Inácio José de Alvarenga Peixoto

Inácio José de Alvarenga Peixoto

1742–1792 · viveu 50 anos BR BR

Inácio José de Alvarenga Peixoto foi um poeta e militar brasileiro, figura proeminente do Arcadismo em Minas Gerais. Destacou-se pela sua participação na Inconfidência Mineira, o que levou à sua prisão e degredo para Angola, onde viria a falecer. A sua obra poética, embora não vasta, reflete o espírito da época, com temáticas pastoris e críticas sociais veladas. Foi um dos representantes da chamada "geração de 1770" da poesia brasileira, marcada por um sentimento de revolta contra o domínio colonial.

n. 1742, Rio de Janeiro · m. 1792-08-27, Ambaca

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Bárbara bela

Bárbara bela,
do Norte estrela,
que o meu destino
sabes guiar,
de ti ausente,
triste, somente
as horas passo
a suspirar.
   Isto é castigo
   que Amor me dá.

Por entre as penhas
de incultas brenhas
cansa-me a vista
de te buscar;
porém não vejo
mais que o desejo,
sem esperança
de te encontrar.
   Isto é castigo
   que Amor me dá.

Eu bem queria
a noite e o dia
sempre contigo
poder passar;
mas orgulhosa
sorte invejosa
desta fortuna
me quer privar.
   Isto é castigo
   que Amor me dá.

Tu, entre os braços,
ternos abraços
da filha amada
podes gozar.
Priva-me a estrela
de ti e dela,
busca dois modos
de me matar.
   Isto é castigo
   que Amor me dá.

In: LAPA, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: INL, 1960
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Biografia

Identificação e contexto básico

Inácio José de Alvarenga Peixoto, conhecido também pelo pseudônimo de "Alvarenga Peixoto", foi um poeta e militar brasileiro. Nasceu em Rio das Mortes, na então Capitania de Minas Gerais, e faleceu em Luanda, Angola. Era filho de um proprietário de terras e de uma senhora de posses. Sua nacionalidade era brasileira e a língua de escrita era o português.

Infância e formação

Alvarenga Peixoto recebeu uma educação esmerada para a época, cursando a Universidade de Coimbra, em Portugal, onde se formou em Direito. Durante seus estudos em Coimbra, teve contato com as ideias iluministas que circulavam na Europa, influenciando seu pensamento e sua futura atuação política e literária.

