Bica escaldada : uma crónica de costumes da sociedade portuguesa actual
«A minha infância foi uma velha máquina de escrever, onde tentei juntar letras, fazer palavras, e que bonito era aquele som!», escreveu algures Alice Vieira. Em Bica Escaldada , um conjunto de crónicas publicadas no Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Tempo Livre e Activa, sentimos que a infância de Alice foi algo mais que uma simples maquina de escrever. Foi vivida com uma doçura muito própria, escondida, por vezes, em rituais familiares severos e marcantes. Foi vivida, também, com magia e, mesmo nos momentos mais dramáticos, como a morte, não falta o gesto reconfortante e inspirador. Foi uma infância muito especial, povoada de personagens incríveis, que facilmente se apercebe ter sido o véu inspirador da nossa maior escritora infanto-juvenil. São crónicas breves que, por outro lado, nos fazem recordar um tempo onde a infância e a juventude tinham, de facto, um outro sabor. Críticas de imprensa "Alice Vieira guia-nos por entre as suas memórias, onde reconhecemos cheiros, prazeres e rotinas, e faz-nos saltitar por outras histórias, sobre o seu e o nosso mundo actual. (...) É um livro para ser lido, supostamente, "entre dois goles de café", algo que parece impossível pois a sua leitura obedece a uma cadência própria que nos conduz de universo em universo, ansiando conhecer sempre mais pessoas e novos enredos. Um livro que é um retorno ao universo de infância da autora, mas também um encontro com as suas perspectivas sobre a realidade do dia-a-dia." In Os Meus Livros «A história recente continua, assim, a dispor de lugar cativo na ficção de Alice Vieira, que, no seu conjunto, se vai impondo como uma crónica de costumes da sociedade portuguesa nas duas últimas décadas.» Expresso Excertos «Foi então que tocaram à campainha. Resmunguei qualquer coisa do género “quem será o chato que vem a esta hora bater-nos à porta”. Lembrei-me do conselho da minha tia Clara, “atende sempre a porta com a carteira pendurada no braço: se for algum chato, dizes olha que pena, vou já sair!; se for algum amigo, largas a carteira e dizes: olha que bom, cheguei agora mesmo!”.»
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