Areia no olho
coloquei minhas abstrações pra dormir.
Vou tomar um porre de presenças
vou me entregar a este limite
quue se exala em saudades.
vou ser isso e aquilo
cotidiano e imanente.
um cara passou na minha rua me oferecendo películas de celular.
ele existia como andarilho
de toda a matéria circundante.
ele vende películas de celular
e tem 2 filhos em algum lugar
no lima verde.
vende películas para proteger celulares indefesos
contra o iminente descuido de seus mestres.
películas que resistem contra o chiste da gravidade.
películas que adornam
este desejo incolúme
de se tornar esquina de si
em alguma resenha.
o menino do dutra retalha queijos
como retalho tramas
e o que existe lá
é a mundaneidade
de esbarros
que invejo por serem
mais tangíveis
que os meus acenos
à condição de ser homem escrito
por mim.
a mão fica pesada quando se pontua
os cantos de nossas bocas.
o que ecoa
é o pesado silêncio
de um eterno stand-by
e esse verso dedico
a toda chita
que desperdicei
para sentir na pele
o frio de uma solidão simbólica.
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