SINOPSE DO MEU VIVER
Sentado sozinho comecei a pensar por tantas coisas que já passei nesta vida, quando criança quantos males me sucederam, quanta perrenguice, na adolescência quantas desilusões, quanta conformidade com a pobreza, com a falta de perspectivas. Também na fase adulta quanta dureza, quanta incerteza, ainda na pobreza. Trabalhos duros, mas dignos. Assim seguia a minha vida, dificuldades, dificuldades. Sendo o quarto de oito irmãos. Jovem, muitos calos nas mãos que ressecados às vezes sangravam e doíam muito, mas segui dignamente, minha mãe analfabeta fazia todo o esforço para que nós fossemos para a escola desde criança. Às vezes penso que nem sei se sofri, pois não conhecia o conforto, nem imaginava como ele era, seja talvez esta a razão para continuarmos vivendo no nosso mundo sem nos rebelarmos. A nossa mente condiciona o nosso físico, e Deus dá a proteção necessária para não morrermos por alguma moléstia. Enfim, vivi solto nas ruas desde criança até o fim da adolescência, como muitos miseráveis da época, quando criança vendi picolés, salgados, algodão doce, bolos e etc. Não levava nada para casa, não entendia o por que de estar ali. Na realidade não sentia falta de conforto, os colegas nas ruas e a liberdade que eu tinha supriam este vazio. Na adolescência também vendi picolés, mas não tinha a responsabilidade de fazer renda. Por sermos soltos nas ruas naquele tempo e muito pobres, éramos muito discriminados, mas o interessante que não me corrompi, Deus livrou-me desde criança indefesa. A rotina era escola à tarde ou de manhã, depois encontrar com os colegas e ir para o rio nadar, às vezes em lagoas, ir pescar, jogar futebol e praticamente todas as brincadeiras daquela época. Me esforcei e consegui algo muito brilhante naquele tempo para os pobres, quase concluir o ensino médio, me capacitando a ser aprovado em um concurso público que exigia o ensino fundamental. Trabalhei por quase trinta anos e hoje estou aposentado graças a Deus.
Erimar Lopes.
Erimar Lopes.
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