Lista de Poemas

Re-invenção do Corpo

O corpo perdido precisa ser re-inventado
para que de se possa fazer o instrumento
com que cantar no ermo já instaurado.
Quem sabe se uma lira, qual o pastor antigo
que do osso da coxa, do que restou do filho amado,
fez o objeto para celebrar o corpo imolado.

O corpo não é apenas a carícia que afaga,
a amena enseada, o útero procurado, a quieta rua,
o repouso consentido, a desbravada plaga.
O corpo se transforma às vezes em fino aço,
em lâmina que fere sem deixar traço,
em riso que se esconde e se insinua,

O corpo é um ser em constante mutação,
zéfiro, borrasca, tempestade, cantochão.
O corpo perdido entre algas e brumas,
entre sinuosas, ínvias e obscuras fragas,
precisa ser re-criado entre paredes seladas
que abafem segredos, murmúrios e escumas.

Talvez fazer da costela mais saliente
um arco com que brandir o travo violino
ou a possível lira e escondê-la no cimo
da árvore onde repousa o corpo fremente.
Corpo ser móbil, móvel e serpentário,
úmido, fugidio, escampado sacrário.

359

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Identificação e contexto básico

Carlos D’Alge é um poeta contemporâneo, cuja obra tem vindo a ganhar destaque no cenário literário. A sua identidade como autor está ligada à profunda exploração da condição humana e à busca por novas formas de expressão poética.

Infância e formação

Embora detalhes específicos sobre a infância e formação de Carlos D’Alge não sejam amplamente divulgados, a sua obra sugere uma mente culta e uma sensibilidade apurada, possivelmente moldada por uma educação diversificada e por uma inclinação natural para as artes e as humanidades.

Percurso literário

O percurso literário de Carlos D’Alge é marcado por uma produção poética que tem vindo a crescer em reconhecimento. A sua evolução como poeta demonstra uma busca contínua por aprimoramento estilístico e temático, o que o tem levado a conquistar um espaço significativo na literatura contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

A obra de Carlos D’Alge caracteriza-se por uma linguagem cuidada e por uma abordagem introspectiva de temas como o tempo, a memória, a identidade e as relações humanas. O seu estilo poético é frequentemente marcado por um tom lírico e reflexivo, com uma capacidade notável de evocar imagens e sensações. D’Alge utiliza recursos estilísticos que conferem profundidade e originalidade aos seus versos, explorando a dualidade entre o pessoal e o universal. A sua poesia dialoga com a tradição, mas procura também caminhos inovadores, alinhando-se com as sensibilidades da literatura moderna.

Contexto cultural e histórico

Carlos D’Alge insere-se no contexto cultural contemporâneo, onde a poesia continua a ser um veículo poderoso para a reflexão sobre o mundo atual. A sua obra, embora focada na interioridade, reflete as preocupações e as inquietações do seu tempo.

Vida pessoal

Informações sobre a vida pessoal de Carlos D’Alge são mantidas de forma discreta, o que permite que o foco recaia primordialmente sobre a sua produção literária. Essa reserva contribui para a aura da sua obra.

Reconhecimento e receção

A receção da obra de Carlos D’Alge tem sido positiva, com leitores e críticos a reconhecerem a qualidade e a profundidade da sua poesia. O seu trabalho tem vindo a consolidar-se como uma referência importante na literatura contemporânea.

Influências e legado

O legado de Carlos D’Alge reside na sua capacidade de tocar o leitor através de versos que exploram a complexidade da alma humana. A sua obra inspira pela originalidade e pela sensibilidade com que aborda os sentimentos e as experiências universais.

Interpretação e análise crítica

A poesia de Carlos D’Alge oferece um terreno fértil para a análise crítica, convidando à reflexão sobre os temas existenciais e a natureza da linguagem poética. As suas obras convidam a múltiplas interpretações, dada a riqueza de significados.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Sendo uma figura que preza a sua privacidade, os aspetos menos conhecidos da sua vida e do seu processo criativo permanecem em grande parte um mistério, o que acentua o interesse pela sua figura e obra.

Morte e memória

Não aplicável, pois o autor está vivo.