Lista de Poemas

Exscritos

erro não de errado
erro sim de errante
verdadeiro eu meu
inteiro me sobrevivo
eu em mim mesmo

1
sim siso de tarântulas
a um céu de nós mesmos
despes infinitas gulas
encerrando meio termos

segundo crença popular
singular sintoma vário
vadio em febre delírio
corpos a dançar cantar

sem paisagens meias
a tecer peles teias
bem tenazes tão nús

que marcados pelo dia
és sabor de água fria
entre ritmos de azuis

2
o mar espalha num espelho o ar
peixes, caranguejos, leões marinhos
e eu navegador solto um beija flor
devagarinho linha do horizonte luar
e tu, anjo torto, deitas por cima
pedras do ciúme num jardim das delícias
e pronto porre de lança perfume
exaustos de preguiça visamos dardos
onde rastro línguas nossas carícias

3
a tua presença é bonita. bebo
ainda mais bonita a vida mesmo
quando o desejo é só um abraço
um beijo um riso ou nada mais
que uma mão em outra mão
a tua presença é bonita. sugo
eu só quero o que preciso
da cana faço mel, trigo pão
a tua presença é bonita. hauro
mesmo quando, às vezes, sou amargo
uma lágrima, lua nova, temporais
a tua presença é bonita. consumo
bonita a tua presença bonita

4
tua nudez afirma: não
sala quarto varanda
cozinha e dependências
tua nudez afirma: não
quatro paredes telhado
porta janelas chaves
tua nudez diz: sol
assim como quem diz sim
feito casa que se habita
e ao se deixar habitar caminha-se
certos caminhos de cambiar corredores
tua nudez diz: mar
algo assim horas negro
outras verde branco azul
a tua nudez:
deixemos atravessar o silêncio
silêncio musical a despir carnes nuas

5
que tipo de beleza você: esfinge
pedra dágua, mármore, que tipo
de beleza você: enigma, âncora,
árvore, que tipo de beleza você:
esperma, poltrona, cadafalso, que
tipo de beleza você: esquife,
túnel, pássaro, que: a beleza bela
acende número, peso, medida,
girafa, nuvem, vidro, e a beleza bale

6
vezes estranho olha com olhos
castanhos senta no chão bebe
comigo chá de jasmin. vezes sin
cero toma um porre de gin.
vezes inverno diz: feliz, eterno
e se perde dentro de mim, vezes
exato, lábio de leite e capim.
assim, vezes pés de gato, assim,
vezes boca de tamarindo, vou
te seguindo, horas só rindo
horas em que me mato

os fragmentos são então pedras
à volta da circunferência:
desdobro-me em círculo;
todo meu pequeno universo
em migalhas,
no centro, o quê?
(Roland Barthes)

7
medo: goleiro diante do pênalti
medo: também: a trave
ou a bola na mão
medo: a lâmina acorda crime
também:
corte sublime do pão
medo:
lâmina
lâmina lua nova
também: lua
lua veja
lua lâmina nova
lua lamina aceso
sol

8
segredo não tão segredo
segredo ao teu ouvido
a prisão de teus cabelos
depressa vejo soltá-los
Para um tempo onde digo
assim gosto de tê-los

segredo não mais silêncio
sim desejo todo desejo
que em ti já me vejo
bahia minha fortaleza
não bastar na tua beleza

e bela mais que bela
não a quero nome romance
carta, telefone, enquanto
a vida me diz em canto

bela bem bela bela ela
que me compuz carnívoro
nesta mulher que me devoro

1 075

As Várias Faces de um Espelho

I
Alguém disse:
Ser
é ter-se tomado

II
Já faz algum tempo que não bebo
Não distribuo mais os sonhos
Hoje sinto entorpecidamente minhas dores

Não tenho mais necessidade de esconder o corpo
Para saber do corpo tive de correr estradas
e dei a juventude sem exigir amor

Dentro de todos me perdi da esperança
Um poema resplandeceu incompreensivelmente
Agora o corpo desistiu de procurar entender

Não escrevo mais palavras para ficar oculto
Nem guardo dentro do ventre algum segredo
Nenhuma cicatriz revela a lâmina e a faca

Não tenho os pesos e as medidas
Nem para quem quer que seja uma sentença
Cada momento traz o seu próprio veneno

Não inquieto mais o dia de amanhã
Não me inquieto mais com a dor de hoje
Há uma hora que as perguntas deixam de existir

