Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa é um poeta cuja obra se caracteriza pela sua abordagem lírica e contemplativa da vida, explorando as profundezas da emoção humana e a beleza do quotidiano. A sua poesia é frequentemente marcada por uma linguagem acessível, mas carregada de significado, que convida à reflexão. Os temas centrais da sua escrita incluem a passagem do tempo, a natureza, o amor e a busca por um sentido mais profundo na existência. A sua voz poética é, por vezes, melancólica, mas sempre impregnada de uma esperança subtil e de uma profunda humanidade.

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Tempos

hastes esguias
lançam roxos sobre
a primavera
pedestres caminham
nas nuvens
homens anseiam alturas
verticalizam

tempos de consumo
descrenças
de prédios sem janelas
de deuses perdidos
na história
de casebres sem luzes
nas varandas

ruas vermelhas
não cabem em telas
soterradas
sementes aguardam o momento
para reflorestar

vôo branco
na distância
transparência de mar
o verde desce
debruçado
sobre um rio

a contra-mão da vida
sinalizada
por uma bandeira vermelha
tempos de secas
e pragas
de argamassa em paliçada
corredeiras a nos escorrer
por labirintos

sinto cheiros
um perfume conhecido
exala de seu corpo adormecido:
tempos de amor

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Biografia

Identificação e contexto básico

Carlos Alberto Pessoa Rosa é um poeta português. A sua produção literária é desenvolvida em língua portuguesa.

Infância e formação

Detalhes específicos sobre a infância e formação de Carlos Alberto Pessoa Rosa não estão amplamente documentados, mas a sua obra sugere uma sensibilidade apurada e uma educação que lhe permitiu o desenvolvimento literário.

Percurso literário

O percurso literário de Carlos Alberto Pessoa Rosa centra-se na sua atividade poética, onde demonstra uma capacidade ímpar para captar a essência da experiência humana. A sua obra evoluiu, mantendo uma coerência temática e estilística.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Carlos Alberto Pessoa Rosa é notável pela sua lírica contemplativa e pela exploração de temas como o tempo, a natureza, o amor e a busca existencial. Utiliza uma linguagem clara e expressiva, com uma musicalidade intrínseca que confere ritmo aos seus versos. O tom da sua poesia pode variar entre o melancólico e o esperançoso, refletindo a complexidade das emoções humanas. A voz poética é frequentemente intimista e reflexiva, buscando uma conexão com o leitor através da partilha de sentimentos universais.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Carlos Alberto Pessoa Rosa faz parte do panorama literário português, contribuindo para a diversidade da poesia contemporânea. A sua obra dialoga com as sensibilidades e preocupações da sociedade em que se insere.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações pormenorizadas sobre a vida pessoal de Carlos Alberto Pessoa Rosa são escassas, privilegiando-se a sua obra literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A poesia de Carlos Alberto Pessoa Rosa é apreciada por aqueles que buscam uma escrita com profundidade emocional e reflexiva, consolidando o seu espaço entre os poetas contemporâneos.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências específicas e o legado de Carlos Alberto Pessoa Rosa estão a ser definidos pela sua produção contínua, que acrescenta valor à poesia em língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Carlos Alberto Pessoa Rosa presta-se a análises focadas na sua capacidade de evocar a beleza do quotidiano e a profundidade dos sentimentos humanos.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Não há curiosidades ou aspetos menos conhecidos amplamente divulgados sobre Carlos Alberto Pessoa Rosa.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Carlos Alberto Pessoa Rosa é um autor contemporâneo, pelo que não há informações sobre a sua morte.

Poemas

16

Fêmeas

Hora do fugaz,
das cores efêmeras,
das fêmeas saírem
em blasfêmias.

Hora de rasgar
a castidade,
roçar a nudez
proibida,
do cair das
máscaras.

1 072

Morrer

língua
não rima com nádega
mas desliza
saliva
escorre vadia
lambe a maçã do amor

línguas
se enrolam úmidas
aflitas
são engolidas
em desejos movediços

seu corpo oscila
pêndulo
a movimentar segundos
ponteiros
deslizar de seios

ressoam
gritos-gemidos
meu falo abraçado
corpo inteiro
sugado
suado de prazeres
fragrâncias
que impregnaram o quarto

chuleio com os dedos
suas pregas
as nádegas
num remanso molhado
calado
corpos decantados
espraiados

ouço ruído
de navio que parte
pássaros arrebentam-se
na janela
gozam a primavera

morremos para o mundo...

908

Animal

seu perfume
acende todas as vielas
esquinas e avenidas
de meu instinto animal

sem camisa
deitado sobre a vida
a espera
de um incidente qualquer
convulsiono...
irresponsavelmente...
animal.

903

Sumo

tê-la inteira
na sensação palmar
dos seus seios;
deixar eriçados
os desejos,
borbulhante a paixão.

em seu suculento
momento
sou suco-sumo,
um corpo friável,
deslizante sensual.

e você
folheia Joyce
na manhã em que
escuros
deixam claros
gozos,
ecoados na
escuridão do quarto.

1 019

Amantepoesia

tê-la
silhueta e essência
em claros-escuros
sem ser a outra

atrair
meus minutos vazios
em sensuais
signos-fascínios

aprisioná-la
ao redor de mudas
máscaras-vozes
amarras

suas unhas absorvem
ontens
aderem hojes
rompem o amanhã

um sol espreita
seus passos
serem roubados
pelo mar

para amantepoesia
não há lugar
quando é dia

837

Queda

bailar em nuvens
névoas
despencar em tênues
fios de linha

teias-de-vida

tecer em seda
em algum cotovelo do mundo
um tapete
mosaico de vazios
e abismos
um nada quase tudo
meu hábitat

de palpável:

sua tosse
seu corpo
queda-
livre

1 067

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