Augusto Meyer

Augusto Meyer

1902–1970 · viveu 68 anos BR BR

Augusto Meyer foi um proeminente poeta, ensaísta e professor brasileiro, figura central na literatura do Rio Grande do Sul e com relevância nacional. Sua obra poética é marcada pela reflexão sobre a identidade gaúcha, a terra, a história e a condição humana, aliada a um profundo lirismo e a uma linguagem elaborada e musical. Meyer também se destacou como intelectual, crítico literário e tradutor, contribuindo significativamente para o debate cultural e a formação de leitores.

n. 1902-01-24, Porto Alegre · m. 1970-07-10, Rio de Janeiro

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Canção do Negrinho do Pastoreio

Negrinho do Pastoreiro,
Venho acender a velinha
que palpita em teu louvor.
A luz da vela me mostre
o caminho do meu amor.

A luz da vela me mostre
onde está Nosso Senhor.

Eu quero ver outra luz
clarão santo, clarão grande
como a verdade e o caminho
na falação de Jesus.

Negrinho do Pastoreiro
diz que Você acha tudo
se a gente acender um lume
de velinha em seu louvor.

Vou levando esta luzinha
treme, treme, protegida
contra o vento, contra a noite. . .
É uma esperança queimando
na palma da minha mão.

Que não se apague este lume!
Há sempre um novo clarão.
Quem espera acha o caminho
pela voz do coração.

Eu quero achar-me, Negrinho!
(Diz que Você acha tudo).
Ando tão longe, perdido...
Eu quero achar-me, Negrinho:
a luz da vela me mostre
o caminho do meu amor.

Negrinho, Você que achou
pela mão da sua Madrinha
os trinta tordilhos negros
e varou a noite toda
de vela acesa na mão,
(piava a coruja rouca
no arrepio da escuridão,
manhãzinha, a estrela dalva
na luz do galo cantava,
mas quando a vela pingava,
cada pingo era um clarão).
Negrinho, Você que achou,
me leve à estrada batida
que vai dar no coração.
(Ah! os caminhos da vida
ninguém sabe onde é que estão!)

Negrinho, Você que foi
amarrado num palanque,
rebenqueado a sangue
pelo rebenque do seu patrão,
e depois foi enterrado
na cova de um formigueiro
pra ser comido inteirinho
sem a luz da extrema-unção,
se levantou saradinho,
se levantou inteirinho.
Seu riso ficou mais branco
de enxergar Nossa Senhora
com seu Filho pela mão.

Negrinho santo, Negrinho,
Negrinho do Pastoreio,
Você me ensine o caminho,
pra chegar à devoção,
pra sangrar na cruz bendita
pelo cravos da Paixão.
Negrinho santo, Negrinho,
Quero aprender a não ser!
Quero ser como a semente
Na falação de Jesus,
semente que só vivia
e dava fruto enterrada,
apodrecendo no chão.

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Augusto Meyer foi um multifacetado intelectual brasileiro, nascido no Rio Grande do Sul, que se destacou como poeta, ensaísta, crítico literário, tradutor e professor. Sua obra é intrinsecamente ligada à identidade cultural do sul do Brasil, explorando temas como a terra, o gaúcho, a história e a universalidade da condição humana. Sua nacionalidade brasileira e a escrita em português moldaram sua profunda conexão com a cultura regional e nacional.

Infância e formação

Augusto Meyer teve uma formação intelectual sólida. Embora detalhes específicos sobre sua infância e educação formal sejam menos divulgados em resumos gerais, sua atuação posterior como professor e ensaísta indica um percurso de estudos aprofundados e uma vasta cultura literária. A influência do ambiente cultural do Rio Grande do Sul, com suas particularidades históricas e sociais, certamente moldou suas primeiras percepções e interesses.

