Lista de Poemas

trovas soltas...2002

coração q'só quer amar,
e beijo de amor receber
quando a noite chegar
infinito será o prazer.

amanhã é que será!
se o destino entender
à minha porta baterá
para o amor me trazer.

calo o amor no peito
como cântico de sedução
trago no olhar o jeito
meu chão é teu coração

partem palavras aladas
bem fundo do coração
à poesia de mãos dadas
para viver sem solidão

teu coração porta aberta
pronto a dar e a receber...
a beleza em ti descoberta
meus olhos gostam de ver

vi de novo o sol poente
vou agradecer a Deus
que meu coração é crente
quando olho os olhos teus

natalia nuno
1 069

quem te sente já morre...

Ó tempo, fala a verdade?!
Senta-te aqui a meu lado.
Faz comigo amizade
Tem cuidado!
Sê prudente!
Te pergunto brandamente
Porquê me dás tantos danos?
São quantos mais os anos?
Neste instante que corre,
Quem te sente já morre.

Deixa-me limpar o pranto
Desta sentida saudade
Já não haverá outro tanto?!
Dá-me um pouco de felicidade.

Deste-me cabelos de prata
E mãos frias como a neve
E a formosura? Essa ingrata!
Deixou um traço ao de leve.
Quando olho o meu rosto
Nada já vejo com gosto!
Gela-se-me o sangue nas veias
- Vê por instantes meu desgosto
Tu que me enredáste em tuas teias.
- Ah...não me dês outro maior!
Deixa-me a imagem que fui
Já me basta esta dor!
De quem nada já possui.

Senta-te ao meu lado
Dá-me algum alento.
Faz-te meu aliado,
Sê minha estrela, meu vento.

natalia nuno

861

trovas...arrebata-me o tempo

assim foi tua companhia
teu coração, tua mão
tua presença, tua alegria
chave de meu coração

o nosso sonho verdade
bebi a frescura d' água
agora nos resta a saudade
o resto... levou a mágoa

alguma coisa quebrada
nestas tardes outonais...
estamos unidos na jornada
cada dia nos querendo mais

faço quadras de improviso
se alguma coisa por dizer
da tua cumplicidade preciso
o amor está, venha quem vier

o meu grito é poderoso
quando escrevo sobre a vida
apaixonado alecrim mimoso
de sonhos ando vestida


natalia nuno
rosafogo
934

poema efeméro

este poema que é meu segredo

e das minhas mãos a pureza

agora o partilho a medo

numa asfixiante incerteza

este poema é  meu espelho

minha sombra escurecida

um sonho velho

palavras trémulas... mas com vida!

este poema é meu desejo e

meu capricho, a minha sede

abrasadora

o privilégio de seguir vida fora

com o fulgor do sonho

faz parte de mim, voa no meu sangue

é o meu pulsar na palavra

o sopro da minha voz

meu rio a chegar à foz


este poema é a harmonia

do meu instante

é o meu mundo partilhado

o agasalho que me cobre

- o meu fado!


este poema tem asas na minha mão

traz com ele a minha história

e sua efémera glória

de tão vasta imperfeição

ouve-se nele o rumor da tempestade

e da palavra sente-se a inquietude

- é a minha bagagem da saudade.



natalia nuno

rosafogo


4 723

Quem sou então?

Por mais que me procure,

de mim não sei!

A imagem que vejo de mim

não pode ser esta... é apenas

o que resta!

Então quem serei?


Talvez a do retrato, aquela

mais antiga!?


Ah! Mas essa está na gaveta

das antiguidades...

Não sejais amáveis! Não sou essa

nem as outras, porque delas

só restam saudades.


Quem sou então,

que me procuro insistentemente?

Quem sou na realidade?!

Ora, sou simplesmente a que sonha!

Já sei... talvez a que escreve poemas

como se matasse a sede,

ou a que acorda e adormece nas palavras,

que traz a memória desarrumada,

que traz na boca pássaros chilreantes,

Não! Não sou esta também... assim de horror

tomada.

Nem sou mais a de antes...