Para um homem não basta o seu próprio corpo
Hoje já não há simples vítimas
Nem inocentes do sangue dos que morrem

Um poema não é remédio para acalmar o peito
Um poema não é caminho para pacificar o coração
Um poema é somente escrito de dias e noites

Um poema escreve certo por linhas tortas
Um poema escreve torto por linhas certas
Um poema escreve linhas por certo tortas

Meus pés pisam sobre o chão de um cemitério
Vim colocar flores na minha sepultura
Há um homem novo nascendo neste rosto

III
O que me destrói é minha falta
de vício

IV
Caminho entre sombras
Meus mortos dormem
no paraíso
das ilusões
— pai mãe irmãos —

O mar apaga rastros

Caminho

O destino
da estrada é seguir viagem

Quando escrevo
o caminho
sei apenas o meu próprio mal
e a cúmplice solidão
dos sentimentos

Sou um jogo
( marcado? )
Luz da saudade futuro me faz
crer
o que mais quiser ser

Sou

1 086

Pelo Amor

pelo amor
palavra
que diga
sim
palavra
que diga
não
pelo amor
palavra
:

o amor
em si
jamais
cilada
nenhuma
pergunta
1 272

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Identificação e contexto básico

Claudius Portugal é um autor contemporâneo, cuja obra abrange diversos géneros literários, com destaque para a poesia. É conhecido pela sua escrita interventiva e pela exploração de temas sociais e existenciais.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Claudius Portugal não estão amplamente disponíveis. Sabe-se, no entanto, que a sua formação cultural foi vasta, absorvendo diferentes influências literárias e filosóficas que moldaram a sua visão de mundo e a sua escrita.

Percurso literário

O percurso literário de Claudius Portugal tem sido marcado pela publicação de obras poéticas que abordam temas contemporâneos com uma perspetiva crítica. A sua evolução como autor tem demonstrado uma crescente preocupação com a relevância social da literatura e uma experimentação constante com a forma e o conteúdo.

Obra, estilo e características literárias

A obra poética de Claudius Portugal caracteriza-se pela sua versatilidade temática, abordando desde questões sociais e políticas até reflexões sobre a condição humana. Utiliza frequentemente a linguagem coloquial, aliada a metáforas contundentes, para criar um impacto direto no leitor. O seu estilo pode ser descrito como um realismo lírico, onde a observação do quotidiano se entrelaça com uma profunda subjetividade. A voz poética é muitas vezes interventiva e questionadora, desafiando o leitor a repensar as suas próprias perceções. Explora tanto o verso livre quanto formas mais estruturadas, adaptando a métrica ao propósito expressivo de cada poema.

Contexto cultural e histórico

Claudius Portugal insere-se no contexto cultural e histórico da atualidade, dialogando com as problemáticas sociais e as transformações do mundo contemporâneo. A sua obra reflete as inquietações de uma sociedade marcada pela globalização, pelas desigualdades e pela busca por novos modelos de convivência.

Vida pessoal

Detalhes específicos sobre a vida pessoal de Claudius Portugal são escassos, privilegiando-se a divulgação e análise da sua obra. Sabe-se que é um autor atento às dinâmicas sociais e que as suas experiências de vida informam a sua escrita.

Reconhecimento e receção

Claudius Portugal tem vindo a conquistar um nicho de leitores interessados numa poesia que aborda de forma direta e incisiva as questões da atualidade. A receção crítica tem destacado a sua originalidade e a força da sua mensagem.

Influências e legado

As influências de Claudius Portugal podem ser encontradas em poetas que souberam aliar a arte à intervenção social. O seu legado reside na sua capacidade de dar voz às preocupações contemporâneas e de inspirar outros a utilizar a escrita como ferramenta de reflexão e mudança.

Interpretação e análise crítica

A obra de Claudius Portugal tem sido objeto de análise quanto à sua capacidade de crítica social e à exploração da complexidade da identidade na contemporaneidade. A sua poesia convida a um debate sobre o papel do indivíduo na sociedade e os valores que a regem.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Apesar de ser conhecido pela sua faceta de poeta, Claudius Portugal pode ter outras atividades criativas ou profissionais que se refletem na sua escrita, mas estas não são amplamente divulgadas.

Morte e memória

Sendo um autor contemporâneo, não se aplicam secções sobre morte e memória.