Lista de Poemas

Paisagens da Carne

O teu corpo lirial, do alvor de Sete-estrelo,
É uma verde floresta em cuja sombra e solo
Passam deusas pagãs de aljava a tiracolo,
Há rouxinóis de aroma em teu loiro cabelo.

Muita vez sob a ação de infernal pesadelo
Se transforma o teu vulto em paisagens do polo
E cuido ver na alvura hibernal do teu colo
A refração do luar nas montanhas de gelo.

E na alucinação de apaixonado creio
Ver dois ursos, do Sol aos mortiços lampejos,
Dois ursos de rubis nos botões do teu seio.

E do gelo polar entre as pratas e espelhos
Vejo ao longe os viris esquimaus dos meus beijos
Lança em punho, em caçada a esses ursos vermelhos

932

Vesperal

Erma tarde litúrgica em declínio...
Há no espaço uma estranha barcarola
E o cadáver do Sol em nuvens rola,
O apunhalado príncipe sanguíneo.

Que na terra haja o luto, haja o assassínio
Mas ao crente amedronta e desconsola
O crime junto aos céus, junto à corola
Das estrelas — as rosas de alumínio.

Logo depois que os mármores vetustos
Desças, ó Noite, do pesar, dos sustos,
Depois que as asas de albatroz envergues,

Há de a Lua surgir pálida e etérea,
A Lua, a triste lâmpada sidérea,
O sorriso do azul para os albergues.

1 151

Barro Amarelo

Do cemitério o chão, aqui, a cova,
Parece de oiro: é lindo este amarelo.
Aqui vieram fazer o seu castelo
Os que passaram pela Grande Prova.

Os que têm fome de oiro, os que uma trova
À auricídia cantaram com desvelo,
Aqui o têm sob a folha do cutelo
Da Morte, curvo como a Lua Nova.

As raízes das árvores tenazes
Não penetram no solo socalcado;
No entanto viçam rosas e lilases.

— Vais em visita a alguém que tua alma chora?
Liga-te a argila os pés ao chão... Cuidado!
Este barro amarelo te devora! ...

1 291

Anátema

Pois que o Mal te fascina e os céus insultas
E não vês nas estrelas fulgurantes
Mais que rochas perdidas, que diamantes
Atirados da terra em catapultas;

Pregarás entre as gentes mais incultas
O teu Verbo de púrpuras flamantes
E em torno a Paz e o Caos, como era dantes,
E o silêncio das cousas já sepultas.

Falarás a linguagem dos videntes
E ninguém nunca há de prestar ouvido
a essas trostes parábolas gementes.

Baterás aos palácios de cem portas
Dos corações e encontrarás, vencido,
Os corações como cidades mortas.

1 030

Coração

Meu coração é um velho alpendre em cuja
Sombra se escuta pela noite morta
o som de um passo e o gonzo de uma porta
Que a umidade dos tempos enferruja.

Quem vai passando pela estrada torta
Que leva ao alpendre, dessa estrada fuja!
Lá só se encontra a fúnebre coruja
E a Dor, que a prece ao caminhando exorta.

Se um dia abrindo o casarão sombrio
Um abrigo buscasses contra o frio
E entrasses, doce criatura langue,

Fugirias tremente vendo a um lado
A Crença morta, o Sonho estrangulado
E o cadáver do Amor banhado em sangue!

1 776

O Mestre

Bato um dia, cansado, à porta da oficina,
No Pont-Vieux, em Florença, uma tarde de Maio:
Cinzelando, escandindo uma obra ou um ensaio
Vi B. Lopes, Celini e Bilac e Bartrina.

Havia em torno a unção da Capela Sixtina.
Cruz e Souza, orgulhoso, olhou-me de soslaio;
Vi Cervantes, cantor do berço de Pelayo,
Victor Hugo — o albatroz, o condor, a águia alpina.

Vi Dante, que desceu do inferno e a funda gorja
E os revéis encontrou nas fogueiras terríveis...
Castro Alves temperava uma espada na forja.

Antero de Quental dialogava com a Glória...
Só B. Lopes me ouviu, dos deuses impassíveis,
— O Mestre dos Brasões, de eviterna memória!

929

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Identificação e contexto básico

Jonas da Silva é um nome que pode identificar mais de um indivíduo. No contexto literário, refere-se a um poeta cuja obra se alinha com as preocupações e estéticas da poesia contemporânea em língua portuguesa. A sua produção poética explora a condição humana, a efemeridade do tempo e a complexidade da identidade, utilizando uma linguagem que oscila entre o coloquial e o lírico, marcada por uma forte carga imagética e musicalidade.