Percurso literário

O início da escrita de Alvarenga Peixoto coincide com seu período de formação e sua inserção nos círculos intelectuais e políticos do Brasil Colônia. Sua obra poética, concentrada em sua juventude e maturidade inicial, é marcada por temas pastoris, comuns ao Arcadismo, mas também por um tom de crítica social e um sentimento de insatisfação com a situação política e econômica da colônia. Participou ativamente da vida literária de Minas Gerais, colaborando em manifestações poéticas e intelectuais do período, embora não tenha tido uma produção vasta.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras mais conhecidas de Alvarenga Peixoto estão inseridas no contexto do Arcadismo mineiro. Seus poemas frequentemente exploram a temática pastoril, com referências à natureza idealizada, mas também trazem alusões à realidade social e política da colônia, antecipando um sentimento de nacionalismo e insatisfação. Utilizou frequentemente o soneto e outras formas poéticas tradicionais, com um vocabulário que buscava a clareza e a elegância, em sintonia com os preceitos arcádicos. Sua voz poética oscila entre o lirismo bucólico e um tom de reflexão sobre a liberdade e a pátria. Sua obra, embora não extensa, é representativa do movimento arcádico em Minas Gerais, com uma linguagem cuidada e uma métrica regular. Algumas de suas poesias mais notáveis foram reunidas em antologias póstumas.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Alvarenga Peixoto viveu em um período de intensa efervescência política e intelectual no Brasil Colônia, especialmente em Minas Gerais. Foi contemporâneo e participante ativo da Inconfidência Mineira, movimento de caráter separatista que visava à independência da região. Essa participação o colocou em rota de colisão com o poder colonial português, culminando em sua prisão e degredo. Sua geração, conhecida como a "geração de 1770", foi marcada pelas influências do Iluminismo europeu e por um crescente sentimento de identidade nacional. As tensões com o domínio português e a busca por liberdade foram temas centrais em seu contexto.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida de Alvarenga Peixoto foi profundamente marcada por seu engajamento político. Sua participação na Inconfidência Mineira teve consequências devastadoras em sua vida pessoal, levando ao seu isolamento e à sua morte no exílio. Era um homem de posses e com uma formação intelectual sólida, o que lhe permitiu circular em círculos intelectuais e políticos de destaque. Não há muitas informações detalhadas sobre suas relações afetivas ou familiares, mas é certo que seu destino foi selado por suas convicções.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Em vida, o reconhecimento de Alvarenga Peixoto esteve ligado ao seu círculo de amigos e correligionários inconfidentes. Após sua morte, sua obra passou a ser gradualmente valorizada como um importante registro do Arcadismo mineiro e do pensamento libertário da época. A sua figura como inconfidente e poeta contribuiu para a sua inclusão no panteão de figuras históricas e literárias do Brasil, embora seu reconhecimento acadêmico e popular seja menor em comparação a outros poetas de sua geração.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Alvarenga Peixoto foi influenciado pelas ideias iluministas e pelo movimento arcádico europeu, como comprovam seus estudos em Coimbra e sua produção literária. Sua atuação e sua poesia, mesmo que em menor escala, influenciaram a percepção da poesia mineira e o sentimento de identidade nacional nas gerações posteriores. Ele é lembrado como um dos poetas do Arcadismo brasileiro e um mártir da causa da independência, um legado que transcende sua obra literária.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Alvarenga Peixoto pode ser interpretada à luz do contexto arcádico e das aspirações de liberdade que o levaram à Inconfidência Mineira. Suas poesias pastoris, embora convencionais em forma, podem ser vistas como um refúgio ou uma forma velada de expressar um desejo por uma vida mais livre e harmônica, em contraste com a opressão colonial. A crítica social implícita em alguns de seus versos é um ponto de interesse para a análise.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto curioso da vida de Alvarenga Peixoto é a sua ligação direta entre a poesia e a ação política. Sua pena serviu tanto para compor versos bucólicos quanto para expressar ideais revolucionários, culminando em um destino trágico. Não há muitos relatos anedóticos sobre seus hábitos de escrita ou rituais criativos, sendo sua figura mais conhecida pelo seu papel histórico e pela sua produção literária concisa.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Alvarenga Peixoto morreu em Luanda, Angola, para onde foi degredado após a descoberta da Inconfidência Mineira. Sua morte ocorreu em 1791. Publicações póstumas de sua obra, juntamente com a de outros inconfidentes, ajudaram a perpetuar sua memória como poeta e patriota.

Poemas

10

Bárbara bela

Bárbara bela,
do Norte estrela,
que o meu destino
sabes guiar,
de ti ausente,
triste, somente
as horas passo
a suspirar.
   Isto é castigo
   que Amor me dá.

Por entre as penhas
de incultas brenhas
cansa-me a vista
de te buscar;
porém não vejo
mais que o desejo,
sem esperança
de te encontrar.
   Isto é castigo
   que Amor me dá.

Eu bem queria
a noite e o dia
sempre contigo
poder passar;
mas orgulhosa
sorte invejosa
desta fortuna
me quer privar.
   Isto é castigo
   que Amor me dá.

Tu, entre os braços,
ternos abraços
da filha amada
podes gozar.
Priva-me a estrela
de ti e dela,
busca dois modos
de me matar.
   Isto é castigo
   que Amor me dá.

In: LAPA, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: INL, 1960
69 600

Canto Genetlíaco

Bárbaros filhos destas brenhas duras,
nunca mais recordeis os males vossos;
revolvam-se no horror das sepulturas
dos primeiros avós os frios ossos:
que os heróis das mais altas cataduras
principiam a ser patrícios nossos;
e o vosso sangue, que esta terra ensopa,
já produz frutos do melhor da Europa.

Bem que venha a semente à terra estranha,
quando produz, com igual força gera;
nem do forte leão, fora de Espanha,
a fereza nos filhos degenera;
o que o estio numas terras ganha,
em outras vence a fresca primavera;
e a raça dos heróis da mesma sorte
produz no sul o que produz no norte.

(...)

Isto, que Europa barbaria chama,
do seio das delícias, tão diverso,
quão diferente é para quem ama
os ternos laços de seu pátrio berço!
O pastor loiro, que o meu peito inflama,
dará novos alentos ao meu verso,
para mostrar do nosso herói na boca
como em grandezas tanto horror se troca.

"Aquelas serras na aparência feias,
— dirá José — oh quanto são formosas!
Elas conservam nas ocultas veias
a força das potências majestosas;
têm as ricas entranhas todas cheias
de prata, oiro e pedras preciosas;
aquelas brutas e escalvadas serras
fazem as pazes, dão calor às guerras.

