Lista de Poemas

Haicai

Pardas gotas de mel
Voando em torno duma rosa
Abelhas

Jogaste tua ventarola para o céu
Ela ficou presa no azul
Convertida em lua.

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Poema Pitágoras

Meu cérebro e coração pilhas elétricas
Arcos voltaicos
Estalos
Combinações de idéias e reações de sentimentos
O céu é uma vasta sala de química com retortas cadinhos tubos provetes e todos os
Vasos necessários
Quem me quitaria de acreditar que os astros são balões de vidros
Cheios de gases leves que fugiram pelas janelas dos laboratórios
Todos os químicos são idiotas
Não descobriram nem o elixir da longa vida nem a pedra filosofal
Só os pirotécnicos são inteligentes
São mais inteligentes do que os poetas pois encheram o céu de planetas novos
Multicores
Astros arrebentam como granadas
Os núcleos caem
Outros sobem da terra e têm uma vida efêmera
Asteróides asteriscos
Bolhas de sabão!
Os telescópios apontam o céu
Canhões gigantes
De perto
Vejo a lua
Acidentes da crosta resfriada
O anel de Anaxágoras
O anel de Pitágoras
Vulcões extintos
Perto dela
Uma pirâmide fosforescente
Pirâmide do Egito que subiu ao céu
Hoje está incluída no sistema planetário
Luminosa
Com a rota determinada por todos os observatórios
Subiu quando a biblioteca de Alexandria era uma fogueira iluminando o mundo
Os crânios antigos estalam nos pergaminhos que se queimam
Pitágoras a viu ainda em terra
Viajou no Egito
Viu o rio Nilo os crocodilos os papiros e as embarcações de sândalo
Viu a esfinge os obeliscos a sala de Karnak e o boi Apis
Viu a lua dentro do tanque onde estava o rei Amenemas
Mas não viu a biblioteca de Alexandria nem as galeras de Cleopatra
Nem a dominação dos ingleses
Maspero acha múmias
E eu não vejo mais nada
As nuvens apagaram minha geometria celeste
No quadro negro
Não vejo mais a sua nem minha pirotécnica planetária
Rojões de lágrimas
Cometas se desfazem
Fim da existência
Outros estouram como demônios da Idade Média e feiticeiros do Sabbath
Fogos de antimônio fogos de Bengala
Eu também me desfarei em lágrimas coloridas no meu dia final
Meu coração vagará pelo céu estrela cadente ou bólido apagado como agora erra
Inflamado pela terra
Estrela inteligente estrela averroísta
Vertiginosamente
Enrolando-o na fieira da Via-Láctea joguei o pião da terra
E ele ronca
No movimento perpétuo
Vejo tudo
Faixas de cores
Mares
Montanhas
Florestas
Numa velocidade prodigiosa
Todas as cores sobrepostas
Estou só
Tiritante
De pé sobre a crosta resfriada
Não há mais vegetação
Nem animais
Como os antigos creio que a terra é o centro
A terra é uma grande esponja que se embebe das tristezas do universo
Meu coração é uma esponja que absorve toda a tristeza da terra
Uma grande pálpebra azul treme no céu e pisca
Corisco arisco risca no céu
O barômetro anuncia chuva
Todos os observatórios se comunicam pela telegrafia sem fio
Não penso mais porque a escuridão da noite tempestuosa penetra em mim
Não posso matematizar o universo como os pitagóricos
Estou só
Tenho frio
Não posso escrever os versos áureos de Pitágoras !...

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Identificação e contexto básico

Luis Aranha foi um poeta brasileiro, figura associada à segunda geração do Modernismo Brasileiro. Pouca informação biográfica detalhada sobre a sua vida e obra está publicamente disponível, o que o torna uma figura um tanto enigmática no panorama literário.

Infância e formação

Os detalhes sobre a infância e formação de Luis Aranha são escassos. Sabe-se que se inseriu no movimento modernista brasileiro, o que sugere uma formação intelectual e literária alinhada com as vanguardas da época, mas os pormenores sobre o seu percurso educacional específico não são amplamente documentados.

Percurso literário

O percurso literário de Luis Aranha está intrinsecamente ligado ao Modernismo Brasileiro. Embora não tenha sido uma figura central como Oswald de Andrade ou Manuel Bandeira, a sua obra participou das discussões e das propostas estéticas do movimento. A sua produção poética é caracterizada por um diálogo com a linguagem do quotidiano e uma visão crítica da sociedade.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A poesia de Luis Aranha distingue-se pelo uso de uma linguagem coloquial, um tom por vezes irónico e pela abordagem de temas urbanos e existenciais. As suas composições exploram a solidão, o amor, a desilusão e a busca por identidade num contexto social em rápida mudança. O seu estilo é marcado pela concisão e pela capacidade de evocar imagens fortes com poucas palavras, mesclando elementos líricos e prosaicos.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Aranha viveu e produziu durante o período do Modernismo Brasileiro, um movimento que buscou romper com as tradições acadêmicas e propor uma nova linguagem e uma nova identidade cultural para o Brasil. A sua obra dialoga com os anseios e as contradições desse período de efervescência cultural e social.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal As informações sobre a vida pessoal de Luis Aranha são bastante limitadas. Por se tratar de um poeta menos conhecido em comparação com outros nomes do movimento, os registos sobre as suas relações, crenças ou atividades fora da escrita são escassos.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Luis Aranha na história da literatura brasileira é menor em comparação com outros modernistas de destaque. No entanto, a sua obra tem sido redescoberta e valorizada por críticos e leitores que apreciam a originalidade e a força expressiva da sua poesia, vendo nele um representante autêntico de certas vertentes do Modernismo.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Como poeta modernista, Aranha foi influenciado pelas correntes vanguardistas da época e pelos poetas que lideraram o movimento no Brasil. O seu legado reside na sua contribuição para a diversidade da poesia modernista, oferecendo uma perspetiva única sobre a experiência urbana e a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Luis Aranha convida à reflexão sobre a modernidade, a individualidade e as relações interpessoais. As suas análises críticas tendem a focar-se na originalidade da sua linguagem e na forma como soube capturar o espírito do seu tempo com uma voz poética distinta.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos A relativa escassez de informações sobre Luis Aranha pode ser considerada uma curiosidade em si, alimentando um certo mistério em torno da sua figura. Isso contrasta com a clareza e a força de sua poesia.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações amplamente divulgadas sobre as circunstâncias da morte de Luis Aranha. A sua memória literária é preservada através das poucas obras que nos legou, cujos versos continuam a falar aos leitores contemporâneos.