Lista de Poemas

Serenem, serenem...

Não me julguem, nem me condenem
Trago o coração cheio de frio

Serenem...serenem...!
Que minha voz está por um fio.

Talvez
regresse na primavera
Mas esse tempo já não será o meu
Também o jasmim espera
cuidar do odor seu.

Não se pode reduzir a distância
O que lá vai passou...
Visita-me ainda a infância
óh minha mãe triste estou!
escuto-te no vento mágico que ocorre
Nesta tarde... manso e invasor

Tudo morre, tudo morre!
Menos por ti...o meu amor.

Tudo é tão belo, porém triste
Oculto em meu coração
Não abandono a esperança
que existe
E na dor te dou a mão.
Onde encontro consolo ainda
quase...quase menina,
para encurtar a distância
volto ao regaço da infância

Agora que o sol declina...
Eu sonho...ao mesmo tempo choro
e canto
E em solidão acesa
Hoje me sinto ainda tua princesa,
Enquanto durar o sonho...por enquanto!

rosafogo
natalia nuno
5 135

sexto sentido...

Embaciaram os vidros

ficou a memória confusa

e o caminho mais pálido

já não me arrancam sorrisos

andei léguas com passos indecisos

até chegar ao horizonte tão meu

onde a infância é já só uma fábula

onde os verdes já são pardos

turvo o azul do firmamento

e na penumbra o pensamento.


A manhã me oprime, o sol me ignora

a tarde me cega, logo a escuridão

e logo a aurora a urdir novo dia

e é mais um sonho que se abrevia

caminho já sem meus passos

fora de mim, distante,

amor já não é anseio

já não abraçam meus braços.


Ah...mas o sonho sempre germina!

E o coração envelhece mas não pára de amar

o amor a vida domina

e é sempre ele que ergue do silêncio

e nos vem embriagar...


natalia nuno

rosafogo

4 694

declinar do dia

DECLINAR DO DIA

Ando pesada de tanto passado
Mas não ouso fraquejar
Coragem trago ainda um punhado
Na torrente da vida, aprendi a nadar.

Olho o meu tempo redondo
Sou uma vaga sombra na parede
A luz enfraquece, vai-se a noite impondo,
Fica a saudade a matar minha sede.
E a bom rítmo me traz memórias
Surge agora o sino tocando à oração
Me vejo no altar das oratórias
Entregando a Deus meu coração.

Vai a vida deslizante
Vou eu fingindo prazer
Centelha que arde num instante
Sinto-a perdida a morrer.

Vivo nas teias da saudade
Deste lado sou bola de sabão,
Às margens da eternidade?!
Sou fiozinho traçado a lápis de carvão.

Assim, meu anseio não é de amanhã
Mas sim do ontem!
De ver os pássaros p'la manhã
Em liberdade a esvoaçar
Prefiro até que não me contem!?
Que viram o tempo, por mim a passar.

rosafogo

natalia nuno
4 681

deitei-me à estrada...

habitarão lembranças em mim,
até chegar meu próprio fim
sem saber nunca quando parar
umas perto,
outras nas sombras a agonizar...
deito-me à estrada nos ramos da noite
os sonhos vão-se amontoando
não ouso palavras,
estrelas urdem o futuro
e eu sonhando, o caminho é duro
mas o desejo arde até ao delírio
e como ave embriagada,
como estrela alumiada
com o olhar procuro
o amor, que minha alma quer
e o coração solicita.

dos meus olhos tranquilos
se apodera o verde da terra
ficam seara onde o vento ondula
o silêncio se impõe
e a vida dispõe...
quem inventou a ternura
aquele rio de amor vivido
até à loucura?
as nossas vozes derretidas, a entrega, a paixão
é agora o fermento e o pão
o fogo da felicidade
que hoje me trouxe a saudade...


natalia nuno
4 090

sinal de nada...

sinal de nada
tudo tão inquietante!
na mão da noite pela calada
um sentimento bem definido
a saudade,
que segue a minha estrada...

o passado erguido,
fico desabitada de mim
corro ao encontro do chamamento
ás recordações sem fim
ao profundo da memória
fica-me o coração a contento
perante mim as idades
da minha vida
desde o jogar ao pião
até à ameaça da solidão.

a infância gaiola dourada
o mel de flor da idade do amor
o fogo rubro da meia idade
agora horizonte de saudade

natalia nuno

4 147

Amor quando me amas

Louca... louca queria ser!
Rio que desliza rumo
ao  mar,
fluir indiferente, sem cessar
Esquecer,
o futuro inverno  cinzento,
esquecer meu desalento.

