Cláudio Alex

Cláudio Alex

n. 1998 PT PT

Cláudio Alex é um nome literário associado à poesia contemporânea, explorando temas existenciais e sociais. Sua obra se caracteriza por uma linguagem que transita entre o lirismo e a crueza da realidade urbana, buscando um diálogo com as inquietações do indivíduo na sociedade moderna. A poesia de Alex reflete sobre a identidade, o tempo e a busca por significado em um mundo em constante transformação.

n. 1998-06-09, Catanduva, São Paulo, Brasil · m. , París

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Bom Dia, Tristeza!

I
Bom dia, Tristeza!
Nada se absorve
ou se perde na beleza.
O inverno da desesperança
consentida.
O silêncio do pulsar
admitido.
Bon jour, Tristesse!

II
A conspiração noturna,
o advento da respiração
da brisa da madrugada,
um salutar reflexo de continuidade.
Implorar presença
que preencha a falta
do tudo.
Da totalidade de tudo.
Sinto muito,
se as manhãs são nuas,
se tuas tardes são vazias
e o tédio impercebido resvala nas quinas
dos móveis.
Se o volume da rádio-vitrola
faz as paredes purgarem
uma canção inesperável.

III
Se antes havia
um tênue ressonar
ao lado de minha abstinência,
hoje os resquícios
de presença
são absorvidos
pelos meus pêlos que se eriçam
ao toque invisível do desespero.

IV
Play me a ring!
Sing me a song!
A song of my desperate Christmas!
Im lost...

V
Um inexplicável
suor de nossa vadiagem.
Na tarde, na manhã,
na presença noturna,
a atmosfera que envolve a tudo.
Sinto saudades,
dessas tardes.
O telefone soar
e tudo ser...
A certeza do dia
frente à obscenidade
permitida.
O toque do espírito
na pele.
O contato profundo
nas partes impuras.

VI
Cravar os dentes
na ausência de tua carne.
Lamber o vazio
onde estariam tuas portas.
E o gosto amargo
da secura da falta de teus sumos
transborda em lágrimas
da mais pura incerteza.

VII
Deita comigo
o silêncio
da invalidez
das possibilidades.
Deita comigo
a fraqueza que nos levou
e te conduziu para perto do
cataclisma.
Permanece comigo
a falta de teu sussurro,
do teu gemido,
do ressuscitar
das velhas
e inesperadas
paixões.

VIII
Bom dia, Tristeza!
A porosidade da língua
que guarda o sabor
delicado
de tua saliva.

IX
Impressa em mim
cada emoção,
cada toque,
cada sensação
esculpida no fundo.
E as limalhas
da alma
permanecem
espalhadas
no ambiente do quarto.

X
Guardo comigo,
numa coleção
de fragmentos,
a ansiedade
da volta.

XII
Mas a desesperança
decompõe meu corpo,
leva minha noite...
Tristeza, bom dia!
Aqui fico eu,
permaneço,
jazente,
adormecendo,
aos poucos,
na inexistência
de tua presença.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Cláudio Alex é um pseudônimo, com o nome verdadeiro e os detalhes biográficos completos não amplamente divulgados. A sua obra poética insere-se no contexto da literatura portuguesa contemporânea, escrita predominantemente em língua portuguesa.

Infância e formação

Informações sobre a infância e a formação de Cláudio Alex não são detalhadamente conhecidas publicamente, sugerindo uma preferência pela privacidade.

