Murillo Araújo

Murillo Araújo

1894–1980 · viveu 85 anos BR BR

Murillo Araújo foi um poeta brasileiro cuja obra se insere na poesia contemporânea. Explorou a linguagem de forma inovadora, abordando temas como a cidade, a efemeridade da vida e as complexidades das relações humanas. A sua poesia é marcada por uma sensibilidade lírica e por uma busca constante por novas formas de expressão.

n. 1894-10-26, Serro · m. 1980-08-01, Rio de Janeiro

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Toada do Negro do Banzo

Negro —
quando cava, quando cansa,
quando pula, quando tomba,
quando grita, quando dança,
quando brinca, quando zomba
sente gana de chorá...

Negro —
quando nasce, quando cresce,
quando luta, quando corre,
quando sobe, quando desce,
quando véve, quando morre
negro pena sem pará...

Negro, aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!

Negra nua, nua —
ai Umbanda!
toma a bença à lua —
ai Umbanda!
samba nua... Oôu!

Xangô!
Meu céu secureceu.
Exú me despachou...
Calunga me prendeu...

Xangô! Xangô! Xangô!
Meu rancho se acabou...
Meu reino — mar levou...
Meu bem morêu... morreu.

Negro —
negro chora, negro samba
na macumba do quilombo,
com malafo pra moamba
dando bumba no ribombo!
do urucungo e do ganzá!

Negro —
cae no congo, cae no congo,
dos mirongas ao muganga,
todo o bando nesse jongo...
roda, negro — roda a tanga
chora banzo no gongá.

Negro aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!

Se Xangô chegasse...
ai Umbanda!
E me carregasse —
ai Umbanda!
Coisa boa... Oôu!

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Biografia

Identificação e contexto básico

Murillo Araújo foi um poeta brasileiro cuja obra se destaca na paisagem da poesia contemporânea no Brasil. A sua escrita é reconhecida pela sua modernidade e pela forma como dialoga com as experiências urbanas e as questões existenciais do indivíduo moderno.

Infância e formação

As informações sobre a infância e a formação específica de Murillo Araújo são escassas nos registos públicos. No entanto, a sua obra sugere uma formação intelectual sólida e uma profunda imersão nas correntes literárias e artísticas do seu tempo.

Percurso literário

O percurso literário de Murillo Araújo desenvolveu-se no contexto da poesia brasileira contemporânea, marcada por experimentações formais e temáticas. A sua obra publicou-se em diversas antologias e revistas literárias, contribuindo para a renovação da expressão poética no país.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A poesia de Murillo Araújo caracteriza-se pela exploração da linguagem, pela concisão e pela capacidade de evocar imagens poderosas e multifacetadas. Os temas recorrentes na sua obra incluem a vida urbana, a solidão, a memória, a passagem do tempo e a busca por significado num mundo em constante transformação. O seu estilo é muitas vezes marcado por uma sensibilidade lírica, mas também por uma crueza e uma honestidade na abordagem das emoções e das experiências humanas. Utiliza frequentemente o verso livre, explorando as possibilidades rítmicas e sonoras da palavra.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Murillo Araújo é um poeta do seu tempo, refletindo em sua obra as complexidades e os desafios da sociedade contemporânea brasileira. O seu trabalho dialoga com as preocupações estéticas e existenciais que marcam a produção literária das últimas décadas no Brasil.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os detalhes da vida pessoal de Murillo Araújo são limitados em termos de informação publicamente acessível. No entanto, a introspeção e a reflexão presentes na sua poesia sugerem uma personalidade atenta às nuances da experiência humana e às suas próprias inquietações.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Murillo Araújo tem sido apreciada por críticos e leitores atentos à poesia contemporânea brasileira. O seu reconhecimento advém da originalidade da sua voz poética e da sua capacidade de abordar temas universais com uma perspetiva singular.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Murillo Araújo, como poeta contemporâneo, dialoga com a vasta tradição poética brasileira e universal, ao mesmo tempo que procura caminhos inovadores. O seu legado reside na contribuição para a diversidade e a vitalidade da poesia brasileira atual, inspirando outros criadores com a sua abordagem única da linguagem e da sensibilidade.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Murillo Araújo convida a múltiplas leituras, convidando o leitor a mergulhar nas suas camadas de significado. A análise crítica da sua obra tende a focar-se na sua capacidade de captar o espírito do tempo e na forma como explora as ambiguidades da condição humana na sociedade moderna.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações específicas sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida de Murillo Araújo não são amplamente divulgadas, o que por vezes contribui para a aura de mistério que rodeia alguns artistas contemporâneos.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Murillo Araújo faleceu, deixando uma obra que continua a ser redescoberta e valorizada por novas gerações de leitores e estudiosos da poesia brasileira.

Poemas

2

Toada do Negro do Banzo

Negro —
quando cava, quando cansa,
quando pula, quando tomba,
quando grita, quando dança,
quando brinca, quando zomba
sente gana de chorá...

Negro —
quando nasce, quando cresce,
quando luta, quando corre,
quando sobe, quando desce,
quando véve, quando morre
negro pena sem pará...

Negro, aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!

Negra nua, nua —
ai Umbanda!
toma a bença à lua —
ai Umbanda!
samba nua... Oôu!

Xangô!
Meu céu secureceu.
Exú me despachou...
Calunga me prendeu...

Xangô! Xangô! Xangô!
Meu rancho se acabou...
Meu reino — mar levou...
Meu bem morêu... morreu.

Negro —
negro chora, negro samba
na macumba do quilombo,
com malafo pra moamba
dando bumba no ribombo!
do urucungo e do ganzá!

Negro —
cae no congo, cae no congo,
dos mirongas ao muganga,
todo o bando nesse jongo...
roda, negro — roda a tanga
chora banzo no gongá.

Negro aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!

Se Xangô chegasse...
ai Umbanda!
E me carregasse —
ai Umbanda!
Coisa boa... Oôu!

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Canção da Lua que Lava

Canzone Della Luna Lavandaia

tradução: Anton Angelo Chiocchio

Lua, que lavas teus linhos,
sempre a lavar
numa lixívia de nuvens,
branca, branquinha de espuma,
e escorres tudo lá no alto
para secar;

lua que lavas teus linhos
pelos valados maninhos,
na serra onde vai nevar;

oh lua alagando o mundo
nesta espuma de cegar!

lua que lavas teus linhos
e que os enxáguas
e os pões em qualquer lugar —
nos terraços lageados,
nos velhos muros caiados,
nos laranjais do pomar
ou nos campos orvalhados
onde estão a gotejar —

lua que lavas teus linhos
até nas praias do mar —

vem, lua, e lava minha alma!

Oh lava minha alma em lágrimas,
para que Deus, sol das almas,
venha a enxugar.

O luna che fai il bucato,
luna, luna lavandaia
in una schiuma di nuvole
candida come liscivia
e stendi i panni là in cima
a candeggiare...

O luna che fai il bucato
pei fòssi incolti, pei monti
su cui sta per nevicare...

Luna che schizzi sul mondo
saponata da accecare...

O luna che fai il bucato
e lo risciacqui,
lo sciorini dappertutto,
su terrazzi lastricati,
vecchi muri intonacati,
aranceti, campi intrisi
di rugiada, a gocciolare...

O luna che fai il bucato
sin sulle spiagge del mare...

Luna, lava la mia anima!

Vieni, lavala di lagrime,
perchè Dio, sole dellanime,
poi la venga ad asciugare.

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