Soneto da Natureza violada
Dríades puras que vagueiam pela mata,
Pelos seus corpos nus escorre o orvalho,
Na alvorada quando saem do carvalho,
Cantando e dançando a lira sensata.
Corre o sátiro ardil e ouve a sonata,
Por donde vai deixa podre soalho,
Acha as purezas e brande o cisalho:
Estupra e destrona e desfolha e mata.
Nada mais se ouve no pós-agonia;
Agem os algozes com inocêncio,
Tal como ignorantes de quem sofria
Pregam hipocritamente Prudêncio,
Não do modo que o cristão prescrevia.
A floresta, purgada, está em silêncio.
Pelos seus corpos nus escorre o orvalho,
Na alvorada quando saem do carvalho,
Cantando e dançando a lira sensata.
Corre o sátiro ardil e ouve a sonata,
Por donde vai deixa podre soalho,
Acha as purezas e brande o cisalho:
Estupra e destrona e desfolha e mata.
Nada mais se ouve no pós-agonia;
Agem os algozes com inocêncio,
Tal como ignorantes de quem sofria
Pregam hipocritamente Prudêncio,
Não do modo que o cristão prescrevia.
A floresta, purgada, está em silêncio.
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