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Paradoxes and Oxymorons

Paradoxes and Oxymorons

This poem is concerned with language on a very plain level.

Look at it talking to you. You look out a window

Or pretend to fidget. You have it but you don’t have it.

You miss it, it misses you. You miss each other.

The poem is sad because it wants to be yours, and cannot.

What’s a plain level? It is that and other things,

Bringing a system of them into play. Play?

Well, actually, yes, but I consider play to be

A deeper outside thing, a dreamed role-pattern,

As in the division of grace these long August days

Without proof. Open-ended. And before you know

It gets lost in the stream and chatter of typewriters.

It has been played once more. I think you exist only

To tease me into doing it, on your level, and then you aren’t there

Or have adopted a different attitude. And the poem

Has set me softly down beside you. The poem is you.

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Identificação e contexto básico

John Ashbery (1927-2017) foi um poeta americano proeminente e influente, considerado uma figura central na poesia pós-guerra americana. Embora seja mais conhecido pelo seu nome de batismo, John Ashbery, a sua escrita é marcada por uma complexidade e uma profundidade que muitas vezes transcendem a identificação pessoal direta. Nasceu em Rochester, Nova Iorque, numa família de origens rurais e académicas, e a sua língua de escrita foi sempre o inglês. Viveu e trabalhou predominantemente nos Estados Unidos, mas a sua obra ressoa internacionalmente. O contexto histórico em que viveu abrangeu a Guerra Fria, o movimento pelos direitos civis, a contracultura dos anos 60, e a ascensão da globalização, elementos que, de forma subtil ou explícita, se refletem na sua poesia.

Infância e formação

Ashbery cresceu em Sodus, uma pequena cidade na região dos Finger Lakes, Nova Iorque, num ambiente familiar marcado pela ausência da mãe, uma pianista, e pela presença do pai, um agricultor. Esta infância numa paisagem rural e algo isolada pode ter contribuído para a introspeção e a observação detalhada que caracterizam a sua obra. Frequentou a Deerfield Academy e, posteriormente, a Universidade de Harvard, onde estudou literatura inglesa e se graduou em 1949. Foi em Harvard que desenvolveu o seu interesse pela poesia e pela crítica literária, contactando com outros futuros escritores e intelectuais. As suas leituras iniciais incluíam poetas da tradição modernista como T.S. Eliot e W.H. Auden, mas também se interessou por poesia surrealista e pela filosofia.

Percurso literário

Ashbery começou a escrever poesia seriamente durante os seus anos universitários. O seu primeiro livro publicado, "Some Trees", surgiu em 1956, já mostrando indícios do seu estilo peculiar. Seguiu-se "The Tennis Court Oath" (1962), um livro que marcou uma viragem para uma linguagem mais fragmentada e experimental. Ao longo das décadas seguintes, publicou uma vasta obra, incluindo "Rivers and Mountains" (1966), "The Double Dream of Spring" (1970), e o aclamado "Self-Portrait in a Convex Mirror" (1975), que lhe valeu o Prémio Pulitzer, o National Book Award e o National Book Critics Circle Award. Ashbery também foi um prolífico crítico literário, com colaborações regulares em publicações como a "Partisan Review" e o "New York Magazine", onde escreveu por muitos anos. Trabalhou também como editor e lecionou em diversas instituições, como a Brooklyn College e a Bard College.

Obra, estilo e características literárias

A obra de Ashbery é conhecida pela sua complexidade, ambiguidade e pela exploração da subjetividade. Os seus poemas frequentemente desafiam narrativas lineares e lógicas convencionais, utilizando o fluxo de consciência, a justaposição de imagens díspares e uma linguagem que transita entre o quotidiano e o filosófico. Temas recorrentes incluem a natureza da percepção, a memória, o tempo, a identidade, a arte e a própria linguagem. Ashbery experimentou com diversas formas poéticas, mas é particularmente notável pelo seu domínio do verso livre e pela criação de longos poemas meditativos que parecem desdobrar-se organicamente. O seu tom pode variar desde o lírico e contemplativo ao irónico e melancólico, muitas vezes numa mesma peça. A linguagem é densa, repleta de metáforas inesperadas e alusões culturais diversas, criando um efeito de polifonia e multiplicidade de vozes. Ashbery é frequentemente associado ao Modernismo tardio e a uma forma de Pós-Modernismo, mas o seu estilo é tão singular que resiste a categorizações estritas. Obras menos conhecidas incluem os seus textos em prosa e as suas traduções.

