Eu sou o que sou
Quando olho no espelho
E vejo a face que vi durante
Toda a minha vida, ou seja,
Eu vejo a dúvida eterna
Metamorfoseada na minha face humana.

Mas, e se um dia, por acaso, eu olhar através desse espelho e ver,
Inevitavelmente, aquilo que se vê
Quando se olha um pouco mais,
Aquilo que se encontra adiante, 
Além do reflexo, além dos meus olhos?
A partir daí,
Seria eu o que eu sou, ou seria eu algo mais?

Eu sou o que sou, pois ainda reconheço o reflexo,
Ou por que eu ainda não fui capaz de ver este adiante?

E se um dia eu ver o adiante? Seria eu, de fato, algo mais,
Ou eu não seria mais nada?

Eu não serei mais nada
No dia em que a dúvida cessar, pois,
Eu sou o que sou
Quando olho no espelho
E vejo a face que vi durante
Toda a minha vida, ou seja,
Eu vejo a dúvida eterna
Metamorfoseada na minha face humana.

Então, se hoje eu sei que
Eu sou o que sou,
Então não me resta mais nenhuma dúvida,
Logo, eu já não sou mais nada.
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