A gaiola

Um pássaro canta
dentro de mim!

Rouco, louco, embriagado.

Não tem penas,
está inchado.

Estranho e faminto
já não é pássaro
mas relutante e trágico
insiste em ser.

Já não dorme,
pensa sem parar
por esclarecer a todos:
"posso voar, posso voar, posso voar"

Não pode.

E até mesmo a árvore, sua ancestral,
onde deitávamos ao luar
e jurávamos,
declinou as vestes
e nua, descabelada,
tem os pés queimados.

Pobre pássaro,
pobre de mim seu confidente,
(secreto amante)
oculto nossa triste imagem
e não declaro nosso amor
amargo, doente, aprisionado.

Mas ele segue dentro de mim,
cantando,
rouco, louco, embriagado.
298 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.