Eugénio de Castro

Eugénio de Castro

1869–1944 · viveu 75 anos PT PT

Eugénio de Castro foi um poeta português, figura proeminente da transição entre o final do século XIX e o início do XX. Ligado ao Simbolismo, a sua obra é marcada por uma musicalidade intensa e uma exploração profunda de temas como a espiritualidade, a arte e a busca pela beleza ideal. Considerado um renovador da poesia portuguesa, Eugénio de Castro introduziu inovações formais e temáticas que influenciaram gerações posteriores de poetas. A sua vasta produção literária abrange não só a poesia, mas também o teatro e a prosa, demonstrando um talento multifacetado e uma dedicação profunda à arte.

n. 1869-03-04, Coimbra · m. 1944-08-17, Coimbra

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Um Sonho

Na messe , que enlourece, estremece a quermesse...
O sol, celestial girasol, esmorece...
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo a fina flor dos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas,cítaras,sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em Suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves
Suaves...

Flor! enquanto na messe estremece a quermesse
E o sol,o celestial girasol,esmorece,
Deixemos estes sons tão serenos e amenos,
Fujamos,Flor!à flor destes floridos fenos...

Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...

Como aqui se está bem!Além freme a quermesse...
- Não sentes um gemer dolente que esmorece?
São os amantes delirantes que em amenos
Beijos se beijam,Flor!à flor dos frescos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas,cítaras,sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em Suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...

Esmaiece na messe o rumor da quermesse...
- Não ouves este ai que esmaiece e esmorece?
É um noivo a quem fugiu a Flor de olhos amenos,
E chora a sua morta,absorto,à flor dos fenos...

Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...

Penumbra de veludo . Esmorece a quermesse...
Sob o meu braço lasso o meu Lírio esmorece...
Beijo-lhe os boreais belos lábios amenos,
Beijo que freme e foge à flor dos flóreos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos ,
Cítolas,cítaras,sistros ,
Soam suaves , sonolentos ,
Sonolentos e suaves ,
Em Suaves ,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...

Teus lábios de cinábrio,entreabre-os!Da quermesse
O rumor amolece,esmaiece,esmorece...
Dê-me que eu beije os teus morenos e amenos
Peitos!Rolemos,Flor!à flor dos flóreos fenos...

Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...

Ah! não resista mais a meus ais!Da quermesse
O atroador clangor,o rumor esmorece...
Rolemos,ó morena!em contactos amenos!
- Vibram três tiros à florida flor dos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas,cítaras,sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em Suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...

Três da manhã.Desperto incerto...E essa quermesse?
E a Flor que sonho? e o sonho? Ah!tudo isso esmorece!
No meu quarto uma luz,luz com lumes amenos,
Chora o vento lá fora,à flor dos flóreos fenos...

Arcachon,12 de julho de 1889.

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Eugénio de Andrade, pseudónimo de Eugénio de Jesus, foi um poeta português. Nasceu em 1923 e faleceu em 2005. Tinha nacionalidade portuguesa e escrevia em língua portuguesa. O contexto histórico em que viveu foi marcado pelas transformações sociais e políticas do século XX em Portugal e no mundo.

Infância e formação

Nasceu em Fundão, Portugal. A sua infância e juventude foram marcadas por um ambiente rural. A sua formação literária foi, em grande parte, autodidata, absorvendo influências de diversos poetas e movimentos literários, com um especial apreço pela poesia clássica e pela lírica moderna.

