desconfie dos tempos
postos em medidas
nada do que é exato
é totalmente a vida
sua matemática
é de estranha lida
nunca se contém números
mas em desmedidas
suas infinitudes
são tão restritas
que cabem quase sempre
nos bolsos da camisa
suas multiplicações
apenas recomeçam
as divisões que as horas
ensejam em seus tropeços
coisa de nem ser avaro
porque pleno e avesso
desconfie dos absolutos
e dos sempres invioláveis
por trás de cada infinito
há um susto mensurável
não com os metros do que se possa
mas com as réguas da vontade
desconfie dos relativos
e das vicissitudes dos espaços
tudo cabe num metro
apesar de incontrolável
é que a vida é quase absoluta
quando nela se cabe
desconfie da desconfiança
usada como arma
ela apenas se presta à razão
de quem se amarga
é que a vida não é dada
às incertezas de quem a traga
desconfie das manhãs arrazoadas
postas num tempo sem debates
nada do que é o tempo
resvala apenas em palavras
desconfie das amarguras
um tanto adredemente
nada que não respingue
na condição de contente
e na informalidade dos anos
que se tem como vivente
mas, sobretudo,
desconfie do tempo e dos verbos
em que se esteja navegando
sem os mares por perto.
postos em medidas
nada do que é exato
é totalmente a vida
sua matemática
é de estranha lida
nunca se contém números
mas em desmedidas
suas infinitudes
são tão restritas
que cabem quase sempre
nos bolsos da camisa
suas multiplicações
apenas recomeçam
as divisões que as horas
ensejam em seus tropeços
coisa de nem ser avaro
porque pleno e avesso
desconfie dos absolutos
e dos sempres invioláveis
por trás de cada infinito
há um susto mensurável
não com os metros do que se possa
mas com as réguas da vontade
desconfie dos relativos
e das vicissitudes dos espaços
tudo cabe num metro
apesar de incontrolável
é que a vida é quase absoluta
quando nela se cabe
desconfie da desconfiança
usada como arma
ela apenas se presta à razão
de quem se amarga
é que a vida não é dada
às incertezas de quem a traga
desconfie das manhãs arrazoadas
postas num tempo sem debates
nada do que é o tempo
resvala apenas em palavras
desconfie das amarguras
um tanto adredemente
nada que não respingue
na condição de contente
e na informalidade dos anos
que se tem como vivente
mas, sobretudo,
desconfie do tempo e dos verbos
em que se esteja navegando
sem os mares por perto.
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