Depois de uma fase inicial de colaboração com os jornais da cidade do Porto, com destaque para “O Comércio do Porto” e para o “Jornal de Notícias”, Eduardo Valente da Fonseca rumou a Lisboa. Na capital, foi jornalista e repórter do jornal “Republica”, para o qual entrou no ano de 1965 e onde se manteve até ao seu encerramento, ocorrido em 1976, após um conflito entre socialistas e comunistas pelo domínio do jornal no período que se seguiu à revolução de 25 de Abril de 1974.
Foi precisamente no “República” que Eduardo Valente da Fonseca criou, no ano de 1973, a rúbrica “Horóscopos de Delfos”, com a qual conseguiu “fintar” a censura, publicando críticas contundentes ao regime do Estado Novo.
Nesse período final do antigo regime eram muito poucos os textos que não tinham de receber o visto prévio da censura. Nesse nicho incluíam-se os signos, o tempo, as palavras cruzadas e os textos do então presidente da República, Américo Thomás.
Tal como outros jornalistas, então conotados com a oposição, também Eduardo Valente da Fonseca tentou encontrar uma forma de contornar o “lápis azul” da censura, descobrindo que poderia publicar crítica política e social numa rúbrica de astrologia, inserida no suplemento dominical do jornal. E assim surgiram os “Horóscopos de Delfos” que conseguiram enganar a censura até poucas semanas antes do 25 de Abril de 1974.
O autor da rubrica “Horóscopos de Delfos” teve o apoio de Raúl Rego, que então dirigia o “República”, e de outros jornalistas e colaboradores do jornal, entre os quais, José Magalhães Godinho, Álvaro Guerra, Álvaro Belo Marques, Victor Direito, Mário Mesquita, Jaime Gama, Afonso Praça, Fernando Cascais, Fernando Assis Pacheco, Figueiredo Filipe, Carlos Albino, José Alcambar, Miguel Serrano, José Manuel Barroso, Antónia de Sousa, Helena Marques, Gonçalves André, Pedro Foyos, entre outros.