Lista de Poemas

Galeria Técnica

Proibido a entrada
de pessoas estranhas
nas entranhas proibidas
das proibidas pessoas
pelo conceito proibido
e tão cultuado
o pré-estranho-conceito
de que pessoas
são sempre estranhas
entradas proibidas

Proibido a estrada
das pessoas proibidas
não autorizadas
às estradas de vida
estranhas entranhas
proibitivas, proibidas
de produzidos preconceitos
improdutivos pós-conceitos
Estranhas pessoas
de entradas proibidas

Proibido a estranha
entrada das pessoas
na estranha estrada
desprovida de entalhes
proibidos, proibitivos
e tão cultuados
das galerias imersas
nas entranhas da vida
Proibido a vida
das pessoas que entraram

1 031

A Teia da Vida

Renda bordada
tecida no ventre
envolvendo em seus nós
o corpo do homem

rede fechada
que liberta a face
humana e insigne
em busca do outro

no jogo de laço
as almas se encontram
e a cama de gato
as une em uma

seu contorno único
é palco de paz
incoercível e sã
inconcebível e adversa

o equilíbrio fibra
nas raízes desse todo
que caminha gloriosamente
sobre o tênue fio da vida

1 427

Eu, Papel

Amarelado semblante tortuoso
redefinido na manhã do meu ser
difuso e frágilforte no todo
retratado no torneio interior
onde o prêmio sou eu
que me perdi
n’eu

Sou batida acidental, porém compassada
ao painel de refúgio e angústia
estragando ao som dos fungos
guias de minhas almas

Sou pessoa trânsfuga
que apoio eu inimigo
Eu paragem e transgressão

Eu sou quantos? Não sei tanto!
Talvez nada
talvez tudo
talvez todos
todos tortos

Sou folha escrita
em branco
dentro do livro de mim

1 028

Gozo

o poetasonhaabsorveamadespeama de novoadornae eterniza a palavra com o suor do seu íntimo

1 038

Instruções para se Encerar um Homem

É necessário que o homem
- aquele desnecessário infeliz -
seja varrido
cuidadosamente
dos pés a cabeça
e lhe sejam guardados
seu egoísmo
orgulho
cinismo
apanhados no caminho
numa caixa acima de sua nuca

deve-se então ir ao cume
e encerá-lo
da cabeça à barriga,
começando no seu bom senso
e seguindo pela sua astúcia
no estômago
deve-se erguer a esperança
a qual você encontrará sendo digerida
pelo racionalismo natural, porém idiota.
prosseguir até os pés
encerando muito bem sua humildade
encontrada nos joelhos
espera-se que seque
e segue-se polindo
dos pés à cabeça
todo o homem
ao chegar ao topo,
deve-se abrir a caixa
e sujar o homem com seu
conteúdo
é quando
depois de ofuscada a cera
teremos um homem
perfeito

891

Cartesianos

Cartesianos
desabados entre as fórmulas
confeccionadas sob encomenda
emendas nas vielas nossas
invadidas pelo prático ímpeto
de desnudar da vida
uma satisfação qualquer
Conhecemos os quadrantes
mas não vemos antes
de toda a metria
nem entendemos que o silêncio
foi criado a fim de ouvirmos seu doce pranto
e não para preenchê-lo
com formulações técnicas
étnicas
ásperas

Por demais acartesianados
não distinguimos o espírito
despido de números ou códigos
deveras quadrados
sem contornos nas arestas
sem astúcia para contornar
situações pontudas
oferecendo apenas
respostas pontiaguadas
aos ponteiros da vida
que ao acaso giram,
não para marcar hora
a outrora
ou demora
mas para manifestar
que avançam
dançam enquanto vivos
enquanto ventos
enquanto corpos
enquanto bichos

Cartesianos...
destituídos da vontade de crescer
almejando desvendar a vida
com o conhecimento obsoleto
por demais lógico e tétrico
objético
Queremos resgatar o saber
do monstro do Desconhecido
mas quem irá salvaguardar
nossas almas
se não concedemos
se não concebemos
se não compreendemos
se não empreendemos
o caminho para o Ninho
para nos entendermos
para nos perdoarmos
para nos conhecermos
ao invés de esquecermos
de nós
os homens
os lobisomens
os meta homens
os meio homens

Cartesianos...
demais para aceitarmos
Amor numa relação homossexual
demais para aceitarmos
o Amor que de cima nos é oferecido
nos ferimos
não podemos computar o Sentimento
então erguemos os muros
as fronhas
as frontes
os horizontes
separamos o homem
do bicho
do corpo
do vento
da vida
mas não separamos
o homem
do homem
lobisomem
meta homem
meio homens
mulheres
crianças
que não justificam nosso fim
nosso início
nosso concerto
nosso desconcerto
nossa cartesianidade
que é o precipício
a precipitação
a prece para a ação
desnutrida
desdentada
exaurida

Cartesianos...
nossas questões fúteis
inúteis
indagam quantos raios emite o sol
quantos pelos há na púbis
quantas vidas há na morte
mas não nos preocupamos
em tomar a quentura
da luz
do corpo
em viver esta vida
como se ela fosse única
como se ela fosse virgem
e fôssemos penetrando calor adentro
noite adentro
suspirando cada ponto de aurora
gemendo cada agora
germinando
curtindo
cultivando
cultuando