Percurso literário

O percurso literário de Cláudio Alex é marcado pela publicação de obras poéticas que têm vindo a ganhar reconhecimento no panorama literário português. O início da sua escrita e a evolução ao longo do tempo não são detalhados, mas a sua obra revela um aprofundamento temático e estilístico.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Cláudio Alex, embora não com datas e contextos de produção específicos amplamente documentados, abordam temas como a condição humana, a cidade, o tempo e a subjetividade. O seu estilo poético tende a ser introspectivo, com uma linguagem que busca a precisão e a expressividade, muitas vezes utilizando o verso livre. A voz poética é frequentemente confessional e reflexiva, explorando a densidade imagética e recursos retóricos que conferem profundidade à sua expressão.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Cláudio Alex escreve no contexto da literatura portuguesa contemporânea, dialogando com as preocupações sociais e existenciais do século XXI. A sua obra reflete as tensões e as complexidades da sociedade atual, sem necessariamente se vincular a movimentos literários específicos de forma explícita.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Cláudio Alex são escassos, com o autor a manter um perfil discreto em relação à sua esfera privada.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Cláudio Alex tem vindo a crescer no meio literário, com a sua poesia a ser apreciada pela sua originalidade e profundidade.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências específicas e o legado de Cláudio Alex ainda estão em construção e a serem definidos pela sua obra em curso.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Cláudio Alex convida à reflexão sobre a natureza da existência, a relação do indivíduo com o espaço urbano e a passagem inexorável do tempo.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Devido ao seu pseudônimo e à discrição, muitos aspetos menos conhecidos da sua personalidade e hábitos de escrita permanecem no domínio do privado.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Ainda em vida e em atividade literária, a morte e memória de Cláudio Alex são um tema para o futuro.

Poemas

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Poesia Diária

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Samba-Canção

1.

Dentro de um mundo espesso
ainda te tenho apreço.
Tenho um samba guardado
no fundo da gaveta ao lado.
Ele diz de um dia
e de um lugar marcado.
Fala de teu endereço
mas por enquanto calado.

Se esconde atrás do recado,
um velho samba-canção.
Cantado na mesma escala
das cordas do teu coração.
Venha, abre a porta,
o meu palácio é só teu.
Venha que sei que comportas
um amor todo meu.

2.

Deixe a lâmpada acesa,
espere um minuto.
Me ouça um instante
e então eu te escuto.
Não durma tão cedo.
Não quero ir dormir.

Diga uma coisa sincera,
não feche os ouvidos.
Receba meu corpo
em todos sentidos.
Não poupe palavras,
não poupe gemidos.

Deixe-me ver parte a parte,
me prende e me solta.
A porta está aberta
e o tempo não volta
e a mim pouco importa
que venha insistir.

De um abat-jour policromo
reflete em teu rosto
uma luz submersa
num ar de meu gosto.
Magia do incerto.
Logia vital.

3.

Daquele dia em diante
você roubou minha paz.
Minha ilusão passageira
está duradoura demais.
Meu pensamento no escuro
está pervertido demais.
Meus obscuros segredos
estão misteriosos demais.

Um copo d’água com açúcar
senão percebo miragens.
Passo a vagar pela casa
lembrando as tuas bobagens.
Veja, não esqueça, se lembre,
telefone, me inspire coragem,
a solidão me carcome
não é uma vantagem.

4.

Não diga que eu te induzi
que me calo.
Não peça opinião sobre amor
eu não sei nada.
Eu bem mal só sei quem sou eu.
Eu não sei se você mereceu.
De que vale explicar tanta coisa
tanta coisa tão falha.

Eu não sei se eu sofro algum mal,
só você que repara.
Eu não sei como é ter prazer,
é uma coisa tão rara.
Eu não sei como se sucedeu
eu beijei e você respondeu.
Eu vivi e você me acolheu.
Foi o que aconteceu.

5.

Olhar atento prá porta.
Que duro silêncio comporta!
Frio aposento vazio
o pensamento saiu.

Saiu prá fora do quarto
a procurar já tão farta
de apaziguar a saudade
percorre a cidade.

A campainha não toca.
O telefone não chama.
Na mesa, o copo, a bebida,
cigarro que queima a cama.

Apago a luz, adormeço
me abraço com meu silêncio,
e aconchego o vazio
nesta noite de frio.

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