Lista de Poemas

Maximus para Gloucester, Carta 27 [retida]

Eu retorno a tal geografia,
a terra descendo à esquerda
onde meu pai atirava seu golfe ronhoso
e o resto de nós jogava beisebol
noite de verão adentro até haver mosca
nenhuma à vista e voltávamos para casa
em nossas várias piazzas onde mulheres
sibilavam

À esquerda a terra descia até a cidade,
à direita descia até o mar

Eu era tão jovem minha primeira memória
é de uma tenda armada para alimentar com lagostas
membros de uma convenção da Rexall, e meu pai,
piadista, saía da tenda rugindo
com uma faca de pão entre os dentes para cuidar
do farmacêutico que lhe disseram havia cantado
minha mãe, ela gargalhando, tão segura, redonda
como seu rosto, Hines rosácea e maçã,
sob um chapéu armado das mulheres de então

Isto não é adição nua
de novidade em forma abstrata, isto

não é tumulto ou as formas
de tais eventos, isto,

Gregos, é o término
da batalha

....................É a imposição
de todas aquelas ascendências passadas, os antepassados

meus, a geração daqueles fatos
que são minhas palavras, provêm

de tudo o que não sou mais, contudo sou,
o movimento lento de leste a oeste

de mais do que eu sou

Não há ordem estritamente pessoal
para a minha herança.

....................Grego nenhum será capaz
de discriminar meu corpo.

....................Um americano
é um complexo de ocasiões,
elas mesmas uma geometria
de natureza espacial.

....................Eu tenho esta noção
de que sou um
com minha pele

Mais isto - mais isto:
que eternamente a geografia
que sobre mim se debruça
eu ponho-me a coagir
retroativo a coagir Gloucester
a render-se, a
mudar

....................Pólis
é isto



tradução de Ricardo Domeneck



Maximus to Gloucester, Letter 27 [withheld]


I come back to the geography of it,
the land falling off to the left
where my father shot his scabby golf
and the rest of us played baseball
into the summer darkness until no flies
could be seen and we came home
to our various piazzas where the women
buzzed

To the left the land fell to the city,
to the right, it fell to the sea

I was so young my first memory
is of a tent spread to feed lobsters
to Rexall conventioneers, and my father,
a man for kicks, came out of the tent roaring
with a bread-knife in his teeth to take care of
the druggist they"d told him had made a pass at
my mother, she laughing, so sure, as round
as her face, Hines pink and apple,
under one of those frame hats women then


This, is no bare incoming
of novel abstract form, this

is no welter or the forms
of those events, this,

Greeks, is the stopping
of the battle

....................It is the imposing
of all those antecedent predecessions, the precessions

of me, the generation of those facts
which are my words, it is coming

from all that I no longer am, yet am,
the slow westward motion of

more than I am


There is no strict personal order
for my inheritance.


........................No Greek will be able
to discriminate my body.

....................An American
is a complex of occasions,
themselves a geometry
of spatial nature.


....................I have this sense,
that I am one
with my skin

....................Plus this-plus this:
that forever the geography
which leans in
on me I compell
backwards I compell Gloucester
to yield, to
change

....................Polis
is this


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Identificação e contexto básico

Charles Olson (nascido Charles Olson, 11 de dezembro de 1910 – 10 de janeiro de 1970) foi um poeta, ensaísta, académico e crítico americano. É considerado uma das figuras mais importantes da poesia americana pós-Segunda Guerra Mundial, associado principalmente ao Black Mountain College e ao movimento da Black Mountain Poetry.

Infância e formação

Nascido em Worcester, Massachusetts, Olson cresceu numa família da classe trabalhadora. O seu pai trabalhava nos correios e a sua mãe era dona de casa. Desde cedo, demonstrou um grande interesse pela leitura e pela história. Frequentou a Worcester Academy e, mais tarde, a Wesleyan University, onde estudou literatura inglesa e se aprofundou em estudos clássicos. A sua formação académica foi complementada por um interesse autodidata em antropologia, história americana e filosofia.

