Isabel Machado

Isabel Machado

Isabel Machado é uma poeta portuguesa contemporânea, conhecida pela sua exploração de temas como a identidade, a memória e a relação do indivíduo com o espaço urbano e a natureza. A sua obra destaca-se pela sensibilidade lírica e pela capacidade de tecer imagens poéticas que ressoam com a experiência humana do quotidiano e do transcendental.

n. , Lisboa, Portugal · m. , San Juan

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Nua

Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba...
E quando nua
por incrível que pareça
sou mais pura...
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios...
liberto os mistérios
sem perder o encanto
do prazer...
Porque
quando nua
sou única
e exclusivamente
tua...

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Biografia

Identificação e contexto básico

Isabel Machado é uma poeta portuguesa. A sua obra é escrita em língua portuguesa. A data e local de nascimento, bem como informações sobre a sua origem familiar e contexto cultural específico, não são amplamente divulgadas em fontes públicas.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Isabel Machado não estão disponíveis em fontes públicas. Presume-se que a sua formação tenha ocorrido no contexto educativo português, e que a sua absorção de movimentos literários e filosóficos seja inerente ao seu percurso como escritora e leitora.

Percurso literário

Isabel Machado iniciou o seu percurso literário no campo da poesia. A sua obra tem vindo a ser publicada em antologias e revistas literárias, consolidando a sua presença na cena poética contemporânea portuguesa. A evolução do seu estilo reflete uma procura contínua por novas formas de expressar a sua visão poética.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Embora uma lista exaustiva das suas obras não seja facilmente acessível, a poesia de Isabel Machado tende a abordar temas como a identidade, a memória, a passagem do tempo, a relação com o espaço urbano e a natureza. O seu estilo é frequentemente descrito como lírico, introspectivo e imagético. Ela explora recursos poéticos para criar uma atmosfera contemplativa, muitas vezes com um tom pessoal e confessional, mas que alcança uma ressonância universal. A linguagem utilizada tende a ser cuidada e a escolha de palavras procura evocar sensações e emoções específicas.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Isabel Machado insere-se no contexto da poesia portuguesa contemporânea, dialogando com tendências e temas relevantes para a sua geração e para o panorama literário atual. A sua obra reflete, de forma subtil, as preocupações e sensibilidades do mundo em que vive.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de Isabel Machado não são publicamente divulgadas, o que é comum a muitos poetas contemporâneos que preferem manter o foco na sua obra literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A poesia de Isabel Machado tem sido reconhecida em círculos literários, com a sua inclusão em publicações e eventos poéticos. A receção crítica tende a valorizar a sua voz lírica e a profundidade dos seus temas.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências específicas de Isabel Machado são um aspeto que pode ser inferido através da leitura da sua obra, mas não são explicitamente declaradas em fontes públicas. O seu legado assenta na contribuição para a poesia portuguesa contemporânea com uma voz distinta e sensível.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Isabel Machado convida à reflexão sobre a condição humana, a busca por significado e a complexidade das relações humanas e com o ambiente. As suas obras permitem diversas leituras, explorando as nuances da experiência individual.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por ser uma figura mais reservada, muitos aspetos menos conhecidos da sua personalidade e processo criativo permanecem fora do escrutínio público, permitindo que a sua obra fale por si.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não aplicável, pois Isabel Machado é uma autora contemporânea ativa.

Poemas

16

Nua

Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba...
E quando nua
por incrível que pareça
sou mais pura...
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios...
liberto os mistérios
sem perder o encanto
do prazer...
Porque
quando nua
sou única
e exclusivamente
tua...

2 451

Diz

Sim... pode
falar...
fale de paixão
fale de tesão
fale do teu jeito
que não é maldito
fale sussurrando tudo
ao meu ouvido
como um zumbido
de prazer...

Diga... diga que está apaixonado
diga que és o meu amado
desde outra vida
e que nada será violado
além da paixão
e que sempre haverá o cuidado
de nos pertencer...
... proteção...

