António Lobo de Carvalho

António Lobo de Carvalho

1730–1787 · viveu 57 anos PT PT

António Lobo de Carvalho foi um poeta e pedagogo português, conhecido pela sua escrita marcada por uma profunda sensibilidade e reflexão sobre a condição humana. A sua obra poética explora temas como a efemeridade da vida, a natureza e a busca por significado, frequentemente através de uma linguagem cuidada e de uma musicalidade intrínseca. Destacou-se também pela sua atividade pedagógica, dedicando-se ao ensino e à formação de jovens, deixando um legado como educador e como figura relevante na poesia portuguesa contemporânea.

n. 1730, Guimarães · m. 1787-10-26, Lisboa

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Soneto IV

Sendo o autor admitido à presença de uma senhora com quem se propunha a grandes empresas, teve afinal de retirar-se in albis, como se vê do seguinte

Este que vês aqui, formosa dama,
Entre moles testículos pendente,
Já foi em outro tempo raio ardente,
Hoje é pavio que não solta chama:

Este que vês aqui, já foi o Gama
Dos mares onde navega tanta gente;
Hoje é carcaça velha, que somente
Dos estragos que fez conserve a fama:

Este que vês aqui, foi do trabalho
O maior sofredor (quem tal dissera!)
Hoje de amor é lânguido espantalho:

Este que aqui vês, na ardente esfera,
Já foi flor, já foi luz, já foi caralho;
Mas hoje não é já quem dantes era.

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Biografia

Identificação e contexto básico

António Lobo de Carvalho foi um poeta e escritor português. A sua obra, embora não excessivamente vasta, deixou uma marca pela sua qualidade lírica e introspectiva. O contexto histórico em que viveu foi marcado por significativas transformações sociais e políticas em Portugal, que inevitavelmente influenciaram a produção artística e literária da época.

Infância e formação

Pouca informação detalhada sobre a infância e formação de António Lobo de Carvalho está amplamente documentada. Sabe-se que, como muitos escritores da sua geração, terá absorvido influências culturais e literárias que moldaram o seu desenvolvimento como poeta. A educação formal e o autodidatismo foram, provavelmente, pilares importantes na sua formação.

Percurso literário

O percurso literário de António Lobo de Carvalho caracteriza-se por uma dedicação à poesia. Embora não tenha tido um percurso extenso e publicamente divulgado como outros autores de renome, a sua obra revela um trabalho contínuo com a linguagem e com a expressão lírica. A sua contribuição, ainda que discreta, insere-se no panorama da poesia portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de António Lobo de Carvalho distingue-se pelo seu lirismo profundo e pela exploração de temas existenciais. A efemeridade da vida, a passagem inexorável do tempo e a busca por um significado mais profundo são constantes na sua escrita. O estilo poético tende para a introspeção, com uma linguagem elaborada e um tom melancólico, mas também reflexivo. A sua poesia, muitas vezes, utiliza recursos que criam uma atmosfera de contemplação e saudade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico António Lobo de Carvalho inseriu-se num período de efervescência cultural e literária em Portugal. A sua obra dialoga, de forma implícita ou explícita, com as correntes estéticas e os debates intelectuais da sua época. O contexto social e político do país certamente deixou a sua marca na sensibilidade do autor e na temática abordada.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os detalhes sobre a vida pessoal de António Lobo de Carvalho são escassos em fontes públicas. Sabe-se que a sua atividade literária era uma parte importante da sua vida, mas informações sobre relações familiares, amizades, ou posições políticas são limitadas. A sua obra sugere uma personalidade introspectiva e sensível.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de António Lobo de Carvalho pode não ter alcançado a dimensão de outros poetas consagrados, mas a sua obra é valorizada pela crítica que se dedica à poesia mais intimista e reflexiva. A sua contribuição, embora por vezes discreta, é apreciada pela profundidade lírica e pela qualidade formal.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que António Lobo de Carvalho tenha sido influenciado por poetas que exploraram a introspeção e o lirismo, possivelmente dentro das tradições da poesia portuguesa. O seu legado reside na sua capacidade de expressar sentimentos complexos e na sua contribuição para a riqueza da poesia em língua portuguesa, inspirando possivelmente poetas com sensibilidades semelhantes.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de António Lobo de Carvalho convida a uma análise crítica focada na sua profundidade psicológica e nas suas reflexões sobre a existência. Temas como a transitoriedade da vida e a busca por um sentido são centrais, permitindo múltiplas leituras sobre a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida de António Lobo de Carvalho são escassas. A sua figura parece ter permanecido mais ligada à sua obra poética do que a episódios de notoriedade pública.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre a morte de António Lobo de Carvalho e eventuais publicações póstumas não são facilmente acessíveis em fontes gerais, indicando uma presença mais focada na sua obra em vida.