Sou  a que se ouve num tempo distante

a que trago comigo na lembrança

sou a que leva saudade  na bagagem

e o perfume da criança que interiorizo

as palavras que me saem do coração

Assiste-vos a razão de julgar que

não tenho juízo...

Quem sou então?


natalia nuno

rosafogo

4 176

onde me sei...

cada verso é a chave
da minha alegria
é como escutar uma melodia
é o resplendor da esperança
tudo o que ainda no meu sonho
cabe...
cada verso vem vestido de aroma
novo...
com a frescura do tomilho
a sensualidade da rosa
cada verso é um filho
que traz a força, que vive
e que ama
cada verso é a chama
é o recordar de tudo que amei
teu corpo despido
onde me sei...
natalia nuno
661

eu sou...

sou aranha que tece a teia
sou folha levada p'lo vento
ou onda que avança na areia
sou ai dum extinto lamento
sou a lua que olha a terra
sou do rio a outra margem
ou notícia que anda na berra
buscam outros minha imagem
sou uma tarde abrasadora
trago interrogação na boca
uns me julgam sonhadora
e outros me acham louca
sou espelho onde me vejo
sou água a subir-me ao pé
sou mulher feita desejo
reconheço-me forte na fé
sou noite fresca de verão
a lua caindo nas águas...
sou esquecimento e solidão
um mar fechado em mágoas
sou a que fiz e a que faço
de rosas murchas, poemas
afirmo a vida e nela enlaço
num grito as minhas penas.

natalia nuno
385

silêncios...

há silêncios que dizem tudo
na aspereza da noite, são desabafo d'alma
nos olhos secos, raios avermelhados
a expurgar a solidão,
as veias soltam-se em trepidação
na quietude, não se ouve nada
a não ser, o bater do coração.
a vida já se ajoelha
o tempo no rosto se espelha
assim se faz o começo do fim,
sigo o silêncio que se quedou em mim
na memória há um fogo que arde e não
se consome...uma porta larga que abre
ao passado, estendo a mão
às lembranças,
o sonho impregnado de brandura e,
com ternura vou criando asas
para sair da solidão.

sempre a mesma sujeição ao tempo
sempre a mesma memória obsessiva
a lembrar cenas que marcaram a vida
deixaram no peito a saudade viva
esta saudade tão minha, que sinto de verdade
e lá me faço asa, que me leva de volta a casa
mas o tempo se arrasta e da vida me afasta
silêncio mudo que em mim se deita
encontra guarida no peito e ali se ajeita
aceita a oferta do abrigo e quer-se ali comigo.
há silêncios que dizem tudo
atravessam m' alma vazia, meu coração mudo
cansaço na viagem, e passa mais um dia.

natalia nuno
181

amor saudade...

amor saudade...

já não tenho mais palavras para dar-te. guardei-as nos teus olhos como se as sepultasse, para escrever mais tarde um poema que me amasse, me fizesse sentir viva, me falasse a tua língua e não esquecesse de me deixar ao teu beijo cativa...amor perfeito este que trago a latejar no peito, como uma festa de estio, amor que é rio, e é ponte que atravessa meu horizonte, tempestade e serenidade... amor que é saudade!

natalia nuno
221

pássaro louco...

deixo-me a fingir que tudo é verdade
como o beijo que me dás ao amanhecer
quando os teus braços me acolhem e afagam
e eu me sinto florescida, a renascer
entra o sol pela janela em rodopio
é ali a certeza de tudo certo,
depois o quarto vazio, da tua presença
deserto...
deixo-me na ilusão de que é verdade
e o pensamento parece um mar encapelado
lá volta de novo a saudade
e ali se senta a meu lado.
assim me sinto na distância
pássaro louco em voo
num céu de bonança.

deixo-me nos sonhos infantis
meus pensamentos rasgam o espaço
e a memória como um bailado me deixa feliz
arredando pedras do caminho por onde passo.
o sonho deixa-me menina rica de alegria
e folgança,
tal como em criança...

natalia nuno
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Comentários (11)

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natalia nuno

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.

Natural de Lapas/Torres Novas A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas . Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil. Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda» Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César, O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e « Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira. Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora. Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........