vozes

Vinte e Cinco a Sete Vozes

1999

Trisavó de pistola à cinta e outras histórias

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2001

2 Histórias de Natal

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2002

Contos e Lendas de Macau

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2002

Manhas e Patranhas, Ovos e Castanhas

Manhas e Patranhas, Ovos e Castanhas

2003

📚

Viajar nos Livros - guia orientador de leitura

2003

As Moedas de Ouro do Pinto Pintão

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2003

Canção de Outono

Canção de Outono

2004

Histórias e canções em quatro estações

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2005

Livro com cheiro a chocolate

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2005

O casamento da minha mãe

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2005

Os novos mistérios de Sintra

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2005

Pezinhos de coentrada

Pezinhos de coentrada

2006

Rato do campo e rato da cidade e João Grão de Milho

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2006

O código d'Avintes

O código d'Avintes

2006

A machadinha e a menina tonta e O cordão dourado

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2006

Dois corpos tombando na água

Dois corpos tombando na água

2007

📚

Eça agora : os herdeiros dos Maias

2007

A vida nas palavras de Inês Tavares

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2008

Livro com cheiro a caramelo

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2008

Bica escaldada : uma crónica de costumes da sociedade portuguesa actual

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2009

Livro com cheiro a canela

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2009

O que dói às aves

O que dói às aves

2009

Tejo

Tejo

2009

Meia hora para mudar a minha vida

Meia hora para mudar a minha vida

2010

A arca do tesouro

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2010

O livro da avó Alice : histórias e memórias para todas as avós do mundo

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2011

Os profetas

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2011

Expressões com história

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2012

Os armários da noite

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A caixa velha - A bela moura

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2014

Diário de um adolescente na Lisboa de 1910

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2016

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Vinicius Franco
Vinicius Franco

Essa senhora não é autora desses poemas, eles pertencem a Alice Vieira Barros, brasileira e professora universitária na Bahia.