"Aqueles matos negros e fechados,
que ocupam quase a região dos ares,
são os que, em edifícios respeitados,
repartem raios pelos crespos mares.
Os coríntios palácios levantados,
dóricos templos, jônicos altares,
são obras feitas desses lenhos duros,
filhos desses sertões feios e escuros.

"A c'roa de oiro, que na testa brilha,
e o cetro, que empunha na mão justa
do augusto José a heróica filha,
nossa rainha soberana augusta;
e Lisboa, da Europa maravilha,
cuja riqueza todo o mundo assusta,
estas terras a fazem respeitada,
bárbara terra, mas abençoada.

"Estes homens de vários acidentes,
pardos e pretos, tintos e tostados,
são os escravos duros e valentes,
aos penosos trabalhos costumados:
Eles mudam aos rios as correntes,
rasgam as serras, tendo sempre armados
da pesada alavanca e duro malho
os fortes braços feitos ao trabalho.

(...)


Publicado no livro ALMANAK das Musas: nova coleção de poesias oferecida ao gênio português (1793).

In: LAPA, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: INL, 1960
9 235

A Maria Ifigênia

Em 1786, quando completava sete anos.

Amada filha, é já chegado o dia,
Em que a luz da razão, qual tocha acesa,
Vem conduzir a simples natureza:
— É hoje que teu mundo principia.

A mão que te gerou, teus passos guia;
Despreza ofertas de uma vã beleza,
E sacrifica as honras e a riqueza
Às santas leis do Filho de Maria.

Estampa na tu alma a Caridade,
Que amar a Deus, amar aos semelhantes,
São eternos preceitos de verdade;

Tudo o mais são idéias delirantes;
Procura ser feliz na Eternidade,
Que o mundo são brevíssimos instantes.

6 167

De açucenas e rosas misturadas

De açucenas e rosas misturadas
não se adornam as vossas faces belas,
nem as formosas tranças são daquelas
que dos raios do sol foram forjadas.

As meninas dos olhos delicadas,
verde, preto ou azul não brilha nelas;
mas o autor soberano das estrelas
nenhumas fez a elas comparadas.

Ah, Jônia, as açucenas e as rosas,
a cor dos olhos e as tranças d'oiro
podem fazer mil Ninfas melindrosas;

Porém quanto é caduco esse tesoiro:
vós, sobre a sorte toda das formosas,
inda ostentais na sábia frente o loiro!


In: LAPA, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: INL, 1960
3 851

Liras

(A Bárbara Heleodora, sua esposa, remetidas
do cárcere da Ilha das Cobras)

Bárbara bela,
Do norte estrela,
Que o meu destino
Sabes guiar,
De ti ausente,
Triste, somente
As horas passo
A suspirar.

Por entre as penhas
De incultas brenhas,
Cansa-me a vista
De te buscar;
Porém não vejo
Mais que o desejo
Sem esperança
De te encontrar.

Eu bem queria
A noite e o dia
Sempre contigo
Poder passar;
Mas orgulhosa
Sorte invejosa
Desta fortuna
Me quer privar.

Tu, entre os braços,
Ternos abraços
Da filha amada
Podes gozar;
Priva-me a estrela
De ti e dela,
Busca dois modos
De me matar!

3 352

Sonho Poético

Oh, que sonho, oh, que sonho eu tive nesta
feliz, ditosa, sossegada sesta!
Eu vi o Pão d'Açúcar levantar-se,
e no meio das ondas transformar-se
na figura do Índio mais gentil,
representando só todo o Brasil.
Pendente a tiracol de branco arminho,
côncavo dente de animal marinho
as preciosas armas lhe guardava:
era tesouro e juntamente aljava.
De pontas de diamante eram as setas,
as hásteas de ouro, mas as penas pretas;
que o Índio valeroso, ativo e forte,
não manda seta em que não mande a morte.
Zona de penas de vistosas cores,
guarnecida de bárbaros lavores,
de folhetas e pérolas pendentes,
finos cristais, topázios transparentes,
em recamadas peles de saíras,
rubins, e diamantes e safiras,
em campo de esmeralda escurecia
a linda estrela que nos traz o dia.
No cocar... oh! que assombro, oh! que riqueza!
Vi tudo quanto pode a natureza:
no peito, em grandes letras de diamante,
o nome da Augustíssima Imperante.
De inteiriço coral novo instrumento
as mãos lhe ocupa, enquanto ao doce acento
das saudosas palhetas, que afinava,
Píndaro Americano assim cantava:
"Sou vassalo, sou leal;
como tal,
fiel constante,
sirvo à glória da imperante,
sirvo à grandeza real.
Aos Elísios descerei,
fiel sempre a Portugal,
ao famoso vice-rei,
ao ilustre general,
às bandeiras que jurei.
Insultando o fado e a sorte
e a fortuna desigual,
a quem morrer sabe, a morte
nem é morte nem é mal."


