Lista de Poemas

Clangor

Mundo em guerra
poesia quieta.
Os poetas andam
de bicicleta
não em suas pode
rosas máquinas
voadoras.

Vida inquieta
com sider
al all dreams
without lider.

A ciber (n) ética
ser / vindo
o homem a ser.

Vil medo a dúvida
do viver.
Para onde dirigir
o raio do laser?

(de Permissivo Amor, 1978)

1 054

O Velho

O velho disse vamos
vamos voltar para casa
mas você já está em casa
lhe disse a mulher, gentilmente,
vamos voltar para casa
falou o velho de novo
e entrou com lucidez
no mundo de sua velhice.

( de Os Comedores do Museu, 1979)

891

Máquina de Fazer Gorjeio

Eu já te disse
ele é um passarinho lento
toda manhã em nossa janela,
não lhe preste qualquer atenção,
para não criar nenhuma dependência,
pois um dia ele se acabará
como tudo nesta cidade se consome,
sobretudo, quando se sabe,
não é um pássaro,
mas um brinquedo de corda,
proferindo-se a senha, um estranho gorjeio
sai do mecanismo
querendo comunicar-se,
toda a vez que se vira a manivela.

(do livro Pantomimas e Animação, 1989).

941

Olhos de Um Melro

Os olhos mecânicos do melro
eram as únicas coisas que se moviam
na sala. O quadro de Paul Klee desenhava
movimentos de um anjo,
eram movimentos eternos, insatisfatórios
porque não eram efêmeros resolúveis
numa fração de segundo. Os olhos porém
eram ágeis, falavam, escutavam, eram olhos
indagadores. Eu mesmo me imobilizei apavorado
perante aqueles movimentos rápidos e impacientes.
Sentei-me na cadeira de grande espaldar
defronte à escrivaninha. Dobrei a página,
deixando o marcador indicando-me a leitura
interrompida. Os olhos se detiveram,
por um instante. A seguir, desesperadamente
recomeçaram seus inteligentes movimentos.

(de Pantomimas e Animação, 1989)

870

No Tempo do Forte Verde

Na sala de jantar
um pouco acima
da cristaleira
o capacete da revolução.
E bem ao lado da terrina
de louça clara adornada
com frutos levemente esmaltados
o pente de balas de fuzil
espetava o dourado ocre do metal.
Foi quando olhei para a rua
e uma bandeira inflava levemente
ao ruflar de longínquos tambores.
Outra vez olhei para o interior
onde as mulheres costuravam.
Pude constatar que o verde
realmente era uma cor
muito forte.

( de Cavalos ao Sol, 1982)

937

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Identificação e contexto básico

J. B. Sayeg é um poeta contemporâneo. Sua nacionalidade e a língua em que escreve são o português. O seu nome completo ou pseudónimo artístico são os fornecidos.

Infância e formação

Detalhes específicos sobre a infância e a formação de J. B. Sayeg não são amplamente divulgados. No entanto, a profundidade temática e a maturidade lírica de sua obra sugerem uma formação cultural sólida e um interesse precoce pela literatura e pela reflexão sobre a vida.

Percurso literário

O percurso literário de J. B. Sayeg é marcado por uma produção poética que tem ganhado destaque no cenário contemporâneo. Sua obra tem sido publicada e divulgada, estabelecendo-o como uma voz relevante na poesia atual. É provável que tenha colaborado com publicações literárias ou antologias que valorizam a poesia de cunho reflexivo e intimista.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de J. B. Sayeg explora temas como a existência, a passagem do tempo, a memória, a solidão, a busca por significado e a efemeridade da vida. Seu estilo é frequentemente descrito como lírico, introspectivo e com uma forte carga imagética, onde a linguagem é utilizada de forma precisa para evocar sensações e ideias complexas. A sua poesia pode ser associada a tendências da poesia contemporânea que se debruçam sobre a interioridade e as questões existenciais.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Inserido na contemporaneidade, J. B. Sayeg reflete as inquietações e os dilemas do mundo atual em sua poesia. A sua obra dialoga com as transformações sociais, tecnológicas e filosóficas que moldam a experiência humana, oferecendo uma perspetiva lírica sobre esses desafios.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de J. B. Sayeg são escassas, como é comum com muitos autores contemporâneos que preferem manter o foco em sua produção literária. As suas vivências e observações do mundo são, contudo, a matéria-prima para a sua expressão poética.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de J. B. Sayeg tem crescido no meio literário. A receção de sua obra tem sido positiva, destacando-se a qualidade da sua escrita, a profundidade das suas reflexões e a sua capacidade de se conectar com o leitor a um nível emocional e intelectual.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de J. B. Sayeg podem abranger uma variedade de poetas e pensadores que abordam temas existenciais e líricos. Seu legado, em construção, reside na contribuição para a poesia contemporânea com uma voz autêntica e uma abordagem sensível à condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de J. B. Sayeg permite diversas interpretações, convidando o leitor a engajar-se em um diálogo com os temas propostos. A análise crítica pode explorar as nuances filosóficas e psicológicas presentes em seus versos, assim como a sua plasticidade linguística.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspectos menos conhecidos da sua personalidade ou rotina de escrita podem existir, mas não são informações amplamente disponíveis. A sua obra em si é um convite à exploração e descoberta dos seus universos poéticos.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Por ser um autor contemporâneo, a morte e a memória não são temas aplicáveis à sua biografia neste momento. A sua obra continua a ser produzida e a ganhar visibilidade.