Lista de Poemas

Céu espumante

No céu que espuma, a lua oscila.
Estar vivo me causa espécie.
A morte assídua espreita a Idade:
quem ela encontre, empalidece.
O ano grita e depois desmaia.
(Gritara olhando ao seu redor.)
Que outono ronda-me de novo?
Que inverno embotado de dor?
Sangrava o bosque; mesmo as horas
sangravam no vaivém dos dias.
Ventos riscavam, sobre a neve,
cifras enormes e sombrias.
Já vi de tudo; o ar me esmaga
com seu peso; um silêncio cresce
ruidoso, cálido e me abraça
como fez antes que eu nascesse.
Detenho-me junto de um tronco
que agita iroso as frondes plenas
e estende um galho. Há de esganar-me?
Não é fraqueza ou medo – apenas
cansaço. Calo. E o galho apalpa
os meus cabelos, mudo, aflito.
Cabe esquecer – mas não há nada
de que já tenha me esquecido.
Espuma afoga a lua; o miasma
estria os céus, verde e agressivo.
Sem pressa, enrolo com cuidado
o meu cigarro. Eu estou vivo.
(tradução de Nelson Ascher)
:
Tajtékos ég
Miklós Radnóti
Tajtékos égen ring a hold,
csodálkozom, hogy élek.
Szorgos halál kutatja ezt a kort
s akikre rálel, mind olyan fehérek.
Körülnéz néha s felsikolt az év,
körülnéz, aztán elalél.
Micsoda osz lapul mögöttem ujra
s micsoda fájdalomtól tompa tél!
Vérzett az erdo és a forgó
idoben vérzett minden óra.
Nagy és sötétlo számokat
írkált a szél a hóra.
Megértem azt is, ezt is,
súlyosnak érzem a levegot,
neszekkel teljes, langyos csönd ölel,
mint születésem elott.
Megállok itt a fa tövében,
lombját zúgatja mérgesen.
Lenyúl egy ág. Nyakonragad?
nem vagyok gyáva, gyönge sem,
csak fáradt. Hallgatok. S az ág is
némán motoz hajamban és ijedten.
Feledni kellene, de én
soha még semmit sem feledtem.
A holdra tajték zúdúl, az égen
sötétzöld sávot von a méreg.
Cigarettát sodrok magamnak,
lassan, gondosan. Élek.
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Identificação e contexto básico

Miklós Radnóti nasceu em Budapeste, Hungria. Foi um poeta húngaro de renome, cujos escritos ganharam destaque internacional, especialmente após sua morte, devido à sua natureza testemunhal e ao seu profundo lirismo em face da perseguição nazista. Sua nacionalidade era húngara, e ele escrevia em húngaro.

Infância e formação

Radnóti nasceu em uma família judaica. Sua infância e juventude foram marcadas pela perda precoce de sua mãe e de seu irmão gêmeo, um evento que o afetou profundamente. Frequentou o ginásio em Budapeste e, posteriormente, estudou na Universidade de Szeged, onde se formou em língua e literatura húngara e francesa. Sua formação acadêmica e sua imersão na cultura húngara influenciaram seu estilo poético e sua identidade como artista.

Percurso literário

Radnóti começou a escrever poesia na adolescência. Sua obra inicial já demonstrava um talento notável para a forma e a expressão lírica. Ele se associou ao movimento de vanguarda húngaro, embora sua poesia tenha desenvolvido um tom mais pessoal e engajado com o passar do tempo. A partir de 1938, com o endurecimento das leis antissemitas na Hungria, sua vida e sua obra foram cada vez mais dominadas pelo contexto de perseguição. Mesmo em campos de trabalho forçado, ele continuou a escrever, escondendo seus poemas em cadernos.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Radnóti incluem "Pájaros que vuelan" (1931), "Cálculos de cincuenta años" (1933), "A juzgar por la vida" (1936) e "Canto de un ser humano" (1942). Seus poemas abordam temas como a beleza da natureza, o amor, a pátria, a identidade judaica e, principalmente, o sofrimento, a injustiça e a morte impostas pelo regime nazista e seus colaboradores. Sua forma poética era frequentemente clássica, com uso de métrica e rima, mas com uma linguagem moderna e imagens poderosas. O tom de sua poesia varia do lírico e contemplativo ao elegíaco e de denúncia. A voz poética é pessoal, mas transcende o individual para se tornar um testemunho universal da tragédia humana. Sua linguagem é ao mesmo tempo precisa e evocativa, marcada por uma forte musicalidade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Miklós Radnóti viveu em um período de intensa turbulência política e social na Europa, marcado pelo ascensão do fascismo, pela Segunda Guerra Mundial e pelo Holocausto. Ele pertenceu a uma geração de escritores húngaros que buscavam modernizar a literatura nacional. Como judeu, ele foi alvo direto da perseguição nazista e das leis antissemitas promulgadas na Hungria. Sua obra reflete o impacto devastador desses eventos, servindo como um registro doloroso da época.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Radnóti casou-se com Fanni Gyarmati, uma união que foi uma fonte de inspiração e consolo em meio às adversidades. Ele trabalhou como professor e, por vezes, enfrentou dificuldades financeiras e profissionais devido às leis discriminatórias contra judeus. Sua fé e sua arte foram pilares em sua vida, sustentando-o diante do sofrimento.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Em vida, Radnóti teve algum reconhecimento na Hungria, mas sua obra só alcançou fama internacional após sua morte, quando seus poemas foram descobertos e publicados. "O Caderno de Bor (Bori notesz)", escrito durante seus últimos dias em um campo de trabalho forçado, tornou-se um documento icônico. Seu reconhecimento acadêmico e literário cresceu exponencialmente, consolidando-o como um dos maiores poetas húngaros do século XX.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Radnóti foi influenciado por poetas clássicos e modernos, mas desenvolveu um estilo único. Sua obra influenciou gerações posteriores de poetas, especialmente aqueles que abordam temas de guerra, sofrimento e memória. Seu legado é o de um testemunho literário poderoso contra a desumanidade, um lembrete da importância da arte como forma de resistência e preservação da dignidade.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Radnóti é frequentemente analisada sob a ótica do testemunho do Holocausto, mas também como uma profunda meditação sobre a existência, a arte e a fragilidade da vida. Críticos destacam a coexistência de lirismo e brutalidade em seus versos, a força de sua resistência moral e sua capacidade de encontrar beleza mesmo nas circunstâncias mais sombrias.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um dos aspetos mais notáveis de sua vida é a escrita de poemas em cadernos que ele enterrava, na esperança de que fossem encontrados. Ele também era um escultor amador. A brutalidade de sua morte, forçado a marchar até a exaustão e morto a tiros, contrasta com a delicadeza e a profundidade de sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Miklós Radnóti foi morto em novembro de 1944, durante uma marcha forçada de um campo de trabalho forçado para outro, pouco antes da libertação. Seus restos mortais foram encontrados e identificados posteriormente. Suas obras completas foram publicadas postumamente, consolidando sua posição na história da literatura.