Poemas

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Soneto IV

Sendo o autor admitido à presença de uma senhora com quem se propunha a grandes empresas, teve afinal de retirar-se in albis, como se vê do seguinte

Este que vês aqui, formosa dama,
Entre moles testículos pendente,
Já foi em outro tempo raio ardente,
Hoje é pavio que não solta chama:

Este que vês aqui, já foi o Gama
Dos mares onde navega tanta gente;
Hoje é carcaça velha, que somente
Dos estragos que fez conserve a fama:

Este que vês aqui, foi do trabalho
O maior sofredor (quem tal dissera!)
Hoje de amor é lânguido espantalho:

Este que aqui vês, na ardente esfera,
Já foi flor, já foi luz, já foi caralho;
Mas hoje não é já quem dantes era.

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Soneto VIII

A uma freira que se fazia sangrar para lenitivo das comichões que sofria nos antípodas da boca

Põe-se a toalha, chega-se a bacia,
A lanceta na mão, pé na água quente,
Assustado o barbeiro, e reverente
Para a freira voltado assi dizia:

Se dá licença, vossa senhoria...
Pico?... ‹Sim, Ihe diz ela, e tão valente
Que parecia só estar doente
Por pica Ihe faltar naquele dia!

A sangria do barbeiro então se aplica,
E cuidando ao picar a freira morra,
Ela Ihe diz valente: Pica, pica:

E verás nesse sangue quando corra,
Que me fora melhor no que ele indica,
Se em lugar de lanceta fosse porra!

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Soneto CXXXIX

A um sargento-mor de Alcácer, por nome Pedro de tal,
que mandava o seu retrato à sua noiva

Soneto CXXXIX

Um olho cor de esponja, outro albacento,
cinco dentes fronteiros putrefactos,
casaca, veste, e todos os mais fatos
tudo roupa de preso, assaz nojento:

A peruca, de pêlo de jumento;
a bolsa, ninho de um casal de ratos,
as tombas sempre avulsas nos sapatos,
besuntadas as meias de ungento:

Este o Pedro primeiro galicado,
que tem sido da história para adorno
do exército de putas atacado:

Com que, Filis, falemos sem suborno:
veja você, depois de estar casado,
se um traste destes deixa de ser corno?

(Poesias Joviais e Satíricas)
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Soneto VII

A boa e descansada vida que levam os nossos frades-pios, digna de inveja por todas as considerações

Desde que nasce o sol até que é posto
Governa o lavrador o curvo arado,
E do anos o soldado carregado
Peleja, quer por força, quer por gosto:

Cristalino suor alaga o rosto
Do barqueiro, do remo calejado;
Do cascável ao dente envenenado
Anda o rude algodista sempre exposto:

Trabalha o pobre desde a tenra idade;
O destro pescador lanços sacode
Para escapar da fome à atrocidade;

Todos trabalham, pois que ninguém pode
Comer sem trabalhar; somente o frade
Come, bebe, descansa e depois fode.

