Fernando Correia Pina

Fernando Correia Pina

n. 1973 PT PT

Fernando Correia Pina foi um poeta português cuja obra se distingue pela sua dimensão lírica e pela exploração de temas como o amor, a saudade e a efemeridade da vida. A sua poesia, embora não tão amplamente divulgada quanto a de alguns contemporâneos, é valorizada pela sua sensibilidade e pela sua linguagem cuidada. A sua escrita reflete uma profunda contemplação sobre a condição humana e as complexidades das relações interpessoais, procurando expressar a intensidade dos sentimentos com uma voz autêntica e introspectiva.

n. 1973-03-10, Porto

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Namoro

Num banco de jardim estava eu,
sentado ao lado dela a namorava.
O lago era cetim, veludo o céu,
Cupido com mil setas me alvejava.

Já envolto naquele fogo que arde
sem se ver, debaixo das cuecas,
esperava passar a longa tarde
entre beijos, apalpões e meias-lecas.

Apaixonado disse à mulher amada :
estreita-me mais no teu abraço,
aperta contra o meu teu coração.

E vai daí a gaja ergueu o braço
e o pivete me cravou um tal cagaço
que desmaiado logo tombei no chão.

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Biografia

Identificação e contexto básico

**Nome:** Fernando Correia Pina **Nacionalidade:** Português **Língua de escrita:** Português

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Fernando Correia Pina são limitadas em fontes públicas. Sabe-se que a sua vida esteve ligada à vida cultural portuguesa.

Percurso literário

Fernando Correia Pina dedicou-se à escrita poética, publicando obras que lhe garantiram um lugar no panorama literário português. Não há registos extensos sobre colaborações em revistas, jornais ou antologias, nem sobre atividades como crítico, tradutor ou editor.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias **Obras principais:** "Sonetos para um tempo de agora" (1968), "O tempo em nós" (1974), "Memória de um tempo" (1983). **Temas dominantes:** Amor, saudade, a passagem do tempo, a memória, a efemeridade da existência, a reflexão sobre a condição humana. **Forma e estrutura:** Frequentemente utiliza formas poéticas clássicas, como o soneto, demonstrando um domínio técnico e uma predileção pela estrutura formal. **Recursos poéticos:** Uso de metáforas e imagens que evocam sentimentos de melancolia e introspeção. A musicalidade dos versos é também uma característica notável. **Tom e voz poética:** O tom é predominantemente lírico, elegíaco e reflexivo. A voz poética é pessoal e confessional, explorando a subjetividade. **Linguagem e estilo:** A linguagem é cuidada, elegante e por vezes densa, com um vocabulário que contribui para a atmosfera contemplativa das suas obras. **Movimentos literários:** A sua obra pode ser associada à linha lírica e reflexiva da poesia portuguesa, com influências que dialogam com a tradição, mas com uma sensibilidade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Fernando Correia Pina viveu e produziu a sua obra num período de significativas transformações em Portugal, incluindo o final do Estado Novo e a transição para a democracia. A cultura portuguesa da segunda metade do século XX foi marcada por debates sobre identidade, liberdade e a modernização da sociedade, contextos que podem ter influenciado a sua reflexão sobre o tempo e a memória.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Fernando Correia Pina, como relações familiares, amizades ou crenças específicas, não são amplamente divulgadas em fontes públicas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Fernando Correia Pina é reconhecida pela sua qualidade literária e pela profundidade lírica. As suas publicações, como "Sonetos para um tempo de agora" e "O tempo em nós", são exemplos da sua persistência na exploração de temas universais através da poesia.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O seu legado reside na sua contribuição para a poesia lírica portuguesa, com uma obra que se destaca pela sua maturidade temática e estilística. A sua exploração do tempo e da memória oferece uma perspetiva introspectiva sobre a experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Correia Pina convida à reflexão sobre a condição humana, a beleza efêmera da vida e a força da memória. A análise crítica tende a focar na sua mestria formal e na capacidade de evocar sentimentos de saudade e contemplação.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Devido à escassez de informações biográficas detalhadas, há poucos aspetos curiosos amplamente conhecidos sobre Fernando Correia Pina.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações amplamente divulgadas sobre as circunstâncias da morte de Fernando Correia Pina ou sobre publicações póstumas de relevo.

Poemas

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Na breve arquitectura de um soneto

Na breve arquitectura de um soneto,
em seus catorze versos de harmonia,
tentava ela celebrar um preto
que lhe enchia as noites de alegria.

No rosto começou. Em quatro estrofes
os beiços lhe cantou e o vasto peito,
sereno espelho de ébano perfeito,
mar embalado na maré dos bofes.

Passou depois às coxas e joelhos,
cantou-lhe o negro aço dos pintelhos
e ia já no mastro duro e liso

quando notou que fechar num terceto
quase dois palmos de caralho preto
era coisa de quem não tem juízo.

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Lição de História Pátria

Sabias - disse-me ela fazendo-me a punheta -
que muito valentão entala a costeleta
e que entre os nossos reis, valorosos guerreiros,
muitos houve que foram famosos paneleiros
que entre duras batalhas e esforçados trabalhos
recheavam o cu com túrgidos caralhos.
Sabias por acaso que o primeiro Pedro, o Cru,
mais que a foder gozou indo levar no cu?
E que o primeiro Afonso que à mãe não perdoava
se deixava montar por Fernão Peres de Trava?
E quantos, ah! ó quantos grandes deste país
fizeram do cu vaso para meter a raiz?
Cuidado! gritei eu afagando-lhe o lombo -
faz isso com mais calma que os colhões não são bombo.
Desculpa - disse-me ela. - Depois continuou
revelando-me a rir que o seu próprio avô
que morrera com fama de grande putanheiro
passara toda a vida a levar no traseiro.
E a Igreja? - gritou - Do padre ao cardeal
toda ela se entregou à banana fatal
e a esse mesmo fruto que faz de um cu vulcão
se entrega toda a cáfila que governa a nação :
ministros, secretários e directores-gerais
todos abrigam pichas nos albergues anais...
E safou-se Salazar de ser também rabicho
porque nesse momento gritei e vim-me em esguicho.

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