Lista de Poemas

A Vida

Dizem que a vida é um favo bem pequeno
Que às vezes tem dulçor e às vezes, travo...
Se assim é, sorve o teu com espírito sereno,
Sim, o teu, que é de mel,
Sem ao menos pensar que desse favo
Possa a última gota ter veneno
E amargar com fel.

A vida é triste, minha amiga! A vida,
Em sendo, como é, uma noite comprida,
E também a assassina da ilusão...
Não há quem, no melhor dos seus caminhos
Não encontre o pior de todos os espinhos...
Mas, não te importes, não!
Goza-a, sem procurares, todavia,
Tenta saber se, porventura, um dia,
Ela venha sangrar teu coração.

Goza-a, crendo no amor! E se em teu peito
Um sonho, pálido e desfeito,
Cair ferido pelo sofrimento,
Reage com o fulgor da tua graça,
Sê forte para que não se desfaça
O belo encantamento.

Encara a vida como se ela fosse
Eternamente doce,
Como um beijo do Céu que te bendiz;
A vida tem odor? Aspira-o se puderes,
Sê a mais otimista das mulheres
E serás sempre feliz.

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Descendo o Parnaíba

Nas águas, vê que límpidas bonanças...
Que verde o destas árvores florindo!
Parece o verde dessas esperanças
Que em nossos corações brotam sorrindo.

Como as almas sonâmbulas e mansas
Dos lírios virginais que estão dormindo,
Quantas almas de cândidas crianças
Há nas estrelas que já vêm surgindo!

Tu és um quadro desta Natureza!
Minha alma, ao ver em ti tanta beleza,
De ti somente se tornou cativa...

Sem sol a flor sucumbe, morre a planta...
Dá que eu sinta, portanto, ó minha Santa,
O sol do teu amor! Faze que eu viva!

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Mocidade

Ó mocidade! — borboleta louca
Que o casulo deixaste pressurosa,
Olha que o vento as asas te destouca,
Adeja menos, borboleta ansiosa.

Temo que as tuas límpidas antenas,
Que o teu corpo fragílimo, subindo,
um dia venham se cobrir das penas...

E se temo é porque — pálido monge
Sob a cúpula azul do céu aberto
Olho, e te vejo já de mim tão longe,
Tu, que eu julgava inda de mim tão perto.

Volta! vem descansar sobre as alfombras
Desta alma, que sorrir já não se atreve...
Olha que o prado vai se encher de sombras
E a terra toda se cobrir de neve.

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Identificação e contexto básico

Antônio Chaves é um poeta brasileiro. Informações sobre o seu nome completo, pseudónimos ou heterónimos, data e local de nascimento e morte, origem familiar, classe social, contexto cultural, nacionalidade e língua de escrita, bem como o contexto histórico em que viveu, não são amplamente detalhadas publicamente. A sua obra é escrita em português.

Infância e formação

Não há informações disponíveis sobre a infância e formação de Antônio Chaves, incluindo sua educação, influências iniciais, movimentos literários, filosóficos ou artísticos absorvidos e eventos marcantes na juventude.

Percurso literário

O início da carreira literária de Antônio Chaves, a evolução da sua obra, colaborações em publicações e sua atividade como crítico, tradutor ou editor são aspetos que requerem maior investigação para uma caracterização completa.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Antônio Chaves, escrita em português, é caracterizada pela profundidade reflexiva e pela sensibilidade ao abordar as complexidades da existência humana. Os temas recorrentes incluem a identidade, a passagem do tempo e a busca por significado. A sua poesia utiliza uma linguagem rica em imagens e musicalidade. Detalhes sobre obras principais, forma, estrutura, recursos poéticos, tom, voz poética, linguagem, inovações, relação com a tradição e modernidade, e movimentos literários associados não são especificados.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Informações sobre a relação de Antônio Chaves com acontecimentos históricos, outros escritores ou círculos literários, a geração ou movimento a que pertence, sua posição política ou filosófica, e a influência da sociedade e cultura em sua obra não são amplamente conhecidas.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Não há dados públicos disponíveis sobre a vida pessoal de Antônio Chaves, incluindo relações afetivas e familiares, amizades, rivalidades literárias, experiências pessoais, profissões paralelas, crenças religiosas, espirituais ou filosóficas, ou envolvimento cívico.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento e a receção crítica da obra de Antônio Chaves, incluindo prémios, distinções, popularidade e reconhecimento académico, não são detalhados na informação disponível.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências que moldaram a obra de Antônio Chaves, os poetas e movimentos que ele próprio influenciou, e seu legado na literatura nacional e mundial são aspetos que carecem de maior documentação.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica Análises críticas, leituras possíveis da obra, temas filosóficos e existenciais abordados por Antônio Chaves, bem como controvérsias ou debates críticos relacionados à sua poesia, não são amplamente divulgados.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da personalidade de Antônio Chaves, contradições entre vida e obra, episódios marcantes ou anedóticos, objetos, lugares ou rituais associados à sua criação poética, hábitos de escrita, e a existência de manuscritos, diários ou correspondência são desconhecidos.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre a morte de Antônio Chaves e publicações póstumas não estão disponíveis.