Fernanda Benevides

Fernanda Benevides

n. 1930 PT PT

Fernanda Benevides é uma voz poética que se destaca pela sua sensibilidade e pela forma como explora as profundezas do universo feminino e das relações humanas. Sua poesia é frequentemente marcada por uma introspeção delicada, abordando temas como o amor, a perda, a identidade e a busca por sentido. Com uma linguagem acessível, porém carregada de emoção e significado, Benevides consegue criar versos que tocam o leitor em sua essência. Sua obra convida a uma jornada interior, onde a reflexão sobre o cotidiano se entrelaça com questionamentos existenciais. Através de uma escrita lírica e envolvente, Fernanda Benevides se consolida como uma importante representante da poesia contemporânea, capaz de expressar as complexidades da alma com autenticidade e beleza.

n. 1930-03-21, Fortaleza · m. , Jagniątków

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Mensagem

Não sei se o vento te levou o recado;
o sol te envolveu com o calor do meu abraço
ou a lua falou do amor,
daquele amor que ainda que ainda guardo...
Reclamo-te nos horizontes em que, em vão, te busco.
Caminhos falam de desencontro.
O mar chora o argonauta que se afastou do cais...
Muitas pontes. Rios.
Nenhuma travessia...
Triste paisagem.
Apelos transcendentais não são ouvidos...
Telepatia não responde.
Como mandar-te uma mensagem? Em verso?
E o reverso?
Penso em out door ... Classificados dos jornais...
Como falar-te? Difícil encontrar-te...

... e fico assim, sem saber-te,
a sonhar-te...

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Biografia

Identificação e contexto básico

Fernanda Benevides é uma poeta contemporânea conhecida por sua lírica sensível e introspectiva. Sua obra explora as complexidades da experiência humana, com um foco particular no universo feminino e nas dinâmicas relacionais.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Fernanda Benevides não são amplamente disseminadas em fontes públicas. No entanto, a maturidade e a profundidade de sua poesia sugerem uma trajetória de leitura e aprendizado que moldou sua sensibilidade e visão de mundo.

Percurso literário

O percurso literário de Fernanda Benevides é caracterizado pela produção de poesia que se alinha com a tradição lírica, mas com uma perspectiva contemporânea. Sua escrita tem como marca a exploração de temas íntimos e universais, com uma evolução que demonstra o aprofundamento de sua voz poética ao longo do tempo.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Fernanda Benevides é reconhecida por sua abordagem lírica e pela exploração de temas como o amor, a identidade, a perda e as relações humanas, com uma inclinação para o universo feminino. Seu estilo é marcado pela delicadeza da linguagem, pela capacidade de evocar emoções profundas e por uma voz poética confessional e reflexiva. Utiliza recursos como metáforas sutis e um ritmo que convida à contemplação, criando uma atmosfera íntima em seus versos. A sua poesia dialoga com a busca por autenticidade e expressão no contexto literário atual.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Como poeta contemporânea, a obra de Fernanda Benevides se insere no contexto cultural e social de seu tempo, refletindo sensibilidades e preocupações atuais, embora seu foco principal resida na experiência individual e interpessoal.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Aspectos específicos da vida pessoal de Fernanda Benevides, como relações familiares ou experiências marcantes, não são de conhecimento público geral. Contudo, a intimidade e a profundidade emocional de sua poesia indicam uma personalidade observadora e voltada para a exploração dos sentimentos.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Fernanda Benevides é construído através da sua qualidade literária e da conexão que estabelece com os leitores. Sua poesia encontra eco entre aqueles que apreciam uma abordagem sensível e reflexiva da vida e das emoções.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam explicitadas, a poesia de Benevides se conecta com a corrente lírica que valoriza a expressão autêntica e a profundidade emocional. Seu legado reside na capacidade de dar voz a experiências e sentimentos universais de forma tocante e pessoal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Fernanda Benevides oferece um campo fértil para a interpretação focada na dimensão psicológica e emocional. Análises críticas podem explorar a construção de sua voz poética, o uso de imagens e a forma como ela aborda a condição humana, especialmente a feminina.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida e obra de Fernanda Benevides não são amplamente divulgadas.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Fernanda Benevides é uma autora contemporânea, e, portanto, a seção de morte e memória não se aplica.

