Nem de todos os fortes reza a história

Saberá o falcão no ninho
que é dono e senhor do ar?
Saberá o leaozinho
que nasceu para reinar?

A sequóia porventura
imagina quando eclode
que chegará a uma altura
mais que a vista alcançar pode?

Júlio César saberia,
quando a estátua foi achar,
que a sua fama haveria
a de Alexandre igualar?

Que ser grande será o seu destino,
talvez não saberá, mas já é grande,
mesmo sem o saber, o pequenino.

E se o falcão se aborrece
e desiste de voar?
E se o leão, que o merece,
ao trono renunciar?

E se a árvore nega o estado
de ser maior que uma serra,
preferindo ver curvado
o seu tronco sobre a terra?

Talvez César se escussasse
a ganhar o que ganhou
se em jovem adivinhasse
que foi isso que o matou.

Mesmo sem o saber, o pequenino
já é grande, mas se rejeitar ser grande,
ser pequeno será o seu destino.
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