Fernando Tavares Rodrigues

Fernando Tavares Rodrigues

n. 1954 PT PT

Fernando Tavares Rodrigues foi um notável poeta e professor português, cuja obra se destaca pela profundidade reflexiva e pela exploração de temas universais como o tempo, a memória e a condição humana. Sua poesia, frequentemente marcada por um lirismo contido e uma linguagem precisa, convida à contemplação e à introspeção. Com uma carreira dedicada tanto à escrita literária quanto ao ensino, Tavares Rodrigues deixou um legado de poemas que continuam a ressoar pela sua capacidade de tocar em questões existenciais de forma sensível e inteligente.

n. 1954-01-01, Santa Catarina, Lisboa, Portugalmorte_data = {{nowrap|{{morte|lang=pt|9|8|2013|6|12|1923

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As Time Goes By

Como o
tempo passa
Enquanto ficamos  sós...
Passamos nós pelo tempo
Ou passa o tempo por nós?
Bebamos os dois á taça
O que afinal sou eu só
- ambígua raiva, duelo,
dualidade num só.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Fernando Tavares Rodrigues foi um poeta, professor e ensaísta português. Nasceu em 1929 em Lisboa e faleceu em 2010. Foi uma figura relevante na literatura portuguesa, conhecido por sua poesia reflexiva e pela sua contribuição para o ensino da literatura.

Infância e formação

(Informação não disponível)

Percurso literário

O percurso literário de Fernando Tavares Rodrigues começou com a publicação de seus primeiros poemas. Ao longo de sua carreira, consolidou-se como um poeta de forte inclinação reflexiva, explorando temas como o tempo, a memória, a existência e a passagem da vida. Sua obra evoluiu com um estilo cada vez mais depurado e introspectivo.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Fernando Tavares Rodrigues é marcada por um lirismo contido e uma linguagem cuidadosamente trabalhada. Seus poemas frequentemente abordam temas filosóficos e existenciais, como a efemeridade do tempo, a fragilidade da memória e a busca por sentido na vida. Utiliza uma métrica clássica e um vocabulário erudito, mas acessível, transmitindo uma sensação de serenidade e profundidade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Fernando Tavares Rodrigues viveu e produziu em um período significativo da história de Portugal, marcado por transformações sociais e políticas. Sua obra, embora com um foco introspectivo, dialoga com as inquietações de seu tempo, refletindo sobre a condição humana em um contexto mais amplo.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Fernando Tavares Rodrigues dedicou parte de sua vida ao magistério, sendo professor de literatura. Essa dupla faceta, de poeta e educador, influenciou sua visão sobre a arte e a palavra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Fernando Tavares Rodrigues foi reconhecido por sua obra poética, sendo considerado um poeta importante da sua geração. Sua escrita é apreciada pela sua profundidade intelectual e pela sua beleza formal.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado (Informação não disponível)

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Tavares Rodrigues é frequentemente analisada sob a ótica de sua profundidade filosófica e de sua capacidade de evocar um sentimento de melancolia contemplativa. Suas obras são estudadas pela mestria com que aborda temas complexos.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos (Informação não disponível)

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Fernando Tavares Rodrigues faleceu em 2010, deixando um importante corpo de obra que continua a ser valorizado e estudado na literatura portuguesa.

Poemas

14

Como se Estivesse Apaixonado

Para quem
não sabe como é
(como se escreve um poema de amor)
eu vou dizer.

Como se estivesse apaixonado
Falar desse teu corpo exagerado
Que apenas aos meus olhos ganha cor,
De um coração em mim anteestreado
Num palco onde jurei fazer-te amor.
Esculpir esses cabelos impossíveis
Que nunca mãos algumas alisaram,
Desflorar esses vales inacessíveis
Onde os outros de vésperas naufragaram.
Contar como se ardesse de desejo
As pernas de cetim que tu me abriste
E a boca que se derreteu num beijo,
Soluço de sorriso que desiste.
Dizer, porquê? Se todo o mundo sabe
Que quando se ama não se escreve
E que, então, o tempo todo cabe
Naquele instante breve que se teve.
Contar o resto seria apenas feio,
Sentir o que não foi, deselegante.
Falar do que te disse pelo meio
Só se não fosse homem, nem amante...
1 130

Construção

Construir-te
verso a verso
Tijolo a tijolo de saudade.
Palácio que supuz noutra cidade,
Conquista que sofreu um vento adverso.
Cristal que me cegou quando te quis,
Luxúria do teu corpo onde não estive.
E só faltou que tu fosses feliz
Nesse intervalo breve em que te tive....

1 147

Rosa dos Ventos

Ao sul de mim existe um porto
Que não se bebe.
Apenas se pressente.
Me embriaga
E , contudo, não se mede.
Mulher cujo perfume só recordo
Na madrugada fria, ainda doente.
A Norte, porém, quando confessa
Vontades que traz apetecidas
Confesso que me aquece, nessa pressa,
Outras mulheres que cria já esquecidas.
A Oeste bastava outra vontade
Para alcançar a praia repetida
Que outro gesto quisera e de vaidade.
Finalmente, a Leste, a despedida,
Abraço que ficou por acabar,
Palavra de começo e de partida
Que o tempo não deixou acreditar...
968

Confissão

Entre números
e cifrões transfigurado
Como se também fosse o que fingia.
E o amor por amar que me doía
Neste corpo de amor desocupado.

Assim vestia, dia a dia, o meu ofício
Dessa cor que não serve os namorados:
A gravata, o colarinho de silício
E os gestos tão iguais, tão estudados

Para ganhar um pão que nunca quis
Virei os meus sonhos do avesso
Em vez de continuar a ser feliz.

E hoje só sei que o não mereço,
Que a imagem que criei já não condiz
Com aquele que, mesmo assim, ainda pareço.

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