Poemas

14

Mensagem

Não sei se o vento te levou o recado;
o sol te envolveu com o calor do meu abraço
ou a lua falou do amor,
daquele amor que ainda que ainda guardo...
Reclamo-te nos horizontes em que, em vão, te busco.
Caminhos falam de desencontro.
O mar chora o argonauta que se afastou do cais...
Muitas pontes. Rios.
Nenhuma travessia...
Triste paisagem.
Apelos transcendentais não são ouvidos...
Telepatia não responde.
Como mandar-te uma mensagem? Em verso?
E o reverso?
Penso em out door ... Classificados dos jornais...
Como falar-te? Difícil encontrar-te...

... e fico assim, sem saber-te,
a sonhar-te...

867

Os Invernos de Minha Infância

Os invernos de minha infância
eram copiosos, generosos, abundantes.
Banhos de bica sensacionais!
Crianças corriam livres ao longo das calçadas.
Barquinhos de papel deslizavam pelas coxias,
deslumbrando meus olhos de menina vadia.
Aparar água da chuva para saciar a sede
representava maná dos deuses!
Havia feijão verde , canjica.
Pamonha, milho cozido.
Gostava de ficar agasalhada,
ouvindo a chuva bater no telhado!

757

Voz do Olhar

Quando teus olhos feriram o silêncio,
ouviram os meus...

( in, LUZES DO SILÊNCIO)
Fortaleza - Ce, 1 Fortaleza - Ce, 1988

899

O Plantador de Sonhos

O lavrador prepara a terra, lentamente.
Cultiva o solo com amor.
Alimenta o chão com carinho e devoção.
Cuidadoso, escolhe a semente.
E faz a plantação.
Semeia o trigo e nasce o joio.
Paciente, reinicia.
Planta roseira e brota baobá.
Cauteloso, extirpa-o.
E recomeça.
A vegetação viça.
Súbito, vem o estio.
As plantas secam.
E continua...
A flor renasce.
E vem a inundação.
Não desiste.
Rega a poesia.
Na certeza de um dia,
colher a flor tardia.

(in, A ROSA - FÊNIX)
Fortaleza - Ce, 1997

1 085

A Flor das Ruínas

Eis que uma flor despontou nas ruínas
de um templo desmoronado
e te enterneceu.
Era uma rosa pálida
que não queria fenecer
e tímida
gritava para sobreviver...

Transportaste-a ao solo fértil
do teu coração
e ela renasceu rubra
em tuas mãos...

874

Visita da Solidão

Eis que a solidão me visita.
Recebo-a feliz.
Ficamos a sós.
Um brinde a nós!

Há uma perfeita simbiose
entre mim e a solidão.
Sempre que chega,
saúdo-a alegre,
feliz assim...

A sensação é inexplicável!
Algo parecido com voar, soltar, libertar...
Um indescritível bem-estar,
satisfação plena.
Um clima de pureza,
paz,
algo mais...

Vivo-a intensamente.
Convivemos de forma salutar,
sobretudo quando junto ao mar,
perto do céu,
sol,
sal,
crepúsculo,
luar...
Respiro o ar despoluído da simplicidade,
simplesmente,
como sou.

( in, POEIRA DA ESTRADA)
Fortaleza - Ce, 1984

757

Eu e Brisa

Eis que o ciciar da brisa matinal
acariciou-me o ouvido
- acordou em mim uma melodia.
Ecos vibrantes eclodiram,
plenetraram-me,
invadiram-me...

Ah! Essa brisa matinal
me trouxe um viço,
uma inquietação,
um rebuliço!...

922

Luzes do Silêncio

Tateava na escuridão do silêncio,
quando esbarrei em alguém.
Ah, és tu?!
As luzes ascenderam...

750

Encontro com a Solidão

Eis que me deparo com a solidão
de estar só comigo.
Ninguém ao redor.
Apenas a noite, escassas estrelas
e o mar a murmurar...

A música envolve o ar,
ocupa o espaço,
preenche a lacuna
- lacuna?
Neste momento basto-me.

Solitária e distante,
brindando o estar sozinha,
canto a alegria
de nada ter a lamentar,
assim sorrindo
Por não ter o que chorar.

774

Rememorando

Revejo saudosa
um ontem bonito,
repleto de sonhos, quimeras, fantasias.

Revejo as manhãs primaveris
em que o sol me despertava
e da cama saltava cheia de viço.

Revejo as tardes crepusculares
em que o coração disparava
ao vislumbrar a lua que surgia;
em que meus olhos acendiam
ante o olhar das estrelas...

Revejo aquelas noites tumultuosas
em que rompia as amarras
e corria, ofegante, ao teu encalço.
Ah! Sentia-me um pássaro!

Rememorando um doce passado,
diluído, transformado,
revejo retalhos bonitos
dos quais não posso olvidar
e chego mesmo a suspirar...

814

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