invento uma letra que se ausenta de alfabeto. Uma letra que existe no coração de um ilhado. (perdida letra de uma busca sem dicionário) letra sem nome nem traçado: apenas espaço aberto de uma lua cheia que me mantém acordado.
invento uma letra que se ausenta de alfabeto. Uma letra que existe no coração de um ilhado. (perdida letra de uma busca sem dicionário) letra sem nome nem traçado: apenas espaço aberto de uma lua cheia que me mantém acordado.
115
Fraturas
Há decerto uma oportunidade mais própria,
Uma porta do nosso tamanho
Com um tapete limpo a frente.
Por sobre as sombras de arvores-mães
O vento já desfolha
Os sentidos do amanhã.
Hoje a possibilidade mais próxima
É recolher-se ao sereno
De praças enfeitadas de crianças.
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Ossos e músculos Revestem A amargura De uma gaveta Que só queria Ser pássaro.
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Estufa
E ninguém deixa a vida Dar conta de sua nutrição. Abafam constantemente O paradoxo. Como se há de ser livre Sem a contradição De tua essência ?
Só , em meio as odisseias De um tempo, Aguardo um lugar para morrer.
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Semáforo do Relevo
Primeiro de tudo: Um futuro aberto por dois pontos, cifras de um eu que se quer ser.
Depois... O absurdo, caminho aberto a qualquer passo em tensão de reticências... braile de sublevação.
Ainda mais. O ponto. Circuncisão maculadora do irreal. Necessária ascenção ao lote.
Por fim a oração falada - Na minha língua o travessão me convida o dizer que se consome
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São Luís.
Lilás ilha alopática Berço de sonhos corcundas E cobras cegas:
espelho de mim
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o ato se inaugura na chance de um porvir. Há uma cachoeira onde uma mulher Discorre sobre o curso natural Dos movimentos humanos. Derrete-se o hímen, O castelo já fora ofertado: Surreais reis batem à minha porta E não os recebo – Somente ao verme É que enfatizo o meu desenlaço.
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No pós mundo o mundo quer ser
No pós o perene resiste e o desejo de permanecer conflita com o melancólico chiste.
No pós o espaço dilata para chuvas de marfim mas o caminho balizado ainda não fora caminhado: e é ele todo vespeiro e jasmin.
No pós há tensão de passado, de futuro existindo no ponto refratário de um anacoluto
no pós o mundo mente e sorri e fala a verdade e não diz o que seu dizer deseja cumprir
no pós-tempo no vasto fora do vasto existe o rastro de um ponto sem dimensão:
a obra perfeita de humana reconciliação
152
o verso que não cabe
ai são luis.
a ti dedicaria sonetos,
mas que importam os origamis verbais
para teu covil de solidão?
que importa são luís,
o lastro de minhas letras
sendo que eu só te acesso
pelo avesso de ti?
me digam,
qual é o meu problema
de me imaginar
amigo do verme que consome
todos os víveres aqui vivendo,
facultando o passamento
para olbivios terminais,
existindo:
e esquecendo atrás da porta que somos
o desejo de dizer eu te amo são luís...
eu te amo são luís,
mas é complicado amar-te
visto que não te amamos
nem tu nos ama.
mas somos um só,
um ponto energético
que elide nosso sangue
nos nossos nomes
para sempre gravados
na tua pele e no teu veneno
de serpente circular
que nos conduz ao rebolado
de nossa essencia fractal -
ao propagar de um ilhado
ao florescimento das coisas mesmas.
são lúis,
teus casarões andam pelos bloquetes de perdão
os bloquetes andam pelos casarões.
carruagens andam por entre
as viaturas baculejantes.
o bonde, que não mais existe nesse recorte,
anda muito, muito mesmo,
sai lá da rua são pantaleão
como o rei do único trafego possível
entre azulejos
negros
tupinambás
caixeiros-viajantes
sorveteiros de bacuri
os engraxates, impávidos e agora inuteis
e o silêncio operacional de vida
que existe porque reside
em um solipsismo insular....
são luís,
uma mera crase ao eterno,
uma eterna revolta
que se incendeia de si,
fagulha de migalha
que nos atrai porque nos repele
que nos mostra porque se oculta
que fala porque cala
e calada,
trama nosso destino
nossa chancela de real
pela cicuta que nos alicia.
são luís, a ti e só a ti
escrevo o verso que aqui não cabe.
121
Areia no olho
coloquei minhas abstrações pra dormir. Vou tomar um porre de presenças vou me entregar a este limite quue se exala em saudades. vou ser isso e aquilo cotidiano e imanente.
um cara passou na minha rua me oferecendo películas de celular. ele existia como andarilho de toda a matéria circundante. ele vende películas de celular e tem 2 filhos em algum lugar no lima verde.
vende películas para proteger celulares indefesos contra o iminente descuido de seus mestres. películas que resistem contra o chiste da gravidade. películas que adornam este desejo incolúme de se tornar esquina de si em alguma resenha.
o menino do dutra retalha queijos como retalho tramas e o que existe lá é a mundaneidade de esbarros que invejo por serem mais tangíveis que os meus acenos à condição de ser homem escrito por mim.
a mão fica pesada quando se pontua os cantos de nossas bocas. o que ecoa é o pesado silêncio de um eterno stand-by
e esse verso dedico a toda chita que desperdicei para sentir na pele o frio de uma solidão simbólica.