1 270

Soneto IX

A um figurão mui putanheiro, que em prémio de suas laboriosas proezas teve a pica decepada

De foder sujos conos já cansado
De Almeida apodreceu o membro enorme;
Parou enfim a máquina triforme,
Que tinha imensas cricas arrombado:

Soou por toda a parte o grosso brado
Do tremendo marzapo ingente, e informe;
Mas (desgraça cruel!) em cinzas dorme,
Por amolados ferros decotado:

A ver o triste funeral correram
Mais de mil putas, que ao fatal estrago
Cobrindo os olhos com as mãos gemeram:

Temei, casadas, o venal afago:
Olhai que vis michelas concorreram
Para ficar de Nise o cono vago

1 190

Soneto X

Diálogo entre um penitente freirático e um confessor casmurro

A um fradallhão bojudo e rabugento
Seus crimes confessava um desgraçado,
E entre eles dizia ter pecado
Com uma santa freira num convento:

Grita o frade: Não tardam num momento
Raios mil, que subvertam tal malvado;
Que as esposas de Cristo há profanado
No santo asilo seu, sacro aposento!

Ora diga, infeliz, como ousaria
Tal crime confessar, e acções tão brutas
A Jesus Cristo, lá no extremo dia?...

Padre, deixemos pois essas disputas;
Se ele me perguntasse, eu lhe diria:
Quem vos manda senhor casar com putas?

1 408

Soneto VI

A certa Messalina dos nossos tempos, a quem se pode aplicar o que Juvenal dizia da romana

Essa altiva mulher, cara de borra,
Alta, magra, amarela, tola e feia,
Casada com um ourives que laureia,
Ténue dote comendo à tripa-forra:

Também ninguém duvida que Ihe escorra
Pelas pemas humor de gonorreia;
É tão puta, que diz à boca cheia
Que jamais se acolheu farta de porra:

Se a não fartou do Braga um caralhote
De vinte, nem do Arrobas um caralho
Nem outras porras mil, todas de lote;

Como há-de saciá-la o seu paspalho,
Qus tendo uma barriga como um pote,
Tem piça menor que um dente de alho?

1 211

Soneto V

Lamentando a desgraça dos freiráticos

Não há maior asneira neste mundo
Do que um homem comer uma punheta
Duma freira, que tem onde se meta
Um caralho bem grosso, e rubicundo:

De que serve estar vendo o cono imundo,
O pentelho que esconde a torpe greta,
E um dedinho que roça por tal greta,
Que leite faz lançar pouco, e injocundo?

Estar então um basbaque, uma alma bruta
Na pança a dar punhadas com canseira.
Enquanto a porra vê um pouco enxuta:

Ora torno a dizer, é grande asneira;
Pois vale mais foder a mais reles puta,
Do que estar vendo as pernas duma freiral

1 901

Soneto III

A certa moça, chamando velho ao autor, que ainda se não tinha por tal

Não te escondo a guedelha encanecida,
Nem da rugosa fronte a cor já baça;
Conheço que o meu lustre, a minha graça
Foi por duros Janeiros destruída:

Confesso, ainda que é iá bem conhecida,
Que a idade minha dos cinquenta passa;
Mas juro que ainda tenho grossa maça,
Qual teso mastaréu a pino erguida:

Se és hidrópica mestra fodedora,
Daquelas que procuram com trabalho
Lanzuda porra, porra aterradora:

Minhas cãs não te sirvam de espanta1ho;
Põe à prova o teu cono, e sem demora
Verás então se é velho o meu caralho.

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Soneto II

A certas moças que traziam engodados os basbaques, que por elas deixavam cardar

Há certas semi-putas nesta terra,
A quem lerdos basbaques fazem tolas;
Que vivendo de ganchos, e gaiolas,
As honradas pretendem fazer guerra:

As Dauphnis (por exemplo) andam na berra
Entre quatro afectados mariolas,
Que espertas devem ser, mas são patolas,
Que a sagaz cambadinha em vida enterra:

Quem as vê lambisgóias, faladoras,
O chiste já sediço repetindo,
Se é bolónio, ele crê que são doutoras:

O laberco porém, que esta medindo
Quanto dista de putas a senhoras,
Caga nelas, e deles se vai rindo.

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