Desastre
Escrevo este soneto tempestade,
pesado como chuva de verão.
Em gotas, caem fortes, pelo chão,
palavras proferidas com vontade
de escorrer como a água, quando invade
e leva tudo em forte aluvião.
Depois, do que sobrou, a liberdade
de escolha, entre os escombros, pois dirão
que a Lua sempre brilha após a chuva...
Assim, qualquer poema vale a pena,
ainda que não fale. − Que bobagem!
A rima segue à toa e sem vantagem,
desgosto que acompanha a cantilena,
embora já não pense no que devo.
Nilza Azzi
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