palavras ao vento...
hoje cairam gotas de orvalho
sobre os liláses,
explodiram os botões de rosa
e os sonhos, serão capazes
de romper o sol?
pulsa o coração nas paredes
e eu atrevo-me a sonhar
neste tempo escasso em que sou rio
que segue ao mar
sempre o eco da saudade
a cruzar-me a mente,
sem tréguas, num silêncio fechada
saudade funda e insistente
que sente o frio odor
da morte, que me habita p'la calada
e faz sombra à criança em mim
sossegada...
os ventos que me vão no coração
são a maré que me devora
esvaziam-me e deixam-me engolida
pelo mar, brota o silêncio nesta hora.
sou pássaro sem ramo,
enquanto cai o orvalho na manhã calma
já nem sei se amo ou não amo
se sou corpo ou sou só alma
por entre as árvores ondulo ao vento
e emigro pela noite dentro
sonhando, enquanto o tempo me fica na face
em forma de rugas, eu espero que o tormento
passe, e escrevo,
escrevo palavras que se perderão
num sítio qualquer,
elas que foram minha companhia
sem saber... agora venha o que vier
seja noite ou pleno dia.
natália nuno
sobre os liláses,
explodiram os botões de rosa
e os sonhos, serão capazes
de romper o sol?
pulsa o coração nas paredes
e eu atrevo-me a sonhar
neste tempo escasso em que sou rio
que segue ao mar
sempre o eco da saudade
a cruzar-me a mente,
sem tréguas, num silêncio fechada
saudade funda e insistente
que sente o frio odor
da morte, que me habita p'la calada
e faz sombra à criança em mim
sossegada...
os ventos que me vão no coração
são a maré que me devora
esvaziam-me e deixam-me engolida
pelo mar, brota o silêncio nesta hora.
sou pássaro sem ramo,
enquanto cai o orvalho na manhã calma
já nem sei se amo ou não amo
se sou corpo ou sou só alma
por entre as árvores ondulo ao vento
e emigro pela noite dentro
sonhando, enquanto o tempo me fica na face
em forma de rugas, eu espero que o tormento
passe, e escrevo,
escrevo palavras que se perderão
num sítio qualquer,
elas que foram minha companhia
sem saber... agora venha o que vier
seja noite ou pleno dia.
natália nuno
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