Meus olhos são rios nascendo,
e  nem sei porque choram!
Talvez porque se estão perdendo
dos teus, que tanto os namoram.

Tão triste porquê, não sei!
O que procuro também  não
Tantas horas já passei
sem saber porque razão.

O tempo me foge e se  perde
A galope sobre meu rosto
Que já foi seara verde
E também luar de  Agosto.

Solta-se a lua sobre as águas
Em meus olhos faz remoinho
A  sombra das minhas mágoas
Se estende p'lo caminho.

E já o mundo  amanhece
Nas fronteiras do meu sonho
Logo o corpo padece
Nem ouve o que  lhe proponho.

Nas minhas mãos nostalgias
Trago no peito  ameaças
Neste amor terna me querias!
Ternura há quando me  abraças.

Ergo-me de fronte ao céu
Nas minhas mãos as  esperanças
Minha alma trago ao léu
Na memória as lembranças.

Corre  depressa meu sangue
no coração a arder,
numa rajada de chamas.
Louca...  louca queria ser
AMOR quando me amas!

natalia  nuno
rosafogo



4 880

retrato vivo...

De tudo o que resta vivo nela

o tempo apaga a cada passo

para continuar a viver

é preciso recordar

enganar a dor, o cansaço

deixar a mente da solidão desprender.

 

Às vezes o silêncio é uma oração

uma porta que se abre ao vento

uma brisa que põe de novo

o coração a pulsar, e bem

viva a semente do pensamento.

Na luz dos olhos dela

há recordações a brilhar,

ela e a sua lembrança!

 

Caminho que sempre começa

olhando para trás,

corpo quebrado,

mas no coração a paz...

Flui nela a tristeza

o sorriso vai voando

todo ele feito ave,

e a certeza de que precisa,

só Deus a sabe!

 

Mariposas eram seus sonhos

partiram amargamente

na noite escura,

procura sua semelhança e não encontra

só a sua fé perdura.

E no silêncio dourado da tarde

olhando o mar

ela vive da saudade, a recordar.   


natalia nuno

4 494

tempo imóvel...

esvoaça a cortina
confusão traz-me a noite enlutada
o tempo mantém-se imóvel
no peito uma sombra desolada
da qual não quererei nunca fugir
ergueu muros à minha volta
e só o silêncio se faz sentir
vou sentindo na pele o medo e a orfandade
a noite e eu,
numa aliança que nos une
invento sonhos de felicidade
e numa resignação sem tempo nem medida
enfrento os dias cada vez mais indefesos
da minha vida...

natalia nuno

2 990

trovas de improviso...

Já o sol triste se apagou...

Mas a esperança ainda resta

No meu peito o sonho ficou...

E meu coração anda em festa

****

O coração é quem sabe

A quem quer nesta hora

Neste meu verso não cabe

O amor que sinto agora...

****

Aperta o cerco...a solidão!

Logo a Saudade por perto

Vai apertando o coração

Que fica agreste  deserto.

****

Já fui estrela já fui ribeiro

Já fui sol que te aqueci

Hoje saudoso caminheiro

Já de saudade te perdi.

****

Está a azeitona madura

Já capaz de apanhar...

Morre o amor sem ternura

Que não lhe consegues dar.

****

Vou sofrendo minhas penas

Desde que te foste embora

Minhas noites são pequenas

Pra chorar por ti agora...

****

Deserdou-me este Outono

Deixou-me no meio da bruma

Com saudade e ao abandono

O coração não se acostuma...

****

natalia nuno

rosafogo
5 239

poema não lido

Só o amor dá continuidade
ao viver...
o que vale é o que é sincero.
Efémera a vida... irá morrer
num sopro de desespero.
Adormecerei no fundo de mim
com a solidão a crescer
e o rumor do meu passo
até cair...
será música pura,
pois é tempo de partir...

 Doce é ter-te a meu lado
sentir a ternura,
o tempo não podemos comprar, mas
amor não precisamos mendigar.
Há coisas de que não me lembro?!
dir-me-ás:
casámos em Dezembro!
À nossa volta um mundo em flor
somos como um poema
um poema de amor não lido
água do mesmo rio
correndo no mesmo sentido
somos conversa repetida
relembrada nos versos que escrevo,
 já de mim esquecida,
 no peito te levo...

rosafogo
natalia nu no
4 660

Comentários (11)

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natalia nuno

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.

Natural de Lapas/Torres Novas A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas . Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil. Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda» Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César, O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e « Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira. Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora. Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........