Falso
Em ponto morto o que estava acelerado,
síntese não sei o que é, mas já sabemos
das rachaduras, das trincas e manchas
nas paredes e nos altares, tudo
parecia nos trilhos, fingindo-se felizes
todos, mas em ponto morto tudo está,
a casa é quase que só baratas e formigas
sob o jugo da procura, o pavor nas vitrinas
na noite de luzes artificiais, sim, eis em ré
a velha estrutura de moer carnes e mentes,
uma ópera dos mortos
vai coroando os dias dos semivivos
reagindo como um zero por trás da máscara.
*: Ópera dos Mortos é alusão ao livro de Autran Dourado (1926-2012, MG)
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