Desintegração

Desintegrou-se o tempo em mil porções
De ilusões aterrorizadas…quase engasgadas
Ali deixei min’alma fluir, fluir desatada
Desintegrou-se esta solidão imensa e dissecada
Deixou cada hora a mastigar uma rima fatigada
Engendrou esta estrofe vagueando tão ilibada
Desintegrou-se a esperança sensível e regozijada
Idealizei como se inspira e fecunda uma caricia enamorada
Até confinei este vírus que infecta cada palavra bem tricotada
Desintegrou-se o tempo em triliões de segundos eternizados
A cada despedida ausenta-se a saudade da despedida desalentada
Dos gemidos surdos e sufocantes resta a memória fiel e domesticada
Frederico de Castro
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