Lista de Poemas

Tí e máis eu

(Non falemos dos bobos
que tódolo adeprenden nos libros.
Non falemos dos parvos
con cara de domingo;
nin dos sapientes memos,
nin dos túzaros listos,
nin do eterno mal gusto
dos probes novos ricos).

Falemos de tí e min
xa que vivimos.

Tí i eu nos ventos
e nos solsticios.

Tí i eu nos bosques
e nos ríos.

Tí i eu, historia
de corpos nidios.

Tí i eu, saudade
de álbores íntimos.

Tí i eu sin tempo
polo tempo que imos.

Tí i eu cantando,
chorando e rindo.

6 327

Non

Si dixese que sí,
que todo está moi ben,
que o mundo está moi bon,
que cada quén é quén...
Conformidá.
Ademiración.
Calar, calar, calar,
e moita precaución.
Si dixese que acaso
as cousas son esí,
porque sí,
veleí,
e non lle demos voltas.
(Si aquíl está enriba
i aquil outro debaixo
é por culpa da vida.
Si algunhos van de porta en porta
cun saco de cinza ás costas
é porque son unhos docas).
Si dixera que sí...
Entón sería o intre
de falar seriamente
da batalla de froles
nas festas do patrón.

Pero non.

1 285

Tempo de chorar

Hei de chorar sin bágoas duro pranto
polas pombas de luz aferrolladas,
polo esprito vencido baixo a noite
da libertá prostituída.
As espadas penduran silandeiras
coma unha chuvia fría diante os ollos
e teño que chorar na sombra fuxidía
diste pútrido vento
que arromba a lealtá e pon cadeas
no corazón dos homes xenerosos.

Pois que somente os ollos me deixaron
para chorar por iles longos ríos,
hei navegar periplos, descubertas
por tempos que han de vir cheos de escumas,
por onde o día nasce,
alí onde xermola o mundo novo.
Pois que o que chora vive, iremos indo;
indo, chorando, andando,
salvaxe voz que ha de trocarse en ira,
en coitelo de berros e alboradas
para rubir ao cumio dos aldraxes.

E pois que cada tempo ten seu tempo,
iste é o tempo de chorar.

2 305

Longa noite de pedra

O teito é de pedra.
De pedra son os muros
i as tebras.
De pedra o chan
i as reixas.
As portas,
as cadeas,
o aire,
as fenestras,
as olladas,
son de pedra.
Os corazós dos homes
que ao lonxe espreitan
feitos están
tamén
de pedra.
I eu, morrendo
nesta longa noite
de pedra.

1 631

O meu reinado

Eu son o rei de min mesmo;
goberno o corazón
na libertá do vento e dos camiños.
Eu obedezo ás miñas propias leises
i os meus decretos sigo ao pé da letra.
Un cetro de solpores,
unha croa de nubes viaxeiras,
un manto avermellado
de soños i esperanzas
no limpo alborexar de cada día,
dame o poder lexítimo do pobo.
Represento aos calados,
interpreto aos que foron
voces da terra nai
nos antergos concellos da saudade.
Eu son un rei.
Un labrego do tempo dos sputniks.

1 947

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Identificação e contexto básico

Celso Emilio Ferreiro, nome completo Celso Emilio Ferreiro Graña, foi um poeta, jornalista e ativista político galego. É amplamente reconhecido como um dos pilares da poesia galega contemporânea, especialmente pela sua obra publicada após a Guerra Civil Espanhola e durante a ditadura franquista. Nasceu em Ourense e viveu a maior parte de sua vida na Galiza, sendo um defensor intransigente da língua e cultura galegas.

Infância e formação

Celso Emilio Ferreiro cresceu em um ambiente marcado pelas convulsões sociais e políticas da Espanha do século XX. Sua formação inicial se deu na Galiza, onde teve contato com a rica tradição literária e oral de sua terra natal. Desde cedo, demonstrou um forte senso de justiça social e um profundo amor pela sua identidade cultural.

Percurso literário

O percurso literário de Ferreiro esteve intrinsecamente ligado à sua militância política e à sua paixão pela Galiza. Começou a publicar poesia e artigos em jornais e revistas, muitos deles em galego, defendendo a autonomia e a dignidade de seu povo. Sua obra poética, embora tenha enfrentado censura e dificuldades de publicação devido ao regime franquista, tornou-se um marco de resistência e de afirmação identitária. Foi também jornalista, utilizando a imprensa como veículo para suas ideias e para a defesa da língua galega.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Celso Emilio Ferreiro é profundamente marcada pelo realismo social e pelo existencialismo. Seus temas centrais incluem a opressão, a injustiça social, a saudade da terra, a identidade galega, a luta pela liberdade e a esperança em tempos difíceis. Utilizou uma linguagem direta, por vezes coloquial, mas sempre carregada de força expressiva e emotiva. O verso livre é predominante em sua poesia, que se distingue pelo ritmo intenso e pela capacidade de evocar imagens poderosas e sensações viscerais. Sua poesia é um grito de resistência, um hino à terra e ao povo galego.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Ferreiro viveu sob a ditadura de Francisco Franco, um período de intensa repressão política e cultural, que visava a supressão das identidades regionais espanholas, incluindo a galega. Nesse contexto, sua obra se tornou um ato de coragem e um símbolo de resistência cultural. Ele integrou e impulsionou o que se convencionou chamar de "Geração do 50" ou "Segunda Geração Nós", um grupo de escritores que buscou renovar a literatura galega em um cenário adverso. Seus poemas dialogavam com a realidade social e política da Espanha, mas sempre com um olhar voltado para a especificidade da Galiza.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida de Celso Emilio Ferreiro foi dedicada à luta por seus ideais. Seu engajamento político o levou a enfrentar perseguições e dificuldades, mas ele nunca abriu mão de sua convicção em prol da liberdade e da cultura galega. As relações pessoais e as experiências vividas em um período conturbado moldaram profundamente sua visão de mundo e sua produção literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Em vida, Celso Emilio Ferreiro foi uma figura admirada e respeitada por seu povo e por seus pares intelectuais, apesar das dificuldades impostas pelo regime. Póstumamente, seu reconhecimento se consolidou, e ele é hoje celebrado como um dos maiores poetas da Galiza, um ícone da resistência cultural e um defensor da identidade galega.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Ferreiro foi influenciado pela tradição poética galega, pelo socialismo e por poetas que ousaram expressar a dor e a esperança de seus povos. Seu legado é imenso, inspirando gerações de escritores galegos a manterem viva a língua e a cultura de sua terra, e a utilizarem a literatura como ferramenta de intervenção social e política.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Ferreiro é frequentemente analisada sob a ótica do compromisso social, da defesa da identidade nacional e da expressão da condição humana em tempos de adversidade. Sua poesia é vista como um testemunho poderoso de um povo que luta para preservar sua alma.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Além de poeta e jornalista, Ferreiro também trabalhou como professor. Sua relação com a terra e com o mar galego é uma constante em sua obra, demonstrando um profundo senso de pertencimento.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Celso Emilio Ferreiro faleceu em 1979, deixando um vazio na literatura galega, mas seu corpo de obra permanece como um farol de inspiração e um testamento de sua luta. Sua memória é reverenciada em sua terra natal, onde é lembrado como um dos grandes heróis culturais da Galiza.