Assim, no sul,
Às cinco e seis,
Eu sei que sou
Um ser tão só:
Um céu sem sol
Que saia ao som
De cem canções.

Não sou mais são:
Não saro e sangue
Das solas salta
Na insana senda.
Mas sofro e surjo
Bem sob as cinzas
Mais cego e surdo.

Não sou possante:
Cresci com sobras
De sal e açúcar
Que se consomem.
Cansei-me cedo.
Vencido sumo
Em certas selvas.

Não sou mais sábio:
Pois, se à mercê
Do sopro sonso
Das sensações
Persigo sonhos,
Só singro o sono
E o senso cessa.

Não sou mais certo:
Passou acima
Macissa sombra
De assombro e susto.
Cá sobre o solo
Conselho aceito
Sem sério açoite.

Não sou mais solto:
Na cela suja.
Eu, sem passado,
Pensei em sete
Pessoas santas,
Tão sãs e salvas
E sua ação.

Em suma, sempre
Me sinto simples
Recém nascido
Sensível, sóbrio,
Que suga os seios
Sem seiva, secos,
E sente sede.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrita em 28/03/2020)

(Poema que descreve as angústias dos deprimidos que não veem neste sistema de coisas qualquer sentido.)
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