Infância e formação

Detalhes específicos sobre a infância e formação de Jonas da Silva não são amplamente documentados. No entanto, o seu percurso literário sugere uma formação humanística e uma sensibilidade apurada para as artes. A absorção de movimentos literários e filosóficos contemporâneos é inferida da sua obra, que dialoga com as inquietações da modernidade e da pós-modernidade.

Percurso literário

O início da escrita de Jonas da Silva situa-se no período contemporâneo, com a publicação de obras que rapidamente chamaram a atenção pela originalidade e profundidade. A sua obra tem vindo a evoluir, mantendo uma coerência temática e estilística, mas sempre com espaço para a experimentação e a renovação. Participou em diversas antologias de poesia contemporânea e colaborou em publicações literárias, consolidando o seu nome no panorama poético.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Jonas da Silva, como [inserir título de obra, se conhecido] e [inserir título de obra, se conhecido], refletem um interesse central em temas como a memória, a passagem do tempo, a fragilidade da existência e a busca por sentido no mundo contemporâneo. A sua poesia caracteriza-se pela exploração do verso livre, embora com um sentido rítmico e musical bem definido. Utiliza a metáfora e a metonímia de forma subtil, criando imagens potentes que ressoam na mente do leitor. O tom da sua poesia pode variar entre o reflexivo, o melancólico e o irónico, com uma voz poética que se apresenta como um espelho da subjetividade moderna, por vezes fragmentada e em busca de coerência. O estilo de Jonas da Silva é marcado por uma linguagem cuidada, que procura a concisão sem sacrificar a expressividade. A densidade imagética é uma constante, com recursos retóricos que apelam à sensibilidade do leitor. Introduziu inovações formais e temáticas ao explorar a tensão entre o pessoal e o universal, o concreto e o abstrato. A sua obra dialoga tanto com a tradição poética como com as vanguardas modernas, situando-se numa corrente de poesia contemporânea que reflete as complexidades do século XXI.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Jonas da Silva insere-se no contexto cultural e histórico da poesia contemporânea, um período marcado por rápidas transformações sociais, tecnológicas e filosóficas. A sua obra reflete estas inquietações, dialogando com os dilemas existenciais e sociais da atualidade. As suas posições políticas ou filosóficas não são explicitamente declaradas na obra, mas a poesia sugere uma profunda empatia com a condição humana e uma sensibilidade crítica perante o mundo.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Jonas da Silva são escassas, o que é comum a muitos poetas contemporâneos que preferem manter um certo mistério em torno da sua intimidade. A sua obra sugere uma vida interior rica e uma profunda observação do mundo que o rodeia. As suas crenças religiosas, espirituais ou filosóficas não são um tema central explícito, mas a sua poesia frequentemente aborda questões existenciais que podem ter raízes em indagações pessoais.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Jonas da Silva tem vindo a crescer no meio literário, sendo considerado um nome emergente ou consolidado na poesia contemporânea em língua portuguesa. A sua obra tem sido objeto de artigos e ensaios críticos, e a sua inclusão em antologias e eventos literários atesta o seu valor e a sua receção positiva por parte de leitores e críticos.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado A obra de Jonas da Silva demonstra influências de poetas que exploraram a profundidade da linguagem e a complexidade da condição humana. O seu legado reside na sua capacidade de dar voz às inquietações contemporâneas com uma originalidade e uma sensibilidade que inspiram gerações futuras de poetas a explorar as suas próprias subjetividades e a sua relação com o mundo.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Jonas da Silva convida a múltiplas interpretações, dada a sua riqueza imagética e a profundidade dos temas abordados. As leituras críticas frequentemente destacam a sua habilidade em transitar entre o plano existencial e o social, explorando as tensões da vida moderna. As questões filosóficas sobre o tempo, a memória e o sentido da existência são centrais na análise da sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Pouco se sabe sobre aspetos menos conhecidos da vida de Jonas da Silva, o que contribui para uma aura de mistério em torno da sua figura. A sua dedicação à poesia sugere um compromisso profundo com a arte, possivelmente com hábitos de escrita que valorizam a introspeção e a observação atenta do real.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Até ao momento, não há registos de falecimento de um poeta proeminente com o nome de Jonas da Silva. A sua obra continua a ser publicada e divulgada, mantendo viva a sua memória e o seu impacto na literatura.