Lista de Poemas

El peregrino Kamanita (fragmento)

Mientras el Sublime pronunciaba estas palabras en casa del alfarero de Rajagaha, el peregrino Kamanita despertaba en el paraíso del Oeste.
Envuelto en una túnica roja que, suave y brillante como el pétalo de una flor, caía en pliegues abundantes, se encontró, sentado en sus piernas, sobre una enorme flor de loto del color de su túnica, que flotaba en un gran estanque. Por dondequiera, en la amplia superficie del agua se veían flores de loto rojas, azules y blancas; unas todavía en brote, aunque bastante desarrolladas, pero incontables, abiertas como la suya. Y casi de todas ellas salía una figura humana, cuya vestimenta parecía haber emergido de los pétalos de las flores.
En los márgenes del estanque, en la hierba verde, reían infinitas flores, como si hubieran renacido allí, en figura de flores, todas las piedras preciosas del mundo, conservando su brillo y sus juegos de color transparente, pero cambiando la dura coraza que habían llevado en su existencia terrenal por algo de planta, blanco, flexible y vivo. El aroma que despedían era más fuerte que el de todas las esencias fragantes que pueden encerrarse en un frasco de cristal; pero tenía la frescura del olor de las flores naturales.
De esta atractiva orla de los márgenes, la mirada encantada seguía deslizándose entre árboles altos y de amplias copas con follaje de esmeralda y refulgencias de piedras preciosas, unos aislados, en grupos otros, y otros formando espesos bosques, hasta las graciosas colinas de roca, que unas veces mostraban desnudas sus formas cristalinas, marmóreas y alabastrinas, y otras se cubrían de espesa maleza o aparecían salpicadas de olorosas flores. A lo lejos se veía una cañada en que rocas y bosques se apartaban para dejar paso a un río hermoso, que silenciosamente, como una corriente de luz de estrellas, se vertía en el estanque.
Por sobre todo este paisaje lucía la bóveda de un cielo de un azul intensísimo, y bajo esta cúpula flotaban blancas nubecillas de caprichosas formas, sobre las que se posaban graciosos geniecillos, cuyos instrumentos llenaban el espacio con los sones encantados de deliciosas armonías.
En este cielo no se veía sol alguno; mas tampoco era necesario, pues de las nubecillas y los genios, de rocas y flores, del agua y de las flores de loto, de las vestiduras de los bienaventurados, y más aún de sus rostros, irradiaba una luz maravillosa y dulcísima. Y así como esta luz era de una claridad resplandeciente, sin ser por eso deslumbradora, el tibio calor, saturado de fragancias, era refrescado por la constante brisa que salía del agua, y sólo respirar este aire era un placer al que no hay nada semejante en el mundo.
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Identificação e contexto básico

Karl Adolph Gjellerup (nascido Karl Adolph von Gjellerup) foi um escritor dinamarquês, laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1917. Nasceu a 2 de junho de 1857 e faleceu a 11 de outubro de 1919. A sua origem familiar era relativamente humilde, filho de um funcionário aduaneiro, mas com laços a uma antiga família de juristas e clérigos. A sua formação intelectual e as suas vivências moldaram-no numa figura de transição entre o naturalismo e uma profunda espiritualidade.

Infância e formação

Karl Adolph Gjellerup nasceu em Rogeløkke, um subúrbio de Copenhaga. O seu pai faleceu quando ele era jovem, deixando-o sob a tutela de um tio. Gjellerup estudou teologia na Universidade de Copenhaga, mas rapidamente se afastou da religião ortodoxa, desenvolvendo um forte interesse pelo naturalismo e pelas ideias de Charles Darwin. As suas primeiras leituras incluíram obras de Shakespeare, Goethe e os românticos alemães, bem como os contemporâneos naturalistas como Georg Brandes. O contato com as teorias evolucionistas foi um ponto de viragem na sua formação, afastando-o da fé religiosa tradicional e aproximando-o de uma visão mais científica e filosófica do mundo.

