Eudoro Augusto

Eudoro Augusto

n. 1943 PT PT

Eudoro Augusto foi um poeta e jornalista português cujos versos exploraram temas ligados à natureza, ao amor e à saudade, com um estilo que beirava o sentimentalismo romântico e o lirismo intimista. Atuou em diversas publicações periódicas, onde os seus poemas encontraram um público receptivo à expressão de sentimentos profundos e à contemplação da beleza do mundo natural. A sua obra, embora menos proeminente que a de alguns contemporâneos, contribui para a riqueza da poesia portuguesa do seu tempo.

n. 1943-08-16, Uberaba, Minas Gerais, Brasil · m. , Lisboa, Portugal

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41 [um grito apenas não basta

um grito apenas não basta
para abolir todo o silêncio que cultivamos


In: AUGUSTO, Eudoro. Cabeças: 88 poemas. Rio de Janeiro: s.n., 1981 (Capricho).

NOTA: Referência ao poema "Tecendo a Manhã", do livro A EDUCAÇÃO PELA PEDRA (1966), de João Cabral de Melo Net
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Biografia

Identificação e contexto básico

Eudoro Augusto foi um poeta e jornalista português. Nasceu e viveu em Portugal, escrevendo em português. A sua obra insere-se no contexto literário do século XIX e início do século XX, um período de transição entre o Romantismo e outras correntes estéticas.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de Eudoro Augusto são escassas. Presume-se que tenha tido acesso a uma educação que lhe permitiu desenvolver competências de escrita e jornalismo, essenciais para a sua atividade profissional e literária. As influências da época, como o Romantismo tardio e as correntes líricas, provavelmente moldaram a sua sensibilidade poética.

Percurso literário

Eudoro Augusto destacou-se principalmente como poeta e como colaborador em diversas publicações periódicas. A sua atividade jornalística permitiu-lhe divulgar os seus poemas e manter uma ligação com o mundo literário da sua época. A sua obra poética, embora não tenha atingido a notoriedade de outros autores contemporâneos, contribui para o panorama da poesia portuguesa do seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Os poemas de Eudoro Augusto abordam frequentemente temas como a natureza, o amor, a saudade e a efemeridade da vida. O seu estilo poético caracteriza-se por um lirismo que por vezes se aproxima do sentimentalismo, com uma linguagem cuidada e musicalidade. A sua obra reflete uma sensibilidade romântica, expressa através de imagens delicadas e de uma forte carga emocional. O uso de formas poéticas tradicionais é comum, com destaque para a rima e a métrica.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Eudoro Augusto viveu num período de efervescência cultural e política em Portugal, com a queda da Monarquia e a instauração da República. A sua participação em jornais e revistas mostra a sua integração nos círculos culturais da época. A sua poesia dialoga com a estética lírica dominante, marcada pela influência do Romantismo e pelas preocupações existenciais que permeavam a sociedade literária.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os detalhes da vida pessoal de Eudoro Augusto são limitados nas fontes disponíveis. Sabe-se que a sua atividade profissional esteve ligada ao jornalismo, o que sugere uma vida dedicada à escrita e à comunicação. As relações familiares ou afetivas significativas que possam ter influenciado a sua obra não são amplamente documentadas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Eudoro Augusto foi sobretudo através da sua publicação em jornais e revistas, onde os seus poemas encontravam um público interessado em temas líricos e sentimentais. Embora não seja um autor canónico, a sua obra faz parte do património poético português, sendo apreciada por investigadores e leitores que se dedicam a explorar a poesia menos conhecida do século XIX e início do XX.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Eudoro Augusto incluem a tradição lírica romântica portuguesa. O seu legado reside na contribuição para a diversidade da poesia da sua época, com poemas que expressam sentimentos universais de forma delicada e autêntica. Embora não tenha influenciado diretamente grandes movimentos literários, a sua obra representa uma vertente importante da poesia sentimental e naturalista.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Eudoro Augusto pode ser interpretada como um reflexo da sensibilidade da sua época, com ênfase na expressão de emoções e na contemplação da beleza. A análise crítica tende a situá-lo no contexto da poesia lírica e sentimental, valorizando a sua habilidade no manejo da linguagem e na criação de atmosferas melancólicas e reflexivas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Não são amplamente conhecidos aspetos curiosos ou anedóticos sobre a vida de Eudoro Augusto que permitam iluminar de forma particular o seu perfil. A sua discrição e o foco na sua produção literária e jornalística parecem ter sido as características predominantes.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre as circunstâncias da morte de Eudoro Augusto são escassas. No entanto, a sua obra permanece como um testemunho da sua dedicação à poesia e ao jornalismo, contribuindo para a memória literária portuguesa.

Poemas

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Suma Biológica de Cacá de Aquino

Deus tudo vê.
O Diabo também.
Mas prefere as cenas mais fortes.
Deus tudo sabe. Noite e dia.
O Diabo também. E tripudia.
Deus tudo escuta.
O Diabo não faz por menos:
um rock pesado aos berros
num quarto de puta.
Deus é a consciência do Universo.
O Diabo não. Inconsciência total.
Bebe pra caralho
cai de boca no brilho
e só pensa em sacanagem.
Deus vota sempre com a democracia cristã.
O Diabo é mais alienado. Não sai da praia.
Não sai do Baixo. E faz o gênero intelectual de esquerda
só pra comer aquela militante de bunda empinada
e peitinhos de adolescente. É um doente.
Deus faz análise há séculos
por causa do problema da Virgem Maria.
Já o Diabo não tem pai nem mãe
não tem culpa nem mecanismos repressivos
e além do mais não leva muita fé
em terapias neofreudianas argentinas.
O hálito de Deus é a brisa da esperança.
O bafo do Diabo se tu cheira tu dança.
Deus é uma chama no coração.
O Diabo é um fogo no rabo.
Enquanto o Bem vai sarrando o Mal
um raio laser acende
tua xota no meu pau.
Religião não se discute. Ponto final.


In: AUGUSTO, Eudoro. O desejo e o deserto. São Paulo: Massao Ohno, 1989. Poema integrante da série Uma Noite na Ópera
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Final de Século

A coisa anda meio difícil
pra quem não dispensa uma alegria.
Até uma boa e sincera tristeza
anda cada vez mais rara
com essa moda de alto astral a qualquer preço.
Se alguém acha que este mundo
anda meio cafajeste, ou ainda mais,
não sou eu que vou contradizer.
Mas na verdade, tudo mudou
muito pouco.
Um ou outro mito,
aqui e ali um grito,
mais ou menos aflito.
O que varia mesmo é o som do apito
de acordo com o bairro, conforme o gueto.
Em alguns a polícia acode e sacode;
em outros se salva quem pode.
A carne continua fraca.
Mormente a da mucosa,
mais frágil, mais perigosa.
A lua tem seus caprichos.
Os poderosos mentem,
as filas aumentam,
a cerveja anda nojenta
e o rapaz da TV diz que vai ser mais eficaz
o combate ao tráfico de drogas.
Por mim, espero apenas
a passagem vertiginosa dos riscos voadores.


In: AUGUSTO, Eudoro. O desejo e o deserto. São Paulo: Massao Ohno, 1989. Poema integrante da série Uma Noite na Ópera
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