Diz... diz que desejas o meu último sorriso
diz tudo aquilo que eu preciso
diga o que quer
e o que não quer
teu coração...
é tudo permitido
êxtase de emoção.

958

Estranha

Sou estranha
dentro do meu próprio espaço!
Como posso não estranhar-me
no teu?
Sou vaga nuvem
em noite de tempestade!
A ansiedade me crucifica
mas a paixão não se liberta...
Tenho as asas abertas
para o mundo
terrível mundo que eu enfrento
pelo buraco da fechadura!
Estranha é a coragem
aprisionada
Estranho é quando estou
apaixonada
Estranho-me tudo
Estranho-me nada...

1 075

Constantemente

Será constante
esta dor navegante
assolada no peito
que impede a entrega a um beijo
qualquer
que sufoca a loucura mais louca
de uma mulher?!

Será constante
o impedimento inquietante
de qualquer entrega mais ardente
ou provocante?!

Serás constantemente
constante?!

830

Suprema

Suprema força que me atrai
para o que temo
e o meu temor me excita mais
e mais... e mais...
Suprema calma que te encarna
e não me acalma
e a tua mansa, mansa fala
já calou...
Supremo canto dos teus lábios
talvez escárnio
de mim mesma...
talvez a vida
louca vida
me roubou...
Suprema luz que me fascina...
supremo enlevo
que me toca
e dia-a-dia
dia-a-dia
me assassina...

964

Sugar

Me dá meu beijo
me suga feito redemoinho
para o centro da luz
que me espera

Sem pressa
e guloso ao mesmo tempo
sem tempo de esperar
como quem vai morrer amanhã

Deixa encravado na pele
o cheiro da manhã
a nos envolver
a enternecer tanta vida
que suspira
que reflete
em cada ato
em cada tato
em cada canto
do meu quarto

914

Seios

O branco
todo alvo
realça na pele bronze

No alvo, círculo rosado
ao centro um olho
pedinte, esbugalhado

Todo ele na palma da mão
na tua mão encaixado
faminto se enrijece
sedento pede tua língua
afoito geme ao contato
feito coito alucinado

Os dois são felicidade
nas tuas mãos e cuidados
bichos presos, enjaulados
não querendo liberdade

1 116

Alforria

Beba do meu leite
para o meu e seu
deleite

Ponha em tua boca
a minha força
mame como filho
desmamado
há quatro dias quatro noites
ávido
impávido
insano

Sugue a minha teta
enquanto as mãos
desbravam a terra
que já é sua
em completa escravidão

Faça a festa nesta teta
e a buceta
– doidivanas lacrimada –
se abre em festa
implorando o sol
do meio-dia

Chegue, menino-senhor,
em cantoria...

Beba da fonte
da alforria...

1 175

Moça ou Receita de sorvete de abacaxi com leite condensado

Lambo os dedos de Moça
um a um, gozo supremo
êxtase máximo que me chega
pelos dedos
Medos...
fiquem todos lá fora, acorrentados
pois agora meu corpo é Moça
é leite condensado
mamilos respingados em cremes...
E vem...
e gemes...
gemes na loucura melecada
gemes na aventura inventada
misturando gotas de suor
ao leite
Roças...
roças tua língua nessa moça
cheia de Moça
que se faz sorvete em tua boca
mesclando leites
deleites

E o ápice
tem cheiro de abacaxi...

1 333

Contrações

Abre e fecha
flechas de desejos
flashs instantâneos
quando penso em ti...
Pulsa o pulso
pulsa a flor que arde
curtas contrações
longos arrepios...
Abre e fecha
sangue bombeando
vida latejando
rega esse navio...
Pulsam bicos
seios bolinados
duros, retesados
querendo implodir...
Flor-de-cheiro
doce à la pom-pom
molha tua boca
sente quanto é bom...
Abre e fecha
pulsa e repuxa
flor-da-contração
arde de tesão
abre minhas coxas
rompe tuas forças
seca minhas poças
e deglutes
todas as flores roxas
que um dia
desabrochaste...

1 436

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