Contexto cultural e histórico

John Ashbery emergiu como poeta num período de intensa efervescência cultural nos Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial. Foi associado à chamada "New York School" de poesia, um grupo de poetas que partilhavam um certo cosmopolitismo, um interesse pela arte visual (particularmente o expressionismo abstrato) e uma abordagem mais coloquial e experimental à linguagem poética, em contraste com a poesia mais formalista de outras correntes. Viveu uma vida relativamente discreta, longe dos holofotes, mas o seu círculo incluía figuras proeminentes das artes, como os pintores Willem de Kooning e Jasper Johns, e outros poetas como Frank O'Hara e Kenneth Koch. A sua poesia reflete um diálogo constante com a cultura contemporânea, absorvendo e questionando os seus valores e as suas formas de expressão. A sua obra, embora frequentemente abstrata, pode ser vista como uma resposta às ansiedades e às transformações da sociedade americana do pós-guerra.

Vida pessoal

John Ashbery manteve uma relação duradoura com o pintor David Kermani. Embora a sua vida pessoal fosse geralmente reservada, as suas relações afetivas e as suas experiências, muitas vezes transmutadas em imagens poéticas, são um elemento subjacente na sua obra. Ashbery trabalhou como professor de literatura em diversas universidades, o que lhe proporcionou estabilidade financeira para se dedicar à escrita. As suas crenças filosóficas pareciam pender para um certo ceticismo existencial e uma valorização da experiência estética como meio de apreender a realidade. Não se conhece um grande envolvimento político explícito na sua vida, mas a sua poesia, ao questionar as formas de representação e comunicação, pode ser vista como um ato de resistência subtil às ideologias dominantes.

Reconhecimento e receção

John Ashbery recebeu amplo reconhecimento ao longo da sua carreira, culminando com os prestigiados prémios por "Self-Portrait in a Convex Mirror". Foi considerado por muitos críticos como o maior poeta vivo dos Estados Unidos durante as últimas décadas do século XX e início do século XXI. A sua poesia, no entanto, sempre foi objeto de debate: enquanto alguns a celebravam pela sua originalidade e profundidade, outros a criticavam pela sua dificuldade e hermetismo. O reconhecimento académico foi substancial, com inúmeros estudos e ensaios dedicados à sua obra. A sua popularidade entre o público em geral foi mais moderada, dada a natureza desafiadora da sua poesia, mas manteve uma influência considerável entre poetas e leitores mais dedicados.

Influências e legado

Ashbery foi profundamente influenciado por poetas como Arthur Rimbaud, Stéphane Mallarmé, W.H. Auden, Wallace Stevens e os surrealistas franceses. O seu próprio legado é imenso. Ele abriu novos caminhos para a poesia americana, demonstrando que era possível ser inovador e complexo sem recorrer a formalismos excessivos ou a confissões explícitas. Influenciou gerações de poetas que buscaram explorar a linguagem, a subjetividade e a intersecção entre a vida interior e o mundo exterior. A sua obra faz parte do cânone da literatura americana e tem sido amplamente traduzida para diversas línguas, promovendo a difusão internacional da sua poesia. Estudos académicos continuam a investigar a sua vasta e complexa obra.

Interpretação e análise crítica

A obra de Ashbery convida a múltiplas leituras, desafiando interpretações únicas e definitivas. Muitos críticos destacam a dimensão filosófica da sua poesia, que aborda questões fundamentais sobre a existência, a consciência e a natureza da realidade. A sua exploração da ambiguidade e da fragmentação da experiência moderna tem sido objeto de debate, com alguns a verem nela um reflexo da condição pós-moderna e outros a encontrarem uma profunda ressonância existencial. A constante tensão entre o pessoal e o impessoal, o familiar e o estranho, é um dos aspetos mais fascinantes e debatidos da sua poesia.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Ashbery era conhecido pela sua modéstia e pela sua disposição amável, contrastando com a complexidade por vezes assustadora da sua poesia. Ele apreciava a vida quotidiana e os pequenos prazeres, elementos que, de forma inesperada, podiam infiltrar-se nos seus poemas. As suas colaborações com artistas visuais, como a escrita de textos para obras de Jasper Johns, revelam uma intersecção criativa entre a poesia e outras artes. Os seus hábitos de escrita eram, segundo relatos, regulares, mas não ritualísticos, dedicando tempo à leitura e à reflexão. A sua correspondência e os seus diários, quando publicados, oferecem vislumbres valiosos sobre o seu processo criativo e a sua perspetiva sobre o mundo literário.

Morte e memória

John Ashbery faleceu em 2017, aos 90 anos, na sua casa em Hudson, Nova Iorque. A sua morte foi sentida como a perda de uma das vozes mais importantes e originais da poesia americana. Publicações póstumas e a contínua reavaliação da sua obra asseguram que a sua memória e o seu legado poético permaneçam vivos e influentes. A sua obra continua a ser estudada, debatida e apreciada por novas gerações de leitores e poetas.