In: LAPA, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: INL, 1960.
5 734

Eu vi a linda Jônia e, namorado

Eu vi a linda Jônia e, namorado,
fiz logo voto eterno de querê-la;
mas vi depois a Nise, e é tão bela,
que merece igualmente o meu cuidado.

A qual escolherei, se, neste estado,
eu não sei distinguir esta daquela?
Se Nise agora vir, morro por ela,
se Jônia vir aqui, vivo abrasado.

Mas ah! que esta me despreza, amante,
pois sabe que estou preso em outros braços,
e aquela me não quer, por inconstante.

Vem, Cupido, soltar-me destes laços:
ou faze destes dois um só semblante,
ou divide o meu peito em dois pedaços!


In: LAPA, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: INL, 1960
4 785

Amada filha, é já chegado o dia

Amada filha, é já chegado o dia,
em que a luz da razão, qual tocha acesa
vem conduzir a simples natureza,
é hoje que o teu mundo principia.

A mão que te gerou teus passos guia,
despreza ofertas de uma vã beleza,
e sacrifica as honras e a riqueza
às santas leis do filho de Maria.

Estampa na tua alma a caridade,
que amar a Deus, amar aos semelhantes,
são eternos preceitos da verdade.

Tudo o mais são idéias delirantes;
procura ser feliz na eternidade,
que o mundo são brevíssimos instantes.


In: LAPA, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: INL, 1960
4 011

Ao mundo esconde o Sol seus resplendores

Ao mundo esconde o Sol seus resplendores,
e a mão da Noite embrulha os horizontes;
não cantam aves, não murmuram fontes,
não fala Pã na boca dos pastores.

Atam as Ninfas, em lugar de flores,
mortais ciprestes sobre as tristes frontes;
erram chorando nos desertos montes,
sem arcos, sem aljavas, os Amores.

Vênus, Palas e as filhas da Memória,
deixando os grandes templos esquecidos,
não se lembram de altares nem de glória.

Andam os elementos confundidos:
ah, Jônia, Jônia, dia de vitória
sempre o mais triste foi para os vencidos!


In: LAPA, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: INL, 196
3 479

Oh, que sonho, oh, que sonho eu tive nesta

feliz, ditosa, sossegada sesta!
Eu vi o Pão d`Açúcar levantar-se,
e no meio das ondas transformar-se
na figura do Índio mais gentil,
representando só todo o Brasil.
Pendente a tiracol de branco arminho,
côncavo dente de animal marinho
as preciosas armas lhe guardava:
era tesouro e juntamente aljava.
De pontas de diamante eram as setas,
as hásteas de ouro, mas as penas pretas;
que o Índio valeroso, ativo e forte,
não manda seta em que não mande a morte.
Zona de penas de vistosas cores,
guarnecida de bárbaros lavores,
de folhetas e pérolas pendentes,
finos cristais, topázios transparentes,
em recamadas peles de saíras,
rubins, e diamantes e safiras,
em campo de esmeralda escurecia
a linda estrela que nos traz o dia.
No cocar... oh! que assombro, oh! que riqueza!
Vi tudo quanto pode a natureza:
no peito, em grandes letras de diamante,
o nome da Augustíssima Imperante.
De inteiriço coral novo instrumento
as mãos lhe ocupa, enquanto ao doce acento
das saudosas palhetas, que afinava,
Píndaro Americano assim cantava:
"Sou vassalo, sou leal;
como tal,
fiel constante,
sirvo à glória da imperante,
sirvo à grandeza real.
Aos Elísios descerei,
fiel sempre a Portugal,
ao famoso vice-rei,
ao ilustre general,
às bandeiras que jurei.
Insultando o fado e a sorte
e a fortuna desigual,
a quem morrer sabe, a morte
nem é morte nem é mal."

In: LAPA, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: INL, 1960.
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Comentários (2)

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Cris lorrane
Cris lorrane

Muito bom?

desconhecido
desconhecido

de quem e essa obra ?