Percurso literário

O percurso literário de Gjellerup iniciou-se com o naturalismo. A sua primeira obra publicada, o romance "En Vinterdag" (Um Dia de Inverno), em 1878, ainda refletia as influências do realismo e do naturalismo. No entanto, a sua insatisfação com as limitações do materialismo e a crescente busca por um sentido espiritual levaram-no a afastar-se gradualmente dessas correntes. A partir da década de 1880, a sua obra começou a manifestar uma crescente espiritualidade, influenciada pelas filosofias orientais, especialmente o budismo. Esta transição marcou uma evolução significativa no seu estilo e nos temas abordados. Gjellerup colaborou com jornais e revistas literárias da época, e a sua obra evoluiu desde o naturalismo até a um misticismo oriental.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Gjellerup incluem "Antigon" (1884), "Mennesket uden Sjæl" (O Homem sem Alma, 1890), "Det højeste Væsen" (O Ser Supremo, 1890), e a sua obra mais célebre em alemão, "Der erobrer" (O Conquistador, 1902) e "Pilgrimmen Kamanita" (O Peregrino Kamanita, 1910). Os temas dominantes na sua obra são a busca pela verdade espiritual, a evolução, a relação entre o indivíduo e o universo, e a transcendência do ego. O seu estilo é erudito, reflexivo e, nas suas obras tardias, marcadamente orientalista. Utiliza frequentemente alegorias e simbolismos para expressar conceitos filosóficos e espirituais complexos. A sua linguagem, especialmente em alemão, torna-se mais densa e introspectiva, refletindo a sua jornada espiritual. Gjellerup é associado a uma busca pessoal pela verdade, transcendendo os limites dos movimentos literários da sua época, embora tenha começado no naturalismo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Gjellerup viveu num período de grandes transformações na Europa, marcado pelo avanço científico, pelas revoluções filosóficas e por um interesse crescente pelas culturas orientais. Ele fez parte da geração de escritores dinamarqueses que emergiram após o período de ouro da literatura dinamarquesa, e dialogou com figuras como Georg Brandes, embora tenha seguido um caminho espiritual distinto. A sua posição filosófica afastou-o do materialismo científico predominante, buscando uma síntese entre ciência e espiritualidade. A sua obra reflete um diálogo com as ideias evolucionistas, mas recontextualizando-as dentro de uma visão panteísta e budista.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Gjellerup foi marcada por uma intensa busca interior. Casou-se com a cantora de ópera Eugenia Preumayer, e a sua relação com ela, bem como a sua exploração das artes, influenciaram o seu pensamento. Gjellerup sofreu de problemas de saúde ao longo da vida, o que pode ter intensificado a sua busca por consolo e significado espiritual. Profissionalmente, viveu da sua escrita, embora com dificuldades financeiras em certos períodos. As suas crenças espirituais evoluíram significativamente, culminando na sua profunda imersão no budismo e no pensamento oriental, o que o levou a viver em várias partes da Europa e, eventualmente, a residir na Alemanha e na Suíça.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora Gjellerup tenha sido um escritor respeitado na Dinamarca, o seu reconhecimento internacional consolidou-se tardiamente. O Prémio Nobel da Literatura em 1917 foi um reconhecimento da sua originalidade e da profundidade das suas reflexões espirituais, embora tenha sido um prémio controverso para alguns, dada a sua obra menos conhecida em comparação com outros candidatos. A sua receção crítica variou ao longo do tempo, com alguns a criticarem a sua obra mais espiritualista como excessivamente abstrata, enquanto outros a saudavam pela sua profundidade e originalidade.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Gjellerup foi influenciado por autores como Shakespeare, Goethe, Spinoza, e pensadores orientais como Buda. A sua obra, por sua vez, influenciou uma geração de escritores que buscavam um caminho espiritual na literatura, especialmente aqueles interessados no budismo e na filosofia oriental. O seu legado reside na sua tentativa pioneira de integrar o pensamento ocidental e oriental, e na sua exploração da evolução como um processo cósmico e espiritual. A sua obra foi traduzida para várias línguas, embora com maior difusão posterior ao Nobel.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Gjellerup é frequentemente interpretada como uma jornada espiritual em busca da iluminação e da compreensão da unidade de todas as coisas. Os temas filosóficos centrais incluem a natureza da consciência, o conceito de karma, a evolução como um processo cósmico e a superação do ego. A sua obra representa uma tentativa de reconciliar a ciência com a espiritualidade, algo que gerou debates críticos sobre a validade das suas sínteses filosóficas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Uma curiosidade sobre Gjellerup é a sua conversão ao budismo, que não foi apenas uma adoção de crenças, mas uma profunda reorientação da sua vida e obra. A sua escrita em alemão, especialmente nas suas últimas obras, demonstra uma mestria da língua que o tornou reconhecido também nesse meio. As suas dificuldades financeiras por vezes contrastaram com a riqueza das suas ideias e a profundidade da sua busca espiritual.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Karl Adolph Gjellerup faleceu em Klotzschen, perto de Dresden, na Alemanha, em 1919. A sua morte ocorreu após um longo período de declínio de saúde. A sua memória perdura principalmente através do seu reconhecimento como laureado com o Prémio Nobel, e pelo seu pioneirismo na fusão da filosofia ocidental com o pensamento oriental, abrindo caminho para futuras explorações espirituais na literatura.