Saturnina
Quando o vento soprava quase rente
e as folhas mais rasteiras agitava,
em meu canto pensava complacente
nos deuses que mantêm a vida escrava.
Se a alma não permite, não consente
ser perturbada ao tempo de uma oitava,
decerto não lhe é indiferente
a força com que a algema se lhe crava.
Vagando pelo mundo, é eremita,
caminha apoiada em seu cajado,
carrega uma lanterna e exercita
viver sem ter alguém sempre a seu lado.
Da convivência humana, que ela evita,
renega o tal viver equivocado.
Nilza Azzi
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