Meu amor (soneto)
Meu amor é singelo, familiar e simples
tem cheiro de terra molhada da chuva,
Da madeira queimando no fogão a lenha,
De ervas de cheiro e perfume dos temperos.
Meu amor tem o ninar da criança,
A cantiga de roda das meninas,
A moda dos seresteiros
E estórias de velhas senhoras.
Meu amor é antigo, arcaico e matriarcal
Esconde, protege e acolhe seu desejado.
Meu amor tem ciúmes e queixumes
Meu amor tem medo, porque não sabe perder.
Meu amor não sabe navegar sozinho.
Meu amor tem ânsia de não perder
Sede de não dividir e fome de esconder,
Meu amor é branco e negro, azedo e doce
Meu amor e fel e mel
Ouro e zinco, disfarça e mascara
Acolhe e escolhe, protege e elege
Recebe e não doa, cobiça e esconde.
Meu amor não real é real mas é o único que conheço.
Não existe para ninguém mas existe aqui dentro.
É uma coisa doída, morrenda, nua e esfaimada.
Mexe com minhas entranhas e me faz chorar
Estou cansado. Cansado da cobiça por minha infância,
De desejar o cheiro da casa exalando amor,
De buscar um olhar que sorria ao me ver,
De invejar um amor que não é meu.
Meu amor é singelo, familiar e simples
Meu amor é desejo sem o desejado,
É sonho que não devia ser sonhado,
É um beijo pedido, perdido e nunca encontrado.
Autor: daniel silvano
tem cheiro de terra molhada da chuva,
Da madeira queimando no fogão a lenha,
De ervas de cheiro e perfume dos temperos.
Meu amor tem o ninar da criança,
A cantiga de roda das meninas,
A moda dos seresteiros
E estórias de velhas senhoras.
Meu amor é antigo, arcaico e matriarcal
Esconde, protege e acolhe seu desejado.
Meu amor tem ciúmes e queixumes
Meu amor tem medo, porque não sabe perder.
Meu amor não sabe navegar sozinho.
Meu amor tem ânsia de não perder
Sede de não dividir e fome de esconder,
Meu amor é branco e negro, azedo e doce
Meu amor e fel e mel
Ouro e zinco, disfarça e mascara
Acolhe e escolhe, protege e elege
Recebe e não doa, cobiça e esconde.
Meu amor não real é real mas é o único que conheço.
Não existe para ninguém mas existe aqui dentro.
É uma coisa doída, morrenda, nua e esfaimada.
Mexe com minhas entranhas e me faz chorar
Estou cansado. Cansado da cobiça por minha infância,
De desejar o cheiro da casa exalando amor,
De buscar um olhar que sorria ao me ver,
De invejar um amor que não é meu.
Meu amor é singelo, familiar e simples
Meu amor é desejo sem o desejado,
É sonho que não devia ser sonhado,
É um beijo pedido, perdido e nunca encontrado.
Autor: daniel silvano
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