Lista de Poemas

Eterna sombra

Eterna sombra

Yo que creí que la luz era mía

precipitado en la sombra me veo.

Ascua solar, sideral alegría

ígnea de espuma, de luz, de deseo.

Sangre ligera, redonda, granada:

raudo anhelar sin perfil ni penumbra.

Fuera, la luz en la luz sepultada.

Siento que sólo la sombra me alumbra.

Sólo la sombra. Sin rastro. Sin cielo.

Seres. Volúmenes. Cuerpos tangibles

dentro del aire que no tiene vuelo,

dentro del árbol de los imposibles.

Cárdenos ceños, pasiones de luto.

Dientes sedientos de ser colorados.

Oscuridad del rencor absoluto.

Cuerpos lo mismo que pozos cegados.

Falta el espacio. Se ha hundido la risa.

Ya no es posible lanzarse a la altura.

El corazón quiere ser más de prisa

fuerza que ensancha la estrecha negrura.

Carne sin norte que va en oleada

hacia la noche siniestra, baldía.

¿Quién es el rayo de sol que la invada?

Busco. No encuentro ni rastro del día.

Sólo el fulgor de los puños cerrados,

el resplandor de los dientes que acechan.

Dientes y puños de todos los lados.

Más que las manos, los montes se estrechan.

Turbia es la lucha sin sed de mañana.

¡Qué lejanía de opacos latidos!

Soy una cárcel con una ventana

ante una gran soledad de rugidos.

Soy una abierta ventana que escucha,

por donde ver tenebrosa la vida.

Pero hay un rayo de sol en la lucha

que siempre deja la sombra vencida.

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O sol, a rosa e o menino

O sol, a rosa e o menino
flores de um dia nasceram.
Os de cada dia são
Sois, flores, meninos novos.

Amanhã não serei eu:
outro será o verdadeiro.
E não serei mais além
de quem queira sua lembrança.

Flor de um dia é a maior
ao pé do mais pequeno.
Flor da luz relâmpago,
e flor do instante o tempo.

Entre as flores te fostes.

Entre as flores fico.

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Diante da vida, sereno

Diante da vida, sereno
e diante da morte, maior;
se me matam, bom:
se vivo, melhor.

Não sou à flor do centeio
que treme ao vento menor.
Se me matam, bom:
se vivo, melhor.

Aqui estou, vivo y moreno,
de minha estirpe defensor.
Se me matam, bom:
se vivo, melhor.

Nem ao relâmpago nem ao trovão
posso ter-lhes temor.
Se me matam, bom:
se vivo, melhor.

Traidores me jogam veneno
e eu lhes jogo valor.
se me matam, bom:
se vivo, melhor.

O coração trago cheio
de um alegre resplendor.
se me matam, bom:
se vivo, melhor.

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A minha Josefina

Tuas cartas são um vinho
que me transtorna e são
o único alimento
para meu coração.

Desde que estou ausente
não sei senão sonhar,
igual que o mar teu corpo,
amargo igual que o mar.

Tuas cartas apaziguo
metido em um canto
e por redil e pasto
Dou-lhe meu coração.

Ainda que baixo a terra
meu amante corpo esteja
escreve-me, pomba
que eu te escreverei.

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Identificação e contexto básico

Miguel Hernández Gilabert foi um poeta espanhol, frequentemente associado à Generación del 27, embora a sua adesão a ela seja complexa. Nasceu em Orihuela, Espanha. A sua obra está intrinsecamente ligada ao contexto histórico e social de Espanha no século XX, especialmente durante a Segunda República e a Guerra Civil.

Infância e formação

Nascido numa família de pastores de cabras, a sua infância foi marcada pela pobreza e pelo trabalho árduo, o que lhe impediu uma educação formal completa. No entanto, demonstrou desde cedo uma grande sede de conhecimento, sendo autodidata em grande parte da sua formação literária. Foi influenciado pela leitura de poetas clássicos espanhóis e pela religião, tendo chegado a considerar a vida sacerdotal numa fase inicial. Absorveu a cultura popular e os movimentos literários da época, mas a sua voz manteve-se sempre singular e ancorada na sua experiência pessoal.

Percurso literário

O seu percurso literário começou cedo, com a escrita de versos ainda na juventude. A sua obra evoluiu de um tom mais confessional e barroco para uma poesia de forte cariz social e político, especialmente com o aprofundar do conflito espanhol. Publicou em diversas revistas e antologias, ganhando reconhecimento gradual. Foi também crítico literário e tradutor.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As suas obras principais incluem "Perito en lunas" (1933), "El rayo que no cesa" (1936), "Viento del pueblo" (1937) e "Cancionero y romancero de ausencias" (póstumo, 1941). Os temas dominantes são o amor, a morte, a natureza, a injustiça social e a luta pela liberdade. O seu estilo é caracterizado pela força expressiva, pela musicalidade e pelo uso de imagens poderosas. Embora tenha explorado formas tradicionais como o soneto, também se aventurou no verso livre. A sua linguagem é direta, mas carregada de lirismo e emoção, evoluindo para uma maior densidade e concisão. Foi associado ao Neorromanticismo e ao Surrealismo, mas a sua poesia é, acima de tudo, profundamente pessoal e engajada.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Hernández viveu e escreveu durante um período de grande agitação política e social em Espanha, culminando na Guerra Civil. A sua obra reflete a divisão do país, a opressão e a esperança. Foi amigo de outros escritores da Generación del 27, como Neruda e Alberti, e o seu envolvimento com o Partido Comunista e com a causa republicana marcou profundamente a sua vida e a receção da sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A sua vida foi marcada pela luta pela sobrevivência, pelo amor intenso e pela sua dedicação à causa republicana. Teve relações significativas que inspiraram a sua poesia. A sua prisão e morte prematura, devido às condições desumanas, são um testemunho trágico do seu percurso.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora tenha obtido algum reconhecimento em vida, a sua obra ganhou uma dimensão mítica e um reconhecimento universal após a sua morte. É considerado um dos maiores poetas da língua espanhola do século XX, um símbolo da resistência e da voz do povo.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Foi influenciado por Góngora e pela poesia popular espanhola, assim como por poetas contemporâneos. O seu legado é imenso, influenciando gerações de poetas pela sua honestidade, força lírica e compromisso social. A sua obra continua a ser estudada e celebrada internacionalmente.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Hernández é frequentemente analisada sob a perspetiva do existencialismo, da crítica social e da poesia de combate. A sua capacidade de transformar a dor pessoal em arte universal é um dos aspetos mais estudados.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Uma curiosidade é a sua aptidão para a luta livre e o seu trabalho como pastor de cabras na juventude, experiências que moldaram a sua visão do mundo e a sua linguagem poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Morreu na prisão, em Alicante, em 1942, devido a tuberculose e às péssimas condições carcerárias. A sua obra continuou a ser publicada e a sua memória a ser celebrada, tornando-o um ícone da literatura espanhola e um símbolo de luta pela liberdade.