Percurso literário

O seu percurso literário iniciou-se com a publicação de "O Outro", em 1950. Ao longo da sua carreira, Eugénio de Andrade publicou diversas obras poéticas que consolidaram a sua voz única. Colaborou em várias publicações literárias e manteve uma atividade consistente na divulgação da poesia.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Entre as suas obras principais destacam-se "As Mãos de Cada Um", "Ostinato Rigore", "Matéria Solar", "O Peso da Sombra", "Sal e Loucura", "Ofício da Palavra", "Necessidade de Falar" e "A Memória dos Lugares". Os temas dominantes na sua poesia incluem a natureza, o corpo, a sensualidade, a memória, o tempo, a morte e a própria palavra poética. O seu estilo caracteriza-se pela depuração formal, pela musicalidade e pelo uso de uma linguagem límpida e precisa, muitas vezes com uma forte carga imagética. Embora não se filie estritamente a um único movimento, a sua obra dialoga com o Modernismo e com a tradição lírica portuguesa, introduzindo uma sensibilidade contemporânea e uma profunda reflexão sobre a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Eugénio de Andrade viveu grande parte da sua vida em Lisboa e no Porto, interagindo com círculos literários e intelectuais importantes. A sua obra reflete um diálogo com a tradição literária portuguesa e, ao mesmo tempo, com as preocupações existenciais e estéticas do século XX. A sua posição, embora discreta em termos de intervenção política direta, era de profunda humanidade e valorização da liberdade criativa.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Eugénio de Andrade viveu uma vida dedicada à poesia e à sua arte. As suas relações pessoais e experiências de vida moldaram a sua visão do mundo e a sua expressão poética, marcada por uma profunda sensibilidade e uma busca constante pela transcendência.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Eugénio de Andrade mereceu amplo reconhecimento em Portugal e no estrangeiro. Recebeu diversos prémios literários e a sua poesia é amplamente estudada e apreciada, tanto no meio académico como pelo público em geral. É considerado um dos grandes poetas da língua portuguesa do século XX.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Eugénio de Andrade foi influenciado por poetas como Fernando Pessoa, Luís de Camões e pela lírica grega antiga. O seu legado reside na sua capacidade de renovar a linguagem poética, na profundidade da sua exploração temática e na beleza formal da sua obra, inspirando gerações de poetas posteriores.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Eugénio de Andrade tem sido objeto de diversas interpretações, que destacam a sua profunda meditação sobre a existência, a relação entre o homem e a natureza, e a força da palavra como instrumento de conhecimento e beleza.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Para além da sua faceta de poeta, Eugénio de Andrade dedicou-se à tradução e à edição, contribuindo para a divulgação de outros autores. A sua discrição pessoal contrastava com a intensidade da sua obra poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Eugénio de Andrade faleceu em 2005. A sua memória é perpetuada através da sua obra, que continua a ser lida, estudada e admirada, e através de iniciativas que celebram o seu legado poético.

Poemas

1

Um Sonho

Na messe , que enlourece, estremece a quermesse...
O sol, celestial girasol, esmorece...
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo a fina flor dos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas,cítaras,sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em Suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves
Suaves...

Flor! enquanto na messe estremece a quermesse
E o sol,o celestial girasol,esmorece,
Deixemos estes sons tão serenos e amenos,
Fujamos,Flor!à flor destes floridos fenos...

Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...

Como aqui se está bem!Além freme a quermesse...
- Não sentes um gemer dolente que esmorece?
São os amantes delirantes que em amenos
Beijos se beijam,Flor!à flor dos frescos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas,cítaras,sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em Suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...

Esmaiece na messe o rumor da quermesse...
- Não ouves este ai que esmaiece e esmorece?
É um noivo a quem fugiu a Flor de olhos amenos,
E chora a sua morta,absorto,à flor dos fenos...

Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...

Penumbra de veludo . Esmorece a quermesse...
Sob o meu braço lasso o meu Lírio esmorece...
Beijo-lhe os boreais belos lábios amenos,
Beijo que freme e foge à flor dos flóreos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos ,
Cítolas,cítaras,sistros ,
Soam suaves , sonolentos ,
Sonolentos e suaves ,
Em Suaves ,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...

Teus lábios de cinábrio,entreabre-os!Da quermesse
O rumor amolece,esmaiece,esmorece...
Dê-me que eu beije os teus morenos e amenos
Peitos!Rolemos,Flor!à flor dos flóreos fenos...

Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...

Ah! não resista mais a meus ais!Da quermesse
O atroador clangor,o rumor esmorece...
Rolemos,ó morena!em contactos amenos!
- Vibram três tiros à florida flor dos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas,cítaras,sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em Suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...

Três da manhã.Desperto incerto...E essa quermesse?
E a Flor que sonho? e o sonho? Ah!tudo isso esmorece!
No meu quarto uma luz,luz com lumes amenos,
Chora o vento lá fora,à flor dos flóreos fenos...

Arcachon,12 de julho de 1889.

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Comentários (2)

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ESDRAS
ESDRAS

MUITO BOM MESMO

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olaa , eu estou a fazeer um trabalho sobre nosso QUERIDO poeta Eugenio de Andrade e queria mais informaçao resumida. QUERIA : capa , biografia , poema e tudo a explicar o poema ( metafiras blablabla ) *-*