Sou quem te recita
Declare tua liberdade aos meus ouvidos,
faça florescer meu cantar,
tua fala amena ao anoitecer,
tua renda que não me rasga.
Tu não és meu deleite de poeta,
tu és a sombra longínqua que me cerca,
o solo distante que me agrega,
o voo vazado que me cega.
Não me faça florescer ao sol,
não me carregue a rebou,
o abrasamento do meu ser na tua retina.
Sou quem te recita,
sou a luz noturna que te oscila,
sou o nascer na tua pupila.
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