Lista de Poemas

Namoro II

Ai se eu disser que as tremuras
Me dão nas pernas, e as loucuras
Fazem esquecer-me dos prantos
Pensar em juras

Ai se eu disser que foi feitiço
Que fez na saia dar ventania
Mostrar-me coisas tão belas
Ter fantasia
E sonhar com aquele encontro
Sonhar que não diz que não

Tem um jeito de senhora
E um olhar desmascarado
De céu negro ou céu estrelado, ou Sol
Daquele que a gente sabe.
O seu balanço gingado
Tem os mistérios do mar
E a certeza do caminho certo
que tem a estrela polar.

Não sei se faça convite
E se quebre a tradição
Ou se lhe mande uma carta
Como ouvi numa canção
Só sei que o calor aperta
E ainda não estamos no verão.

Quanto mais o tempo passa
Mais me afasto da razão
E ela insiste no passeio à tarde
Em tom de provocação
Até que num dia feriado
Pra curtir a solidão
Fui consumir as tristezas
Pró baile do Sr. João

Não sei se foi por magia
Ou seria maldição
Dei por mim rodopiando
Bem no meio do salão
Acabei no tal convite
Em jeito de confissão
E a resposta foi tão doce
Que a beijei com emoção
Só que a malta não gritou
Como ouvi numa canção

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Pedra no charco

Caiu uma pedra no charco,
caiu um penedo no rio,
caiu mais um cabo da boa esperança no mar,
prá gente se agarrar.

Deixámos de ver as nuvens
que nos tapavam o céu,
pudemos sentir de perto a meiguice do tempo
onde a gente se escondeu.

É que hoje
nasceu mais um dia.
É que hoje
nasceu mais alguém.
É que hoje
nasceu um poeta na serra com a estrela da manhã.

Foi quando os lobos uivaram,
foi quando o lince miou,
as ovelhas não tinham fome
e a alcateia repousou.

E entre os uivos e os miados
o poeta abriu o choro.
E entre os vales e os cabeços,
cavalgando uma alcateia
o poema deslizou.

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Fizeram os dias assim

Por mais que larguem os braços
Por mais que soltem amarras
E que se tapem as covas

Por mais que rasguem os quadros
Por mais que queimem as leis
E que os costumes esmoreçam

Por mais que arrasem as feras
E que os papões arrefeçam
E que as bruxas se convertam

Por mais que riam as caras
E que ternura se esqueça
Por mais que o amor prevaleça
Vocês
Fizeram os dias assim!

Não nos venham pedir contas
Não venham pôr-nos regras
Sabemos que os nossos dias
Não vão ser gastos assim!

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Identificação e contexto básico

Luís Manuel da Silva Represas, conhecido artisticamente como Luís Represas, é um poeta, músico e compositor português. Nasceu em Lisboa, Portugal, em 8 de novembro de 1954. Sua nacionalidade é portuguesa e sua língua de escrita é o português. Viveu e produziu arte em um período de grandes transformações políticas e sociais em Portugal, desde a ditadura do Estado Novo até a consolidação da democracia e a integração na União Europeia.

Infância e formação

Luís Represas nasceu e cresceu em Lisboa, em um ambiente familiar que, embora os detalhes específicos sejam menos divulgados publicamente, certamente contribuiu para sua formação cultural. Sua educação formal se deu em Portugal, mas sua formação artística foi moldada por um profundo autodidatismo e pela absorção de diversas influências culturais, musicais e literárias. Desde cedo, demonstrou interesse pela música e pela palavra, o que o levou a explorar diferentes formas de expressão artística.

Percurso literário

O início da carreira literária de Luís Represas se deu com a publicação de seus primeiros poemas, integrando-se à cena literária portuguesa. Sua obra poética evoluiu ao longo do tempo, refletindo uma maturidade crescente e uma profundidade temática. Cronologicamente, sua obra se consolidou com a publicação de diversos livros de poesia, que demonstram uma busca constante por novas formas de expressar suas inquietações. Paralelamente à poesia, sua carreira musical se desenvolveu de forma proeminente, com a gravação de álbuns e a realização de concertos, muitas vezes integrando suas composições poéticas à sua música.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Entre suas obras poéticas mais notáveis, destacam-se "Canções de Amor e Saudade" e "O Canto da Minha Terra", embora sua produção seja mais conhecida por sua integração com a música. Os temas dominantes em sua obra, tanto poética quanto musical, incluem o amor, a saudade, o tempo, a memória, a solidão, a busca por identidade e a reflexão sobre a condição humana. Em sua poesia, Represas utiliza uma linguagem acessível, mas rica em imagens e em musicalidade, com um forte apelo lírico. O tom de sua obra é frequentemente melancólico e introspectivo, mas também pode ser esperançoso e celebratório. A voz poética é pessoal e confessional, mas consegue tocar em sentimentos universais. Seu estilo é marcado pela simplicidade aparente, mas pela profundidade das emoções expressas, com um vocabulário que evoca sensações e memórias. Sua obra dialoga com a tradição da canção de intervenção e da poesia lírica portuguesa, mas também com uma sensibilidade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Luís Represas produziu sua obra em um período de significativos acontecimentos históricos em Portugal, como a Revolução dos Cravos em 1974, que marcou o fim da ditadura. Sua música, em particular, muitas vezes refletiu o espírito de mudança e a busca por liberdade e identidade. Manteve relações com outros artistas e músicos portugueses, integrando-se à vibrante cena cultural do país. Sua obra, ao abordar temas universais com uma sensibilidade particular, dialoga com a identidade portuguesa e com as inquietações de sua geração.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Luís Represas, incluindo suas relações afetivas e familiares, contribuiu para a sua sensibilidade artística e para os temas explorados em sua obra. Sua carreira paralela e de grande sucesso como músico e compositor influenciou diretamente a forma como sua poesia é percebida e apreciada, muitas vezes associada às melodias e arranjos de suas canções. Sua dedicação às artes, tanto na música quanto na poesia, demonstra uma paixão profunda pela expressão.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Luís Represas é um artista amplamente reconhecido em Portugal e em países de língua portuguesa. Sua música alcançou grande popularidade, e sua poesia, embora por vezes menos divulgada individualmente, é valorizada pela sua profundidade lírica e pela sua ligação intrínseca com suas composições musicais. Recebeu diversos prémios e distinções ao longo de sua carreira.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Luís Represas foi influenciado por poetas e músicos da tradição portuguesa, bem como por artistas internacionais. Seu legado reside na fusão bem-sucedida entre a poesia e a música, criando um estilo único que tocou e continua a tocar o público. Sua obra inspirou e continua a inspirar outros artistas a explorar a interseção entre diferentes formas de expressão artística.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Luís Represas, especialmente quando vista em conjunto com sua música, permite uma análise profunda sobre as emoções humanas, a passagem do tempo e a busca por conexão. A maneira como ele constrói atmosferas líricas e evoca sentimentos universais é um ponto central para a crítica.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos A forte ligação entre sua poesia e sua música é um dos aspetos mais fascinantes de sua obra. Muitas de suas canções contêm versos que poderiam ser lidos como poemas independentes, e vice-versa. Essa simbiose criativa é uma marca distintiva de sua produção artística.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Luís Represas encontra-se vivo, continuando sua trajetória artística e sua produção cultural.