TUDO NEGA O BICHO INQUIETO
Voltaria a sonhar o sonho,
Onde as asas me levavam,
Livres com ar tão risonho,
Que de alegria choravam,
Mas não viam tal tamanho
O horizonte se mostrava,
De par em par tão ardente,
Que faminta me espraiava,
Nesse olhar confidente,
E ao seu colo desmaiava.
Voltaria a sonhar o sonho,
Que sonhei e foi tão breve,
Neste abrigo vazio tristonho,
Pelo acordar se descreve,
Mas com garras me oponho.
Voltaria a andar na rua,
Sem disfarces que sustento,
Caminhando de fronte nua,
A roçar-me ao doce vento,
E às escondidas com a lua.
Voltariam os afetos,
A reunião alargada,
A existência dos netos,
Que nesta vida parada,
Tudo nega o “bicho” inquieto.
Évora, 16-05-2020 – Maria Antonieta Matos
Onde as asas me levavam,
Livres com ar tão risonho,
Que de alegria choravam,
Mas não viam tal tamanho
O horizonte se mostrava,
De par em par tão ardente,
Que faminta me espraiava,
Nesse olhar confidente,
E ao seu colo desmaiava.
Voltaria a sonhar o sonho,
Que sonhei e foi tão breve,
Neste abrigo vazio tristonho,
Pelo acordar se descreve,
Mas com garras me oponho.
Voltaria a andar na rua,
Sem disfarces que sustento,
Caminhando de fronte nua,
A roçar-me ao doce vento,
E às escondidas com a lua.
Voltariam os afetos,
A reunião alargada,
A existência dos netos,
Que nesta vida parada,
Tudo nega o “bicho” inquieto.
Évora, 16-05-2020 – Maria Antonieta Matos