Areia no olho
coloquei minhas abstrações pra dormir.
Vou tomar um porre de presenças
vou me entregar a este limite
quue se exala em saudades.
vou ser isso e aquilo
cotidiano e imanente.
um cara passou na minha rua me oferecendo películas de celular.
ele existia como andarilho
de toda a matéria circundante.
ele vende películas de celular
e tem 2 filhos em algum lugar
no lima verde.
vende películas para proteger celulares indefesos
contra o iminente descuido de seus mestres.
películas que resistem contra o chiste da gravidade.
películas que adornam
este desejo incolúme
de se tornar esquina de si
em alguma resenha.
o menino do dutra retalha queijos
como retalho tramas
e o que existe lá
é a mundaneidade
de esbarros
que invejo por serem
mais tangíveis
que os meus acenos
à condição de ser homem escrito
por mim.
a mão fica pesada quando se pontua
os cantos de nossas bocas.
o que ecoa
é o pesado silêncio
de um eterno stand-by
e esse verso dedico
a toda chita
que desperdicei
para sentir na pele
o frio de uma solidão simbólica.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Rotinas
gostar de rotinas faz-me gostar muito mais dos dias que não sabem a ontem
Isabel Pires
Mimos
às vezes o amor
aproveita-se das ausências
veste-se de filamentos de nós
e invade os dias que nascem iguais
para os tornar e…
Isabel Pires
Carmesim
há um encanto especial nos dias curtos do verão tardio.
o sol, em promessa de brevidade, beija-nos a pele com vontade de ficar.
…
Isabel Pires
A meias
raia a manhã na consciência tempo entardecido insistência rastros do homem em sua ausência a que foge de si a que lhe intenta construir-s…
AurelioAquino