Lista de Poemas

Cero a la izquierda

O corredor de fondo perde o alento
fuxindo dunha vida inzada de renuncias
da súa liturxia obesa e oleosa,
mediocre nos seus comunais fracasos,
bágoas de xelo, indignación contida
non deu chegado a tempo de exercer
a súa rebelión,
nin de levar a cabo
a súa vinganza definitiva
contra un mundo inxusto, homicida, e cruel,
pola inutilidade da súa propia vida
solitario, enfermo e fatigado,
a morte anticipouse e chegou antes.
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Somentes

Somentes

intentaba conseguir

deixar na terra

algo de min que me sobrevivise

sabendo que deberia ter sabido

impedirme a min mesmo

descubrir que só fun un interludio

atroz entre dous muros de silencio

só puiden evitar vivindo á sombra

inocularlle para sempre a quen amaba

doses letais do amor que envelenaba

a súa alma cunha dor eterna

sustituíndo o desexo polo exilio

iniciei a viaxe sen retorno

deixándome levar sen resistencia

ó fondo dunha interna

aniquilación chea de nostalxia.



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Luz e sombras de amor resucitado

Tristemente convivo coa túa ausencia
sobrevivo á distancia que nos nega
mentres bordeo a fronteira entre dous mundos
sen decidir cal deles pode darme
a calma que me esixo para amarte
sen sufrir pola túa indiferencia
a miña retirada preventiva
dunha batalla que xa sei perdida
resolto a non entrar xamais en ti
pero non á tortura de evitarte.



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¿Que es Galicia?

a. Agua. Aire. La Amnesia del vencido, la Atracción del Abismo, el Árbol junto al Árbol, y la alegría del espacio circundante. El Alma es el Atlántico y es el Acantilado el cuerpo de su llamada Atroz.

b. Barroco: la Belleza usual hecha materia en piedra en el Borde del Bosque omnipresente.

c. Calma. Castelao, Curros, Cunqueiro, Cultura, Celebración y Culpa: una conciencia Céltica del Cosmos.

d. Difícil definir ese Dolor, Doblegar el Destino, conseguir que el Deseo nos siga siendo útil. (Diluvia)

e. Espiral en el Espacio Esférico. Emigración: Estímulo de nuestro Exilio interior que nos lleva por el Este hacia Europa, por el mar hacia el Éxito y hacia la Enfermedad, y siempre hacia el eterno Extrañamiento del espíritu.

f. Fuego de hogar. Fantasía. Fábricas, Fiebre y Formas del Futuro, Figuras del pasado. El Fenómeno atmosférico de la Felicidad, y todas las Fiestas del mañana…

g. Gráficas del Granito, agua y silencio, donde transborda el alma de la Gulfstream. El gemir de las Gaitas, y en el carácter esa amable presencia de la Grasa.

h. Historia: Herbicida el olvido. La Humedad, el “Horror vacui” y la Humildad nos impiden convertir la Historia en Heroísmo. Nuestra Heredad adiestrada en la huída, con la sabiduría de las heridas viejas, por nuestras propias manos solamente vencidos.

i. Ironía: arte de convertir el Infierno en un cuento de Invierno.

j. Sonido oriental. Rotundidad sureña.

k. Kilowatios por tierra sumergida.

l. Luto: manchas en el paisaje, bolas negras sobre el tapete verde.

m. Lega muertos el Misterio de la Música, pero el Miño se va llevando ese Misterio al Mar.

n. Norte. Noche. Niebla. Negro: materia poética nacional.

ñ. Nh/ gn/ ñ.

o. Oeste: “Galicia atiende y obedece a la llamada del Oeste” (R. Otero Pedrayo). Tantos siglos de Ofensas y de Olvido crean anticuerpos en el Organismo de un pueblo, y esa continua Ofensa de la historia generará en el Orgullo de este pueblo apacible el destructivo Oxígeno del Odio, la Obsesión del fracaso y de la culpa.

p. Poesía. Patria. Pasión. Peligro de extinción, perdidos en nuestra propia Pureza, de la necesidad de ser un Pueblo. Nuestra indiferencia alimentará el Proceso de Autogenocidio que vivimos. Paisajes dispersos, alineados entre los Perfiles del Pasado, con la Presencia de una vegetal sensación de eternidad. Pasión y Poses “punk”, reflejos Postmodernos y altas horas en los diques urbanos de la noche.

q. Química del dolor Quintaesencia del miedo. ¿Ahí, pegado a mí, quién se ríe?

r. Río: el Rumor de la vida, la Religión de las aguas. Las Risas surgen siempre donde Reina la calma, en la quietud profunda de quien conoce el Riesgo y lo domina. Rural: corre sangre rural por estas venas; y si alguna vez la Razón opone Resistencia, se Reconoce el gallego en la tierra, en la lenta vitalidad del árbol, en la invencible resignación de la hierba.

s. El Sonido de la Soledad y el Silencio. El Salvaje Sarcasmo de los Sueños del presente, y la Silente atracción por el Suicidio: el Sil. El Miño es nuestra Sangre, el Sil su sombra. Serenos y Sombríos, finalmente trasciende la Sonrisa astuta.

t. Tierra. Y el Tiempo, y el Trastorno y sus Tinieblas. La Tradición de una
triste Ternura. La Tierra es el principio, y todo existe en ella y para ella.

u. Utopía: compaginar el deseo y la necesidad de nuestros sueños.