Percurso literário

O percurso literário de Augusto Meyer abrange diversas facetas. Como poeta, sua obra se distingue pela reflexão sobre a identidade gaúcha e temas universais. Sua atuação como ensaísta e crítico literário foi fundamental para a discussão da literatura brasileira, especialmente a produzida em sua região. Meyer também foi um importante tradutor, ampliando o acesso a obras estrangeiras no Brasil. Sua evolução como escritor pode ser observada nas diferentes fases de sua produção, que demonstram um aprofundamento temático e estilístico.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra poética de Augusto Meyer, presente em livros como "A Cruz do Sul" e "O Arado e a Estrela", explora temas como a terra, a saga do gaúcho, a história do Rio Grande do Sul e a melancolia existencial. Seu estilo é caracterizado por um lirismo denso, uma linguagem cuidada, com grande atenção à musicalidade e ao ritmo. Meyer dialoga com a tradição literária, mas também insere uma visão moderna e universal em sua poesia. A forma poética varia, demonstrando domínio tanto de estruturas mais clássicas quanto de abordagens mais livres. O tom de sua voz poética pode variar entre o épico, o lírico e o reflexivo, capturando a complexidade da alma humana e a relação do indivíduo com seu passado e seu lugar no mundo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Augusto Meyer viveu em um período de intensas transformações no Brasil e no mundo. Sua obra reflete um profundo conhecimento e um engajamento com a história e a cultura do Rio Grande do Sul, dialogando com outros escritores e intelectuais da região e do país. Sua geração, marcada por um interesse na valorização das identidades regionais dentro de um projeto nacional, encontra em Meyer um de seus expoentes.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Augusto Meyer, como relações afetivas ou experiências de vida específicas que possam ter influenciado diretamente sua obra, são menos exploradas em resumos biográficos. No entanto, sua dedicação à vida intelectual, à docência e à produção literária sugere uma existência profundamente imersa no universo das ideias e das artes.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Augusto Meyer é amplamente reconhecido como um dos grandes nomes da literatura do Rio Grande do Sul, com uma obra de relevância nacional. Sua recepção crítica tem sido consistentemente positiva, destacando a originalidade de sua poesia e a profundidade de seus ensaios. Seu papel como intelectual e formador de opinião contribuiu para consolidar sua posição no cânone literário brasileiro.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências em Augusto Meyer provêm tanto da tradição literária universal quanto das especificidades culturais de sua terra natal. Seu legado reside na forma como ele soube transfigurar o regional em universal, na sua capacidade de reflexão sobre a identidade e na sua contribuição para o aprimoramento da linguagem poética em língua portuguesa. Sua obra continua a inspirar novos escritores e estudiosos.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Augusto Meyer oferece ricas possibilidades de interpretação, especialmente no que diz respeito à sua abordagem da identidade gaúcha, à sua visão da história e à sua profunda reflexão existencial. Análises críticas podem explorar a tensão entre o local e o universal em sua poesia e ensaios.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspectos menos conhecidos de sua personalidade, como hábitos de escrita ou episódios marcantes de sua vida intelectual, podem enriquecer a compreensão de seu perfil. A forma como ele conciliou a vida de poeta com a de intelectual engajado e professor é um ponto de interesse.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Augusto Meyer faleceu, mas sua obra permanece viva, sendo objeto de estudo e admiração. A memória de seu legado como um dos maiores poetas e intelectuais do Rio Grande do Sul e do Brasil é firmemente estabelecida, com suas obras continuando a ser publicadas e reeditadas.

Poemas

1

Canção do Negrinho do Pastoreio

Negrinho do Pastoreiro,
Venho acender a velinha
que palpita em teu louvor.
A luz da vela me mostre
o caminho do meu amor.

A luz da vela me mostre
onde está Nosso Senhor.

Eu quero ver outra luz
clarão santo, clarão grande
como a verdade e o caminho
na falação de Jesus.

Negrinho do Pastoreiro
diz que Você acha tudo
se a gente acender um lume
de velinha em seu louvor.

Vou levando esta luzinha
treme, treme, protegida
contra o vento, contra a noite. . .
É uma esperança queimando
na palma da minha mão.

Que não se apague este lume!
Há sempre um novo clarão.
Quem espera acha o caminho
pela voz do coração.

Eu quero achar-me, Negrinho!
(Diz que Você acha tudo).
Ando tão longe, perdido...
Eu quero achar-me, Negrinho:
a luz da vela me mostre
o caminho do meu amor.

Negrinho, Você que achou
pela mão da sua Madrinha
os trinta tordilhos negros
e varou a noite toda
de vela acesa na mão,
(piava a coruja rouca
no arrepio da escuridão,
manhãzinha, a estrela dalva
na luz do galo cantava,
mas quando a vela pingava,
cada pingo era um clarão).
Negrinho, Você que achou,
me leve à estrada batida
que vai dar no coração.
(Ah! os caminhos da vida
ninguém sabe onde é que estão!)

Negrinho, Você que foi
amarrado num palanque,
rebenqueado a sangue
pelo rebenque do seu patrão,
e depois foi enterrado
na cova de um formigueiro
pra ser comido inteirinho
sem a luz da extrema-unção,
se levantou saradinho,
se levantou inteirinho.
Seu riso ficou mais branco
de enxergar Nossa Senhora
com seu Filho pela mão.

Negrinho santo, Negrinho,
Negrinho do Pastoreio,
Você me ensine o caminho,
pra chegar à devoção,
pra sangrar na cruz bendita
pelo cravos da Paixão.
Negrinho santo, Negrinho,
Quero aprender a não ser!
Quero ser como a semente
Na falação de Jesus,
semente que só vivia
e dava fruto enterrada,
apodrecendo no chão.

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