Percurso literário

O início da carreira literária de Olson foi marcado por uma forte influência do modernismo, especialmente de Ezra Pound e T.S. Eliot. No entanto, Olson rapidamente desenvolveu um estilo próprio, afastando-se das formas mais tradicionais. A sua fase mais produtiva e influente ocorreu durante a sua ligação ao Black Mountain College, onde lecionou de 1951 a 1956. Foi lá que formulou muitas das suas teorias poéticas, como a "poesia de proposição" e o conceito de "Close Personal", que enfatizavam a experiência imediata e a relação entre o poeta e o mundo.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Charles Olson é vasta e multifacetada, incluindo poesia, ensaios e críticas. As suas obras principais incluem "The Maximus Poems" (um épico em vários volumes que explora a história e a geografia de Gloucester, Massachusetts), "Call Me Ishmael" (um ensaio sobre Herman Melville) e "Projective Verse" (um manifesto poético fundamental). Temas dominantes na sua obra incluem a história americana, a geografia, a mitologia, a antropologia, a psique humana e a relação do indivíduo com o cosmos. Olson procurava capturar a totalidade da experiência, integrando a linguagem falada e o ritmo da respiração nos seus versos. A forma era frequentemente livre, experimental, com ênfase na estrutura que emergia da própria matéria da experiência. O seu estilo é denso, intelectual e, por vezes, desafiador, exigindo um envolvimento ativo do leitor. Olson utilizava uma linguagem que combinava o erudito com o coloquial, criando uma voz poética poderosa e urgente. Foi um pioneiro na poesia de larga escala, explorando a relação entre o local e o universal.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Olson viveu num período de intensa transformação cultural e política nos Estados Unidos, incluindo a Guerra Fria, o movimento pelos direitos civis e o florescimento de movimentos artísticos de vanguarda. A sua ligação ao Black Mountain College colocou-o no centro de uma comunidade artística experimental que buscava novas formas de expressão em todas as artes. Olson era um crítico do establishment cultural e da burocracia, defendendo uma abordagem mais autêntica e libertária da arte e da vida.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Charles Olson teve uma vida pessoal complexa e, por vezes, turbulenta. Foi casado com a artista e poeta Ruth Witt-Diamant e, mais tarde, com a artista Bernice M. Panowitz. As suas relações, muitas vezes intensas, refletiam a sua busca pela totalidade da experiência humana. A sua saúde também foi um tema recorrente, com lutas contra o alcoolismo e outros problemas de saúde que o afetaram ao longo da vida.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora Olson não tenha alcançado o reconhecimento mainstream durante a sua vida, ele tornou-se uma figura cultuada e reverenciada entre poetas experimentais e académicos. A sua obra "The Maximus Poems" é considerada um marco na poesia americana. O seu impacto no desenvolvimento da poesia de vanguarda é inegável.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Olson foi influenciado por poetas como Ezra Pound, William Carlos Williams, e pelas obras de antropólogos como Franz Boas e Gregory Bateson. O seu legado é imenso para a poesia americana experimental, influenciando diretamente poetas da "New York School", da "San Francisco Renaissance" e a geração seguinte de poetas que exploraram a forma, a história e a experiência pessoal de maneiras inovadoras.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Olson tem sido objeto de inúmeros estudos académicos. A sua poesia é frequentemente analisada sob a perspetiva da sua teoria da "poesia de proposição", que liga a forma poética à estrutura do conhecimento e da percepção. Os seus poemas são vistos como tentativas de compreender e representar a complexidade do mundo e da experiência humana, desafiando as convenções literárias e filosóficas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Olson era conhecido pela sua personalidade forte e carismática. Era um pensador prolífico e um devorador de livros. A sua abordagem à poesia era quase antropológica, vendo o poeta como alguém que observa e registra o mundo com a máxima atenção.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Charles Olson faleceu em 10 de janeiro de 1970, em Nova Iorque, devido a um cancro no fígado. A sua obra continuou a ser publicada e estudada, solidificando o seu lugar como um dos poetas americanos mais importantes do século XX.