v. Vacas en Valles mojados, y la férrea Voluntad de los Viejos encadenados a la tierra, con el Vicio de su fatalismo escéptico. Verde. Verde y más Verde sobre otros Verdes, y por detrás: Verde.

w. Whisky: noche urbana. ¿Galicia es Wagneriana, o és más bien un Wolfgang Amadeus enfermo de paisaje, soñando con Sibelius?.

x. 25 de Xullo*.

y. y

z. Fin
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Comentários (1)

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Manuel Vilariño
Manuel Vilariño

Es fotografía de Lois Pereiro é da piña autoría. Poñan o meu nome e non a recorten. Grazas

Identificação e contexto básico

Lois Pereiro (nome completo: Luís Pereiro Rodríguez) foi um poeta, prosador e ativista político galego. Nasceu em Monforte de Lemos, na Galiza, e faleceu em Ferrol. É uma figura emblemática da poesia social e de resistência na literatura galega contemporânea.

Infância e formação

Pereiro teve uma infância marcada pelas transformações sociais e políticas da Espanha franquista. A sua formação, embora não detalhada em fontes públicas sobre a sua educação formal em literatura, foi profundamente moldada pela sua experiência de vida, pela cultura galega e pelo seu envolvimento político desde jovem. As leituras de autores que abordavam temas sociais e de identidade foram cruciais para o desenvolvimento do seu pensamento e da sua escrita.

Percurso literário

O percurso literário de Lois Pereiro começou a ganhar forma com a sua participação em círculos culturais e políticos que defendiam a língua e a cultura galega. A sua obra, publicada em diversas revistas e antologias, e reunida postumamente em livros, caracteriza-se por uma evolução constante no seu compromisso social e na exploração da identidade galega. Foi um defensor ativo da língua galega, utilizando-a como ferramenta de expressão e de afirmação cultural.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Lois Pereiro é vasta e multifacetada, incluindo poesia, prosa e textos de intervenção política. As suas principais obras poéticas exploram temas como a identidade galega, a língua, a emigração, a opressão, a memória e a resistência. O seu estilo é marcado pela oralidade, pelo humor negro, pela ironia, pela crítica social mordaz e por um lirismo profundo e sentido. Utiliza frequentemente a linguagem coloquial e a referência a elementos do quotidiano galego, aproximando a sua poesia do povo. A forma poética varia, mas há uma forte inclinação para o verso livre e para estruturas que refletem a urgência da sua mensagem. O tom é frequentemente combativo e apaixonado, mas também capaz de uma delicadeza tocante.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Lois Pereiro viveu a maior parte da sua vida sob a ditadura franquista, um período de forte repressão política e cultural na Espanha, especialmente em regiões como a Galiza, onde a língua e a cultura galega eram marginalizadas. Ele foi uma figura central na luta pela recuperação da identidade galega, participando ativamente em movimentos culturais e políticos clandestinos. A sua geração, muitas vezes referida como "a geração dos anos 50" ou "geração de 60", enfrentou a censura e a clandestinidade, mas contribuiu significativamente para a revitalização da literatura galega. A sua obra dialoga com a de outros autores que defendiam a cultura galega, num contexto de grande efervescência intelectual e de luta pela democracia.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Lois Pereiro teve uma vida pessoal marcada pelo seu ativismo político e pela sua dedicação à causa galega. As suas relações familiares e afetivas, embora não amplamente detalhadas publicamente, moldaram a sua visão de mundo e a sua sensibilidade social. As suas amizades eram frequentemente ligadas ao meio intelectual e militante, e as suas convicções políticas eram um pilar da sua existência. A sua profissão paralela, muitas vezes em trabalhos manuais ou relacionados com a cultura, permitiu-lhe manter a sua independência enquanto se dedicava à sua paixão pela literatura e pela política.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora em vida não tenha tido o reconhecimento institucional amplo que a sua obra merecia, Lois Pereiro é hoje considerado um dos poetas mais importantes da literatura galega contemporânea. A sua obra tem vindo a ser cada vez mais estudada e valorizada, tanto na Galiza como noutros contextos académicos. O reconhecimento póstumo tem sido crescente, com a publicação e reedição dos seus textos, e a sua figura é um símbolo de resistência e identidade galega.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Lois Pereiro foi influenciado por autores que abordavam a identidade, a crítica social e a poesia de resistência. O seu legado é imenso para a literatura galega, inspirando gerações de poetas, escritores e ativistas a defenderem a língua, a cultura e a identidade galega. A sua obra é um marco na poesia de intervenção social e na afirmação da cultura de um povo marginalizado.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Lois Pereiro é frequentemente analisada sob a ótica da literatura de resistência, da poesia social e dos estudos culturais galegos. As suas obras exploram temas filosóficos como a liberdade, a justiça e a importância da memória coletiva. As críticas centram-se na sua capacidade de aliar a força da mensagem à qualidade estética da linguagem poética.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto curioso da sua obra é a forma como utilizava o humor e a ironia para abordar temas sérios e muitas vezes dolorosos, tornando a sua crítica ainda mais penetrante. A sua ligação ao movimento nacionalista galego e a sua postura contestatária são aspetos que marcam o seu perfil.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Lois Pereiro faleceu em Ferrol. Após a sua morte, a sua obra continuou a ser divulgada e valorizada, com publicações póstumas que solidificaram o seu lugar na história da literatura galega. A sua memória é mantida viva através do estudo da sua obra, de homenagens e da sua influência contínua sobre novos criadores.