Lista de Poemas

O amor

Ah, suave afán, cabal e inútil pena,
clima de uma pele morna como um trino,
em secreto mistério a cadeia
forjando está com só ser divino!

Astral tonicidade de seus recreios,
preciosa solidão de seus combates,
em lanterna de alarme seus desejos
queimando está de campos a Penates.

Eternidade de pétala de rosa,
silêncio azul de álamo que aroma,
manjar de sombra com calor de esposa,

fruto proibido que no pólen erra,
tecendo está com asas de pomba,
o vestido de noiva da Terra.

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Credo

Creio na Liberdade, Mãe de América
criadora de mares doces na terra,
e em Bolívar, seu filho, Senhor Nosso
que nasceu em Venezuela, padeceu
sob o poder espanhol, foi combatido,
sentiu-se morto sobre o Chimborazo,
ressuscitou na voz de Colômbia,
tocou ao Eterno com suas mãos
e está parado junto a Deus!

Não nos julgues, Bolívar, antes do dia último,
porque cremos na comunhão dos homens

que comungam com o povo, só o povo
faz livres aos homens, proclamamos
guerra a morte e sem perdão aos tiranos
cremos na ressurreição dos heróis
e na vida perdurável dos que como Tu,
Libertador, não morrem, fecham os olhos e se
ficam velando.

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Identificação e contexto básico

Miguel Ángel Asturias Rosales foi um proeminente escritor, jornalista e diplomata guatemalteco. Nasceu em 14 de novembro de 1899, na Cidade da Guatemala, e faleceu em 9 de junho de 1974, em Madrid, Espanha. É conhecido por sua profunda ligação com as raízes indígenas da Guatemala e por sua forte crítica social e política.

Infância e formação

Asturias nasceu numa família de classe média, filho de um professor universitário e de uma dona de casa. Passou parte da infância na região de Salama, onde teve contato com a cultura kaqchikel, o que influenciou profundamente sua obra posterior. Estudou Direito na Universidade de San Carlos de Guatemala, onde se envolveu em movimentos estudantis contra a ditadura de Manuel Estrada Cabrera. Posteriormente, exilou-se em Paris em 1923, onde estudou Etnologia na Sorbonne, aprofundando seus conhecimentos sobre as culturas pré-colombianas.

Percurso literário

O percurso literário de Asturias começou cedo, com a publicação de poemas e contos em jornais guatemaltecos. Sua primeira obra de relevância, "Leyendas de Guatemala" (1930), já demonstrava a fusão de elementos míticos indígenas com uma linguagem poética inovadora. Em Paris, entrou em contato com o surrealismo, influência que se refletiria em obras posteriores, como "El Señor Presidente" (1946), um retrato contundente da ditadura na Guatemala. Ao longo de sua carreira, publicou romances, contos, poemas e peças de teatro, tornando-se uma das vozes mais importantes da literatura latino-americana.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Miguel Ángel Asturias são marcadas pela exploração dos mitos, lendas e cosmogonias dos povos indígenas da Guatemala, especialmente os maias. Ele utilizou uma linguagem rica em sonoridade, ritmo e imagens, muitas vezes influenciada pelo surrealismo, criando o que viria a ser conhecido como realismo mágico. Seus temas centrais incluem a identidade cultural latino-americana, a opressão política, a exploração social, a luta pela terra e a relação entre o mundo ancestral e a modernidade. Obras como "Hombres de Maíz" (1949) são consideradas marcos na literatura que busca resgatar e dar voz às culturas originárias. Obras menos conhecidas incluem "Viento Fuerte" (1950) e "El Papa Verde" (1954), que compõem a trilogia "Banana", abordando a exploração das companhias frutícolas.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Asturias viveu num período de intensa turbulência política e social na Guatemala e em toda a América Latina. Sua obra está intrinsecamente ligada às ditaduras, às intervenções estrangeiras e às lutas sociais de seu tempo. Foi contemporâneo de outros grandes nomes da literatura latino-americana, como Alejo Carpentier e Gabriel García Márquez, e é considerado um precursor do "boom" latino-americano. Sua posição política, marcada pela crítica ao imperialismo e à injustiça, levou-o ao exílio em diversas ocasiões.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Miguel Ángel Asturias teve uma vida complexa, marcada pelo ativismo político e pelo exílio. Foi casado duas vezes e teve filhos. Sua dedicação à causa da justiça social e à preservação da identidade cultural guatemalteca foi uma constante em sua vida. A sua experiência como diplomata em diversos países também contribuiu para a sua visão cosmopolita.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O ápice do reconhecimento de Asturias foi o Prémio Nobel da Literatura em 1967, "pelas suas conquistas literárias vibrantes, profundamente enraizadas nas características nacionais e nas tradições dos povos indígenas da América Latina". Antes disso, já havia recebido outros prêmios importantes, como o Prémio Lenine da Paz em 1966. Sua obra é amplamente estudada e admirada internacionalmente.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Asturias foi influenciado por autores como James Joyce e pelo surrealismo europeu, mas soube fundir essas influências com a riqueza das tradições maias. Ele, por sua vez, influenciou profundamente a chamada "geração de 60" da literatura latino-americana, sendo um dos pais do realismo mágico. Seu legado é a revalorização das culturas indígenas e a denúncia das injustiças sociais através de uma linguagem literária inovadora e poderosa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Asturias é frequentemente analisada sob a ótica da descolonização cultural e da representação das vozes oprimidas. A complexidade de sua linguagem e a fusão de mitos e realidade levantam debates sobre a natureza da identidade e da história na América Latina.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Asturias foi um apaixonado pela música e pela dança. Sua obra "Hombres de Maíz" é considerada um dos livros mais difíceis de traduzir devido à sua complexidade linguística e cultural. Ele também foi um defensor fervoroso dos direitos dos povos indígenas.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Miguel Ángel Asturias faleceu em Madrid, em 1974, após uma longa doença. Seus restos mortais foram posteriormente trasladados para a Guatemala, onde repousam em um mausoléu no Cemitério Geral. Sua memória é celebrada anualmente em seu país natal, e sua obra continua a inspirar leitores e escritores.