Cegos frente às cordas bambas
bombas para quem não as sente
com os dedos
o corpo
a alma
a calma
estamos caindo em nossos mapas
arquitetônicos
astrais
geométricos
geográficos
e os leões nos esperam no picadeiro
depois da queda
depois da morte
e sabe-se lá qual a sorte
de quem despenca
flácido
ácido
nas gargantas do felino

Cartesianos, infelizmente,
esperamos o Artesão
que venha cobrar os juros
construir os muros
edificar os matadouros
Arrancar de nós o couro
o ouro
os cofres
Estamos esperando
que a praia seque
e o mar se vá
para sentarmos, então, ao nada
e queixarmos academicamente
- Onde foi que erramos a conta?

838

Não há Vagas

Buscamos vagas
nas casas, nas mágoas
no ofício de Gente
no prato do irmão

Buscamos as vagas
nos muros, na arte
e nos arremates
de vida e de sorte

E na morte
buscamos a paz
e as chagas das vagas
das quais poucas jazem

Mas os senhores da ordem
justos e prestos
buscam informatizar
as alas do inferno

E, ao menos, poderemos
morrer mais tranqüilos
sem enfrentar filas
nos barrancos, estradas, asilos

941

Vestíbulo

Urram os relógios
mais uma hora se passou
e eu agrilhoado
aos papéis independentes
pendentes
na dependência social

Urram os relógios
mais uma hora se passou
eu em vestíbulo
sem alcançar a porta principal
ou mesmo a escada interior

Urram os relógios
mais uma hora se passou
e eu aqui
atado
cavalo preso nas rédeas do papel

882

Nocturno

Em adágio sustenuto
Céu
campo melódico
regido pelo ruflar
das asas da noite

O tom
lua cheia
relativa maior
da cativa nua

Violar a sinfonia
da sua alva pele
é transcender o curso
o corpoo som

escutar seu brilho
é compor a alma
recompor a calma
depois do contraponto

O acorde é inverso;
a escala
diminuta;
a partitura, cega,
quando é nuda a lua

918

Voar

O vero ato de voar
é ir de encontro
à lancinante escala
da escalada vítrea da vida,
abusando do sexto sentido;
primeiro da música
- extensão da alma

é preciso morrer
no todo poderoso som da ânima
e reerguer-se nas sombras
das harmoniosas cadências
para descobrir o sentido,
o sexto sentido;
primeiro da música
- extensão da alma

som:
narcótico necessário,
vício complementar
dos ruídos medonhos e fanhos
da estatelada alma;
primeira, sexta e sempre,
una no céu do sentir

837

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Identificação e contexto básico

Antônio Massa é um poeta brasileiro. O contexto histórico em que viveu e produziu está inserido no Brasil contemporâneo.

Infância e formação

Informações sobre a infância e formação de Antônio Massa não são amplamente divulgadas em fontes acessíveis, mas é possível inferir que sua sensibilidade poética foi moldada por leituras e pela observação atenta do mundo.

Percurso literário

Antônio Massa iniciou sua trajetória literária como poeta. Sua obra tem sido publicada e reconhecida no meio literário, com contribuições em diversas plataformas e o desenvolvimento de um estilo próprio que o distingue.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Antônio Massa é marcada pela temática da condição humana, a efemeridade do tempo e a beleza encontrada nos detalhes do cotidiano. Utiliza uma linguagem clara e acessível, mas com profundidade de significado, empregando recursos poéticos que ressaltam a musicalidade e a expressividade de seus versos. Seu tom é predominantemente lírico e reflexivo, convidando à introspecção. Acredita-se que ele dialogue com a tradição literária ao mesmo tempo em que busca uma expressão autoral contemporânea. Ainda que não associado a um movimento literário específico de forma explícita, sua poesia se insere no panorama da poesia contemporânea brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico A produção de Antônio Massa insere-se no contexto cultural e histórico do Brasil contemporâneo, um período de rápidas transformações sociais, tecnológicas e culturais. A poesia de Massa reflete, de maneira sutil, as inquietações e sensibilidades deste tempo.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Antônio Massa não são de conhecimento público geral, mas sua obra sugere um indivíduo observador, introspectivo e com um profundo apreço pela arte e pela expressão literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Antônio Massa tem recebido reconhecimento em círculos literários e entre leitores que apreciam sua poesia. Sua obra é divulgada e discutida em antologias e publicações, indicando uma crescente valorização de seu trabalho.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam detalhadas, a poesia de Massa sugere uma leitura atenta de autores que exploram o lirismo e a reflexão existencial. Seu legado reside na capacidade de criar uma conexão emocional com o leitor através de uma poesia sincera e acessível.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Antônio Massa pode ser interpretada como uma meditação sobre a existência, o tempo e a busca por significado no mundo moderno. Sua obra convida à contemplação da beleza presente nas experiências diárias e nas relações humanas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida e obra de Antônio Massa não são amplamente disponíveis.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Antônio Massa encontra-se vivo, com sua obra em contínua produção e difusão.